As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Esta é a Mia...

O Pai Natal desta vez foi generoso... para além do tradicional pijama e bujigangas que não interessam a ninguém, recebi... a MIA!


Sim, eu sei. Ter um gato é uma prisão. A casa fica cheia de pelos, as plantas sofrem e os cortinados ganham franjas novas.. ou não. Mas eu tive gatos desde sempre e confesso que sentia falta do ronronar e das marradinhas que dizem gosto de ti. Eis que, tantos anos de insistência depois, a minha cara metade lá cedeu (sim, porque segundo sempre me disse, ele e gatos não combinam!). Agora ele partilha a gata comigo. Sim, porque a bicha do demónio prefere o dono e ele começa a dar sinais de quem é capaz de se habituar a ela também (o que não é pior, assim não me chateia tanto quando ela faz asneiras!).

E o Diogo? Como é que acham que o Diogo reagiu à Mia?

Muitíssimo bem. E ela? Adora-o!!! Onde ele estiver, a gata está também. Senta-se na cama dele quando ele brinca no chão ou no sofá ao lado dele quando ele vê televisão.
No primeiro dia ele sorriu e mostrou interesse... durante 10 segundos e foi à vidinha dele. Imaginem portanto o meu espanto, quando no dia seguinte, ainda mal acordado o Diogo pergunta "A Mia?".
Uau.
Levei-o à cozinha, onde está o ninho dela e ele lá foi todo contente espreitar. Virei as costas e dou com ele de joelhos, a espreitar para baixo da mesa onde ela estava, a rir às gargalhadas por a ver brincar com uma bola. E o que fez ele? Foi buscar outra bola e atirou-a para ela ir buscar, sempre atento às brincadeiras dela. Esta brincadeira continua até hoje...  o que é mais fantástico é que nem ele a massacra nem ela stressa.
Faz festas na Mia, quando lhe dizemos para o fazer. Primeiro com as costas da mão, agora vai tendo mais confiança e já faz com a mão toda. De resto, parecem dois putos (parecem, não, são), a brincar às escondidas: ela esconde-se e ele vai atrás e quando a encontra, ela esconde-se outra vez e a brincadeira recomeça. E se não a encontra? "Quero Mia! Onde está a Mia?"

São dois companheiros de brincadeira e de destruição (entre Diogo e Mia, a árvore de Natal já levou uma coça que nem vos conto!).

É claro que tenho receio de uma arranhadela ou mordidela. Mas às tantas há mais vantagens do que desvantagens. Até ver...


PS: Agradeço mais uma vez ao pessoal que faz a vistoria do gás natural e que veio cá em Setembro. Foram tão delicadamente eloquentes que ainda hoje me lembro das expressões feroz lambedora e bicha do demónio. Ficaram gravados na minha mente desprevenida, para sempre. :)

 Miau.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natalio!

Divirtam-se e ponham os problemas para trás das costas... se conseguirem! Se não conseguirem, atafulhem-se de doces e chocolates (ou licores variados até cair para o lado, se preferirem!) e não se esqueçam de sorrir... Mesmo que seja sem vontade, um sorriso amarelo e pouco duradouro, mas um sorriso! Que a esperança nasça desse sorriso, que sirva de alento nestas noites frias e que nos dê força para continuar.




Eu vou tentar também...
E obrigada a todos, por tudo.
Beijos e abraços e sonhos... de abóbora!



domingo, 18 de dezembro de 2011

Transgressão e Regressão

Não, caríssimos colegas geólogos e afins. Não falo dos processos geológicos associados à subida ou recuo do nível do mar, nada disso. (embora preferisse...)

A regressão  a que me refiro é dolorosa...não aumenta a área continental, apenas o meu desespero. Exagero? Vejamos:
- Há 6 meses atrás o Diogo não falava muito, apenas o essencial. Hoje fala menos do que isso, é preferível apontar e espernear se não lhe fazem a vontade.
- Há 6 meses atrás o puto usava fralda. Hoje continua e não vejo vontade em largar a dita. A opinião da pediatra é tirar já e de repente. Se houver descuidos, banheira e água fria... Para quem não se lembra, estamos em Dezembro, a ideia de água fria não é a mais agradável...
- Há 6 meses atrás o Diogo não queria ir para o infantário. Adivinhem? Continua a não querer.
- Há 6 meses atrás o Diogo tinha deixado de se agredir. Agora, pega na minha mão para lhe bater...
- Há 6 meses atrás eu tinha esperança no desenvolvimento positivo dele. Hoje já não sei...
-Há 6 meses atráso puto só via números e letras. Hoje só brinca com... números e letras!
Vêm o padrão aqui?

O consenso social manda procurar ajuda. Mais médicos, mais especialistas, mais testes, mais stress... Ordens da pediatra: teste auditivo urgente (aproveitar porque finalmente instalaram a maquinaria para os potenciais evocados aqui no fim do mundo), e procurar outro especialista. Já corremos pediatras, pediatras de desenvolvimento, pedopsiquiatras, psicólogos e todo um conjunto de educadores e terapeutas. Falta-nos um neuropediatra. Ok, claro. Mais um... É aqui que entra a transgressão: não me apetece! Não me apetece seguir as regras! Não quero mais médicos, EU saio de lá doente!!!!!


Apetece-me mandar toda a gente... à fava. A sério!
Ide ver se o porco anda nas couves! 
Vão que eu espero.

Bolas. Eu não quero. Eu não quero ter um filho diferente.
Pronto já disse.

E sim, descansem. Vou marcar consulta.   
Mas dava tudo para não ter que o fazer...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Era das tecnologias, parte III

Mais alguns para a lista...

http://www.kids-software.com/
http://www.educational-freeware.com/
http://www.wartoft.nu/software/sebran/
http://www.wartoft.nu/software/minisebran/
http://www.educational-freeware.com/online/poisson-rouge.aspx
http://www.educational-freeware.com/online/starfall.aspx
http://sembarreiras.org/
http://www.inclusive.co.uk/
http://www.starfall.com/
http://www.minimops.com/ - *****!!!!


Boas brincadeiras!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Chorar não adianta nada."

Chorar não resolve problemas.
Chorar não te limpa a casa nem te passa a roupa a ferro.
Chorar não te adianta o trabalho.
Chorar não te faz mais feliz.
Chorar não te trás de volta quem já partiu... nem te afasta de quem não precisas.
Chorar não te alivia o desespero nem a frustração.
Chorar não implica que sintam pena de ti.
Chorar não te garante um futuro melhor.
Chorar faz dor de cabeça. E incha os olhos. E põe-te mal disposta.

Então porque choras?
Chorar é apenas uma resposta fisiológica à alteração do estado emocional, seja por  medo, tristeza, depressão, dor, saudade, alegria exagerada, raiva, aflição...

Choras porque precisas. Porque se não o fizeres morres por dentro.
Choras porque te dói ver como és diferente dos outros, porque eles não sabem o que tu estás a sentir.
Choras porque não sabes o que estás a fazer bem ou o que estás a fazer mal.
Choras porque estás perdida e precisas de encontrar o caminho.
Choras porque não sabes como reagir quando o mundo desaba.
Choras porque não consegues curar quem não está bem.
Choras porque estás cansada.
Choras porque sim. E porque não.

Mas acima de tudo...
Choras porque és forte! Porque a seguir a este momento de desespero, a força renasce!
Choras porque queres seguir em frente.
Choras porque és mãe e queres o melhor para o teu filho.


E depois... deixas de chorar.
E voltas ao mesmo.
Até precisares de chorar outra vez.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"É autista, não é?"

Acabadinha de ouvir.

Pela 3ª vez em 4 anos, o Diogo foi ao serviço de urgências do Hospital cá do sítio. Refiro o número de vezes só porque me disseram que o puto e os pais são uns heróis, pelos vistos há crianças da idade dele que já ultrapassaram as 50 visitas. Ganham-se pontos com isto, ou será que ainda não recebi o catálogo para trocar por brindes? brincadeira de mau gosto, admito! Sorry...

Como tem uma excelente memória, bastou chegar aos portões do referido Hospital para o Diogo desatar aos gritos... da ultima vez, eram 2 da manhã e ele teve que fazer aquela mistura de aerossóis com adrenalina e jkdfuwaeg-ina, que pelos vistos foi traumatizante. Eis que em plenos pulmões (apesar de muito rouco), esperamos pela triagem. A enfermeira que nos atendeu (bem mais atenciosa do que o outro paspalho, digo, enfermeiro que nos atendeu da outra vez), mediu-lhe a temperatura e como ele continuava aos gritos começou a tentar distraí-lo.
Pois.
Como viu que não conseguia, olhou para mim e disse com um sorriso:

"É autista, não é? Tão lindo! Sabe, como mãe, gostava muito de conhecer o mundo de um autista. Deve ser bem melhor do que o nosso, não acha?" e como se não bastasse, remata:
"Nota-se que vocês são uns pais excelentes!"
Nota-se como? Pelos gritos? Pelos pontapés? Pela cara de pânico do puto? Ou pela minha?

Ok, estou um bocadinho amarga hoje. Grunf...

 Segue-se a razão da visita: a pediatra, que ao telefone de manhã nos aconselhou a passar por lá para o auscultar. A birra continua mas ela faz um ar conhecedor (não vê o puto há 1 ano) e quando a colega (não, não foi a pediatra dele, foi a outra médica que estava de serviço) o tentou acalmar, a unica resposta foi:
"Este é dos bons, é dos tais..."

A única coisa boa disto, é que neste momento ele está a dormir. Acho que a gritaria o cansou e ele finalmente adormeceu. Não há tosse, nem gemidos... só o meu pequeno a dormir descansado.
Ataquei a maldita tosse a tempo, antes de ela se transformar em gosma pulmonar e ser muito mais difícil de curar depois.
Ele está bem. E se para ele estar bem, eu tenho que levar com tudo isto e mais os esgares de quem lá estava, desafio superado.
Nada de preocupações.
Estou bem, nada que uma boa noite de sono não cure.
Ou duas horas.
Ou meia hora.
Ou ZZzzzzzzzzzzzzzz.......

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tu sabes quem eu sou...

Para ti, meu pequeno, que sabes o que sinto sem perguntar. Estamos juntos neste caminho, neste mundo tolo e injusto e assim continuaremos, sempre. E que importa se o mundo não nos compreende?


U know who I am
"Yeah, I've walked through dangers
I've talked to strangers
But they didn't, they didn't understand
When the world seems senseless
It's me and you against them
And I love you 'cause you know who I am
All you dreamers keep dreaming
And let those dreams rise into the light
Go find someone who loves you
To live those dreams through
Don't you go get swallowed by the night
I've walked the stages
I've read the pages
And never, never reached the end
All the world seems senseless
You're here with me against them
And I love you 'cause you know who I am
Deep inside every soul
There's a sadness on the verge of climbing through
Now don't you try and fix it
Why would you do that?
How beautiful when sadness turns to songs
And I'll walk through dangers
I'll dance with strangers
But they will never understand
We'll never be defenseless
We'll win this war against them
Don't you doubt this, yeah I'm sure we can
And who cares if they never understand
And I love you 'cause you know who I am"
David Fonseca

Sempre. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

4 anos!!!!

Tenho 3 ou 4 posts meio feitos... mas hoje vou voltar a deixá-los de lado.

O meu Diogo faz hoje 4 anos! 

Já mal me lembro das 14 horas em trabalho de parto, das "dúzias" de pessoas que me avaliaram a dilatação e fizeram pensar que nunca mais voltaria à forma original, das caras de susto dos obstetras quando viram que ele não saía, dos fórceps, do pânico que senti porque não mo mostraram quando ele nasceu e o levaram para a sala ao lado (porque estavam mais preocupados comigo)...

Lembro-me sim, do cheiro do pequeno quando chegou ao meu colo, do ar de êxtase do pai, do tamanho dos dedos (e das unhas!!!), da primeira vez que mamou, dos avós que voaram para a maternidade, do meu pai encostado à parede a chorar enquanto olhava para o neto pela primeira vez, da fila de gente que se juntou no dia a seguir, do jogo da Académica com o Benfica que eu espreitei da janela do quarto (Académica 1 - 3 Benfica), de ter medo de ir à casa de banho (dentro do quarto) para não o deixar sozinho...

Sei que não tem sido fácil aturar-me, filho. A mãe está sempre em stress e exige-te coisas que tu não consegues fazer (ainda). Acredita que és tudo o que sempre desejei, e que vou estar sempre aqui para ti.
O amor que sinto por ti cresce todos os dias e não vai desaparecer nunca. És o meu Diogo, o meu pirulito, o tiroliro, a minha peste... Parabéns, amor!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O lado positivo da coisa...

"Tens que ver o lado positivo da coisa!"...

Começo a ficar um bocadinho farta de ouvir isto... e confesso que não tenho metade da graciosidade de algumas pessoas que, ao ouvir algo parecido na pior altura das suas vidas, sorriem e ignoram. (beijos, amiga). Admiro quem é capaz de engolir uma resposta torta, mesmo que isso as deixe com a cara no chão.

Caraças, mas que raio é que as pessoas quando não sabem o que dizer, não mordem a língua e se calam?
"Ah, não fala? Tens que ver o lado positivo da coisa! Há sempre quem esteja pior!"
"Não brinca com outras crianças? Tens que ver o lado positivo da coisa! Pelo menos come bem, o meu é um stress para comer!"
"Podia ser pior! Tens que ver o lado positivo da coisa! Pelo menos não se apercebe que é diferente!"

grunf...

Não estou com isto a insinuar que toda a desgraça do mundo se abateu sobre mim. Nop. Eu sei bem que há pessoas que estão muito pior do que eu e estou sempre disposta a ouvir e a dar um abraço ou uma palavra de conforto.
Não estou a menosprezar a dor que as outras pessoas sentem com as suas próprias desgraças. Nop. Há dias em que basta que a impressora encrave para desencadear o Apocalipse, ou que o telemóvel fique sem bateria para que um portal do Inferno se abra e sugue toda a boa energia que ainda resta.

Apenas gostava que as pessoas entendessem isto: cada um tem as suas próprias desventuras, as suas próprias desgraças. Cada um tem o direito de se sentir frustrado e desanimado com a sua própria vida. Eu entendo, a sério que entendo.
O que eu queria era que deixassem de menosprezar os meus problemas, da mesma maneira que eu não menosprezo os problemas dos outros (ou pelo menos tento). Se para alguém partir uma unha é a desgraça total, eu não vou dizer que há quem não tenha dedos!!!! Posso pensar, mas não digo...

Às vezes, a única coisa que faz falta é um olhar compreensivo, ou alguém que nos faça rir.
Um abraço e um pastel de nata.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Era das tecnologias: parte II

A pedido de numerosas famílias e como prometido, aqui vai uma pequena lista de sites com materiais que podem ser utilizados com os pequenos (com ou sem dificuldades!)

Jogos para download:
video


Jogos online:

Sempre que encontre algo que mereça divulgação, aviso!

Só uma nota: fazer donwloads é ilegal. Certo. Experimentem baixar o preço das coisas, pode ser que as pessoas passem a comprar...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Era das tecnologias...

É oficial! O meu filho não liga nenhuma a canetas de feltro, lápis de pintar ou de cera... NAAA! Faz um ou outro risco só para não ter que nos ouvir e deixa os materiais sem lhes ligar nenhuma... É mais uma frustração a juntar a tantas outras, já que todos os dias lá são expostos os trabalhinhos dos coleguinhas e dele, nada (ou uma riscalhada qualquer quando está inspirado!). Ainda pensei que, gostando tanto de letras e números, fosse fácil motivá-lo para a escrita, mas não, não interessa em absoluto.

Agora, se a riscalhada for feita em computador... a coisa muda de figura! Há uns meses que reparei que a terapeuta da fala usava um iPad e que ele gostava de ver as animações e os sons... escusado será dizer que não descansei enquanto não arranjei uma coisa parecida:
Não é um tablet, é um pequeno computador touchscreen. Tem 320 Gb de disco (contra os máximos 64 Gb do Apple), 3 Gb de RAM e corre com o Windows 7, ou seja, faz tudo o que um computador faz. O meu puto A-D-O-R-A! É certo que o iPad tem vantagens, porque utiliza o Android como sistema operativo e as aplicações existentes no mercado são de grande qualidade e interesse (especialmente para quem tem miúdos com dificuldades), mas estou imensamente satisfeita com a nova aquisição (apesar de ter ardido o subsídio de férias, provavelmente o último que receberei na vida...).
O que eu uso com ele: 
  • PowerPoints feitos por nós: animais, objectos, transportes, números, letras... tudo o que eu me lembre que possa servir para aumentar o seu vocabulário.
  • Alguns jogos que "encontrei" na net e que acho que são simples e eficazes, com animações e sons que estimulam a sua atenção e concentração (MerryMotors, Fishdom, Crazy Birds, entre muiitooossss outros....)
  • Jogos online: Chamo a atenção para o Mundo do Pocoyo! Bem, quem ainda não foi com os miúdos a este site, está na hora de perder umas horitas... registem-se na versão gratuita e deliciem-se (sim, os pais também!) com  as dezenas de jogos, filmes, histórias e maravilhas do Pocoyo! Muito fácil e com jogos fantásticos (entre eles identificar os animais pelo som e reciclagem !). Qual Farmville, qual carapuça!!!!
  • e a novidade: BlueStacks! um aplicativo que permitirá (ainda em fase de testes) correr as maravilhosas aplicações para Android num vulgar computador com Windows. Experimentei e estou convencida! O problema é que como ainda está em fase alfa, há poucas aplicações disponíveis mas algumas delas são bastante apelativas. O Diogo adora o "Kids connect the dots", onde ele toca nos números e vão aparecendo as imagens.
Vou fazer uma compilação de sites com conteúdos que possam ajudar pais e filhos a entrar nesta nova era... em que rato, é um animal que gosta de queijo




AH! Escusado será dizer que para o Diogo tudo é touchscreen  cá em  casa agora: os telemóveis, a televisão, o pc do pai, os livros, a porta do frigorífico... :)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Estamos a crescer!

Sim, eu também... para os lados... grunf.

Mas quem está a crescer mesmo é o puto cá de casa.

Orgulho-me de anunciar que, finalmente, a Dona Chucha foi dispensada das suas funções! 

Desde sábado que a sua presença não se faz notar nem cá em casa nem no infantário (apesar de pontualmente ainda se questionar o seu paradeiro).
Apenas uma batalha ganha, mas que dá novo alento à guerra! Venha a próxima!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

E quem é verdadeiramente feliz?

A vida corre... tens um emprego (reles, mas emprego!), casa, carro, marido e filho. O €€€ não abunda mas resolve, és saudável apesar de usares emplastros (1) para as dores das costas.
Os dias sucedem-se.
E de repente dás contigo a pensar? - "Se tenho tudo, porque não sou feliz?"
Sim, claro, às vezes estás bem. E andas tão cansada que não tens tempo para sequer pensar, quanto mais para crises existenciais. Mas há dias... em que tudo vem ao chão! Ou porque o marido telefona a dizer que afinal não vai almoçar (e tu só passaste 2 horas de volta do fogão!), ou porque o puto só grita e tu já não suportas os gritos, ou porque queres dormir e não consegues...
Bem...! O que eu gostava de dizer que dormi uma noite inteira! Sem pesadelos, sem insónias, sem cotoveladas...
Como eu gostava de ter um botão on/off. Era tão mais simples não era?
- Birras: OFF
- Ordenado de m***a: OFF
- Contas para pagar: OFF
- Sensação constante de que sou má mãe:  OFF
- O miúdo não é igual aos outros: OFF, OFF, OFF, OFF...


Enfim...
Pelo menos, ainda tenho a dor nas costas. Lembra-me que o que dói, existe. Se não doesse, se não custasse, não era verdadeiro. Não acredito que aquelas pessoas ditas "normais" que passeiam na rua com os filhos perfeitos sejam felizes. Ná! Alguma coisa não deve ser absolutamente perfeita nas vidas delas, elas é que conseguem disfarçar bem.
Resumindo: eu não queria, mas às tantas lá vou voltar aos benditos comprimidos da felicidade. Pelo menos a vida parece ser mais leve e já volto a escrever aqui o quanto eu sou feliz por ter um filho diferente de todas as outra crianças.

PS: As saudades que eu tenho da minha Luna...








(1)Emplastro ou emplasto é uma forma de medicação transdérmica caracterizada pela colocação sobre a pele de alguma substância sólida quente com o intuito de esquentar e/ou amolecer os tecidos, acelerando o processo de cura. Também é conhecido por compressa ou cataplasma.                in http://pt.wikipedia.org/wiki/Emplastro

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

2 seguidas!

Não, suas mentes perversas! Nada disso!!!   :)

Em 9 meses, hoje foi a segunda vez (em dois dias!!!) que o Diogo não chorou quando chegou ao infantário.
E isso fez-me bem! Gostei! É uma sensação tão estranha, vê-lo entrar pelo pé dele na escolinha, sem birras, sem gritos... foi direitinho para onde o mandaram e começou a correr, com um sorriso maravilhoso! Saí dali com um ânimo que já não sentia há uns tempos... Deu para esquecer o cansaço e as neuras. Quem sabe a minha sorte não muda finalmente?


Afinal, um pouco de normalidade nunca fez mal a ninguém, pois não?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sem desculpas...

Ah pois é!
O ano lectivo acabou e com ele o meu belíssimo contrato de trabalho. Grunf....
Lá se vai a desculpa de ter trabalho para não arrumar a casa ou passar a ferro... Sim, porque entretanto, também mudei de casa! Entre caixotes e sacos, lá fui escondendo a telha de não ter emprego e consequentemente, não ter ordenado para pagar as despesas no fim do mês.
Durante estes dias andei tão ocupada comigo mesma que me esqueci de stressar com o Di, porque faz ou não faz isto ou aquilo... Andei a passo de corrida, para arrumar tudo e esconder a frustração. Agora ele não quer, exige atenção, com birras monstruosas que me tiram do sério e só me apetece acertar-lhe o passo com 3 palmadas naquele traseiro!!!!! Grita por tudo e por nada, atira-se ao chão, bate com os pés... em casa, na escola, na rua... Até fez progressos, em termos de vocabulário! Mas parece que regrediu em tudo o resto, parece que está pior do que estava há 6 meses...


Estou cansada...
Estou farta...
Estou desanimada e desiludida... Comigo e com o mundo.
Só queria... sei lá o que é que queria!
Só queria não ter inveja... (sim, porque eu também admito ter inveja!)

Lá chegarei, quem sabe... um dia...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Porque há sempre alguém que nos anima...

 Acabadinho de receber, achei bem partilhar aqui...

"Às vezes há coisas que nos transcendem e são convenientes o suficiente para se apoderarem de nós, mesmo que tenhamos deixado uma passagem oculta por muito tempo. 
Fazem-no sem deixar recado, num limitado espaço de tempo, com o coração nas mãos e uma lágrima no canto do olho. 
Há coisas que aparecem quando as mãos se recusam a receber e no momento em que menos dávamos por elas, que acordam uma parte de nós e a aquecem de forma única. 
Há coisas que crescem mesmo em dias chuvosos, que procuram o sol, mesmo que tudo em volta esteja contra. 
Há coisas que nos dão permissão a um sorriso que guardávamos para a sua chegada. 
Há coisas que simplesmente são coisas nada simples."

Tinhas razão... 
Obrigada, Ziza!
Bj

domingo, 17 de julho de 2011

Nobody said it was easy...

Não está fácil.
Estou farta de tudo: dos gritos, da falta de evolução do puto, dos olhares de pena, da falta de compreensão, da instabilidade profissional (e financeira!), de ouvir que "se dependesse de mim", da incerteza, de não ter um cantinho meu onde eu me possa esconder do mundo...
Eu só queria ter certeza.
Certeza que o futuro não é tão negro como agora o imagino, que o que sinto não passa despercebido e que um dia vou poder respirar tranquilamente e finalmente, quem sabe, ser feliz.



Bolas! Ninguém disse que era fácil... mas também ninguém disse que ia ser tão difícil...

Nobody said it was easy... No one ever said it would be this hard...

sábado, 25 de junho de 2011

Você é especial...

O Diogo adora música.
E bonecada.
E se a música tiver bonecada, perfeito! É por isso que pai e mãe, sempre que podem, lá vasculham a internet à procura de algo que entretenha o pequeno príncipe... é um não acabar de DVDs compilados que tocam uns a seguir aos outros. E quando estamos fora de casa e não há DVD? Não há problema!!! O pai e a mãe têm o telemóvel carregado com estas pequenas preciosidades, que servem para distrair o garoto onde quer que seja necessário.
Temos de tudo: lengalengas da Rua Sésamo (lembram-se?), a música do Ruca, Galinha Pintadinha e até Quim Barreiros! E lá no meio, uma das interpretes favoritas do Diogo (e do pai,que a miúda é gira!!): uma brasileira que canta canções dignas de ser ouvidas em qualquer catequese do mundo sem ferir ninguém - Aline Barros.
E não é que o garoto até já consegue cantar algumas das musicas? Em Dioguês, mas consegue.
Farta de as ouvir, já nem ligo à letra... mas de repente, apercebi-me desta:

Você é especial


"Você é especial, não existe outro igual
Deus criou você assim, diferente de mim (2 vezes)

O seu cabelo, a cor da sua pele, o tamanho do pé
Altura, peso, medidas, braço, perna e barriga
Bem assim como é...

Você foi criado, foi separado
Pra servir a Deus do jeito que você é...
Insubstituível. Você é incrível! Só precisa Ter fé.
Por isso, um apelido não será ouvido se ele for uma gozação,
Mas será atendido se for um carinho do seu coração

Você é especial, não existe outro igual
Deus criou você assim, diferente de mim (2 vezes)

O seu nariz, boca, sobrancelha, queixo, testa e orelha
A cor dos seus olhos, Ele não ensaiou, tudo fez de primeira."


Não sou daquelas pessoas que apregoam religião, acredito no que acredito e respeito as crenças dos outros. No entanto, esta letra... parece que foi feita de encomenda para o Diogo! Ele é especial, não há outro igual, é incrível, só precisa que tenham fé nele...

domingo, 12 de junho de 2011

QUERO!

Cá em casa há uma palavra que ecoa em todas divisões onde o pequeno Diogo se encontra: QUERO!
 Desde que, há algumas semanas, aprendeu que QUERO é um meio para chegar a um fim, é largamente utilizado em todos os contextos!
Exagero? Então cá vai...
  • QUERO água. QUERO pão. QUERO bolachas. QUERO a chucha. QUERO banana. QUERO batata. QUERO a bola. QUERO rua. QUERO arroz. E QUERO  mais uma infindável quantidade de coisas... Até aqui, tudo bem.
  • QUERO pai. QUERO mãe. QUERO colito da mãe. (esta derrete-me toda...). Fantástico!
  • e depois começa: QUERO anda, QUERO deita, QUERO senta.

Ah, pois é! O QUERO é versátil, para além de os outros entenderem quais as suas exigências a nível material e afectivo, também serve para o rei da casa ordenar aos seus súbditos leais que façam as mais diversas macacadas, conforme o gosto de sua Exª.
É lógico que estou a adorar cada QUERO ... mesmo quando o QUERO culmina com uma daquelas birras porque o desejo não foi satisfeito em 3 segundos, como o esperado. Deixa-te crescer, puto... para veres quem manda depois!!!! :)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Então e uma mana para o Diogo???

Afinal, é mal geral!
E não estou a falar das viroses nem da falta de dinheiro generalizada! Estou mesmo a falar daquelas pessoas sempre bem intencionadas que dizem "Então e quando é que vem a mana para o Diogo? Já lhe está a fazer falta! Olha que depois já não és mãe, és avó!!!" Pensei que era só eu que ouvia estas pérolas de conhecimento, mas nos últimos tempos tenho reparado que mais pessoas sofrem do mesmo "encosto": gente que não tem nada a ver com o assunto mas continua a teimar em meter o bedelho onde não é chamada! IRRA!!! Ás vezes só me apetece perder  o pouco de simpatia que me resta e mandar... dar uma volta!

Vamos lá a ver se a gente se entende: eu não tenho condições psicológicas para ter outro filho. Não há nada que me desse mais prazer do que voltar a sentir crescer uma criança dentro de mim... mas passaria o tempo todo a pensar "Será que está bem? Como será que o Diogo vai reagir? Já passo tão pouco tempo com o meu filho, como vai ser agora? E pior... "Será que vai ser diferente como o Diogo?".
Não tenho condições financeiras e muito menos físicas!!! Ou será que tenho que andar com um cartaz nas costas a dizer "Estou a Antidepressivos - não posso engravidar!"
Talvez seja por isso que me revolto mesmo quando a conversa não é comigo, mas com a amiga que vai comigo "Não achas que já está na hora?"... quando eu sei o quanto isto angustia ainda mais quem quer e não consegue. Caramba! Já chega! No meio da barriga todos têm um buraco: o umbigo! Concentrem-se nele e deixem de dar palpites na vida dos outros!

E agora que já fui mázinha, e que me sinto bastante melhor com isso, muito obrigada pela preocupação. Quando e se decidir engravidar novamente, todos serão devidamente informados.
Até lá, agradeço que pensem antes de voltar a dar palpites... quer a mim ou a outra pessoa qualquer... é que às vezes só não são mandadas para um sitio esquisito por delicadeza e boa educação! Mas esta esgota-se...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bons pais, maus pais...

Não posso dizer que esteja numa das melhores fases da minha vida: parece que tudo encrava, tudo avaria, tudo se confunde... aquilo que era o mais certo de tudo acaba por ser a maior dúvida de todas, a paz que procuro parece cada vez mais distante.
Dou comigo a  pensar se tudo o que tenho feito pelo Diogo... será suficiente ou exagero? Estarei a esquecer-me de alguma coisa ou estou a fazer mais do que devia? Qual é a diferença entre ser uma mãe atenta às necessidades do filho e uma mãe neurótica sedenta de diagnósticos e terapias?

Quem é que me sabe dizer onde acaba a boa mãe e começa a má mãe? E onde é que eu aprendo a fazer essa distinção? É que se torna muito complicado! Por exemplo:
  • Terapia de fala: Sim ou não? Se sim, porquê? E se não, porquê? Até acho que possa fazer diferença em miúdos com problemas de linguagem, mas e quando não há linguagem? A terapia ensina a falar ou corrige erros existentes? Justifica o stress do garoto e o stress da mãe?
  • Desfralde: agora ou esperar até ele decidir que está pronto? Sou má mãe por querer que ele seja mais independente ou por insistir em que ele faça qualquer coisa que o deixa enervado? Ou serei melhor mãe se o deixar andar com fraldas até aos 18 anos?
  • 3ª, 4ª e 5ª opinião médica: arriscar ouvir outro diagnóstico disparatado? Ou medo de arriscar ouvir o bom diagnóstico porque tanto anseio?
  • podia estar todo o dia nisto... grunf.
Não sei.
E por aquilo que tenho ouvido, ninguém sabe. Instinto, alguém me disse. "O teu coração de mãe sabe o que fazer".
Pois. É mesmo isso. Tal e qual...

E estar vivo é o contrário de estar morto. Dah.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Apesar de tudo...

Finalmente, férias! Quer dizer, "interrupção lectiva"... Tanto ansiei por uns dias de descanso que finalmente chegaram! E o que acontece?? An? Chove a potes, pois claro! Like cats and dogs....

Como se não bastasse, o carro decidiu que precisava de férias (sim, porque os carros podem ter férias, os professores não!)... no mecânico.
A venda da casa que estava "enguiçada" parecia ter "desenguiçado"... mas não! Afinal faz falta mais um quarto! Grunf...
"É desta que eu durmo umas sestas", pensei eu. Pois. O puto decidiu trocar os sonos... vá lá, hoje até dorme!

Daqui a pouco o puto acorda. Depois vai trepar pelas paredes por estar farto de estar em casa. "Podiamos ir jantar fora... mas espera, não temos carro! Tá bem, faz-se qualquer coisa. Ops, estamos quase sem fruta e o frigorífico está quase vazio. Hum. Ok. Batido de atum pa toda a gente". Mentira, é só humor de chuva.

Apesar de tudo, estou bem. O meu pequeno portou-se maravilhosamente nos dias em que fomos aos avós. Sem (grandes) birras, sempre bem disposto e simpático. E quando queria ir para a rua, dizia "Abe a póta!". Em três palavras: Deli-ci-oso. 

E agora que o fui adormecer dou comigo a sorrir enquanto olho para ele... sabem como faz um cachorrito para dormir? Voltas e voltas e voltas... assim estava o Diogo, com os pés na cara da mãe, agarrado à fralda e à chucha, entoando aquela resmunguice de sono que só os bebés sabem fazer. Naquele momento esqueci a chuva, o carro e tudo o resto.
Apesar de tudo, sou feliz.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tem dias...

Há dias em que tudo corre mal. Outros em que pensas que podia ter corrido pior. Mas depois há aqueles que são normais, ou seja, bom ou mau, tudo corre da mesma maneira que nos outros dias normais. E estes dias normais são aqueles que passam sempre da mesma maneira, com a mesma rotina e as mesmas conversas com as mesmas pessoas. O problema, é que chega a uma altura em que os dias normais deixam de ter importância... são só uma formalidade para chegar ao dia seguinte... Não há entusiasmo nem expectativas, apenas aquela rotina enfadonha de acordar, vestir, acordar o puto e vesti-lo, tentar que coma qualquer coisa e levá-lo ao infantário, esperar que o dia passe, ir buscar o puto, brincar, banho, jantar e birra para ir para a cama.

Mas, quando menos esperas, ouves algo.

E no teu cérebro até aqui em piloto-automático, acende-se uma luzinha... será que ouvi bem? Não pode ser, naaaa...
E voltas a ouvir o mesmo... será? Corres para confirmar, o coração acelerado e os olhos ansiosos...
E lá está ele, o rei da casa, sentado a brincar. E quando te vê pergunta: "Onde está o ii? Mãe, onde está o ii?"... é que a palavra PAI não se escreve sem i, claro! Humm... este afinal não era um dia normal! Parecia, mas não era!

Mais tarde, depois do banho, alguém se escondeu atrás da toalha... "Onde está o Diogo? Não está cá!" para logo de seguida aparecer e dizer "Está aqui!"

Aprendi sobre os dias normais... às vezes há uma pequena alegria lá escondida, só é preciso saber esperar que ela venha e transforme o dia em algo... simples e sublime...

domingo, 3 de abril de 2011

Algo tão simples...

Ontem tivemos visitas... inesperadas mas muito bem vindas! Entre elas, uma pequena princesa de 6 anos, com um sorriso aberto e sincero e uma energia contagiante! Entre risos, gritinhos e correrias, eis que damos com o nosso Diogo a ser perseguido por ela (a sua brincadeira predilecta!) e de repente... ela diz "agora és tu!" e foge. O espanto embaciou-me os olhos e deixei transbordar a minha alegria (e o meu espanto!) quando vejo o Diogo, aquele mesmo menino adorado que não interage com crianças da idade dele e prefere adultos a correr atrás da menina com uma gargalhada deliciosa! Em 3 anos, 4 meses, 1 semana e 2 dias foi a primeira vez que vi o meu filho a interagir com outra criança. No infantário, segundo me dizem, ele não brinca com os outros meninos, só se for para lhe tirar os lápis de cor...
Cinco minutos depois somos chamados ao escritório, onde estão os dois sentados a desenhar, muito calmamente a partilhar os lápis, como se o fizessem todos os dias... ninguém diria que se conheceram apenas 2 ou 3 horas antes...

Algo tão simples... que me deixou tão feliz. Afinal, nada acontece por acaso, não é?
Obrigada amiga: por tudo.

domingo, 27 de março de 2011

Bem vinda à Holanda!

É engraçado como conseguimos tocar no coração das pessoas... especialmente aquelas que não conhecemos pessoalmente mas com quem nos identificamos desde logo. Do Brasil, recebi o seguinte texto (obrigada, Cleide):

"Quando você está para ter um bebé, é como planear uma fabulosa viagem de férias à Itália. Você compra um guia de viagem e faz planos maravilhosos. O Coliseu, o David de Miguel Ângelo, as gôndolas em Veneza. Você aprende algumas frases acessíveis em italiano. É tudo muito emocionante! Após meses esperando ansiosamente, o dia chega finalmente. Você faz as malas e vai. Muitas horas depois, o avião aterra. O comissário de bordo entra e diz: Bem-vindos à Holanda !!!!!! Você disse Holanda, o que significa bem-vindo à Holanda? Eu comprei uma passagem para a Itália! Eu só posso imaginar que estou na Itália. Toda a minha vida eu sonhei em ir para a Itália! " Mas é que houve uma mudança no curso do voo". Chegamos na Holanda e aqui você deverá permanecer. A coisa mais importante é que não te levaram para um lugar horrível, repugnante, sujo e cheio de doenças. É apenas um lugar diferente. Assim você deve ir comprar novos guias de viagem. Você deve aprender uma língua inteiramente nova. Você vai encontrar-se com novos grupos de pessoas inteiramente novos que você nunca pensou em encontrar. É apenas um lugar diferente. O progresso é mais lento do que na Itália, menos ofuscante do que a Itália. Mas depois você olha em torno, trava a respiração e começa a observar que a Holanda tem moinhos de vento, a Holanda tem tulipas, a Holanda tem até mesmo Rembrants. Mas todo mundo que você conhece está ocupado indo e vindo da Itália e se vangloriam sobre o tempo maravilhoso que eles tiveram lá. E para o resto de sua vida, você dirá, "sim é onde eu sonhei ir, o lugar que eu tinha sonhado em ir". E a dor daquela vontade você nunca perde, você sente sempre, porque a perda desse sonho é uma perda muito significativa. Mas se você passar a sua vida inteira lamentando o fato de que você não foi a Itália, você nunca estará livre para apreciar as coisas especiais e encantadoras da Holanda!!!"

É isso mesmo! Tudo aquilo que eu não consigo expressar, toda a frustração e revolta que sinto cá dentro: EU ESTOU NA HOLANDA! Quando tudo o que eu sonhei e ansiei durante tanto tempo está longe, em Itália...
E agora, depois de ter criado este blogue e de receber tanto carinho (por mensagem, por abraço ou simplesmente por aquele olhar que nos dá força), sinto que estou pronta para explorar a Holanda! Tudo bem, vou ter sempre a mágoa de não ser Itália, mas um dia vou poder dizer que eu adoro tudo o que a Holanda me dá! Porque apesar de tudo, a minha Holanda faz-me muito feliz...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Autismo ou coisa parecida? Ou não?

Prometi à minha amiga Raquel e a mim própria que não voltava a pesquisar na net sobre autismo e afins. Para quem já tem o bichinho atrás da orelha, é meio caminho andado para ver sinais disto ou daquilo em todo o lado... Ora, estando eu medicada e muito mais calma em relação ao garoto, eis que dou por mim em plana autoestrada da informação em busca de sinais de Asperger e outros que tais. Não fiz por mal... O que é certo é que não o devia ter feito!!! Já vejo autismo em todo o lado outra vez... mas desta vez consigo ver mais do que isso: vejo o contrário de autismo também! Todos os locais por onde andei referem o mesmo:
- Asperger's não têm atraso de linguagem;
- Autistas têm dificuldade em manter contacto ocular;
- Têm uma grande dificuldade em interpretar expressões faciais;
- Não procuram conforto frequentemente;
- Preferem o sossego de um canto em relação à agitação da multidão.

Também é verdade que encontrei muito mais características onde enquadro o Diogo, certo. Ele apresenta muitos dos sinais de alarme... mas também faz coisas que meninos muito mais velhos não fazem (contar ou identificar letras).É certo que a linguagem só agora está a começar a crescer, mas... ele olha-me sempre nos olhos, especialmente quando quer brincadeira! Ele sabe perfeitamente quando eu estou zangada com ele, basta olhar para a minha cara e também sabe quando estou pronta para brincar com ele! Passa o tempo a brincar mas de vez em quando vem ter comigo ou com o pai (ou com qualquer pessoa que esteja a jeito: no outro dia foi o funcionário da TMN!) e diz "Colo" ou "Colito" (esta derrete-me) e ajeita-se durante um minuto ou dois no nosso colo, como se fizesse parte dele, como uma peça de encaixe... e depois volta alegremente para o que estava a fazer. É certo que não gosta de muito barulho, mas no recreio não o vejo encolhido num canto! Não, anda a correr no meio dos outros, por vezes sujeito a encontrões no meio da correria... certo que não brinca com os outros meninos, mas também não foge!
E agora pergunto: como é que é possível alguém chegar a um diagnóstico disto ou daquilo se cada miúdo é um miúdo? Não há dois iguais e cada caso é um caso! E como é que é suposto, nós pais, vivermos num conjunto crescente de incertezas? Como é que se vive com isto? Já sei que estou a ser parva: há no Mundo milhares de pessoas que desejariam estar no meu lugar, com um filho diferente em vez de um filho doente (e desculpa I. se leres isto, o teu sofrimento não se compara a nada disto e nem é minha intenção comparar) mas não o consigo evitar...

O meu medo continua a ser o mesmo: sofrer todos os dias por algo que não sei como vai evoluir, medo de não fazer o suficiente ou de estar a fazer de mais, presa por ter cão e presa por não ter...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Para a minha cara-metade

Na vida tudo muda, bom ou mau. Quando decidimos ter um filho (por volta da 1 da manhã do dia 1 de Janeiro de 2007) nunca imaginámos o quanto a nossa vida iria mudar. Acabaram-se as férias de tenda de campismo no carro, a parar onde nos desse na real gana. Acabaram as sessões de cinema no sofá até doer o traseiro (a saga da Guerra das Estrelas toda seguida!) e as idas ao cinema. Nunca mais voltámos ao campo à procura de fósseis ou fotografar as nossas adoradas orquídeas. Acabou a manhã na cama, só porque nos apetecia.
Agora somos 3: temos horários, (especialmente de manhã), os filmes da tv são principalmente desenhos animados, passeios no campo só se for a correr atrás do pequeno, férias são mentira porque não há dinheiro e o garoto não reage bem a "mudanças de rotina"...
Não temos tempo para nada, andamos sempre a correr e em stress: ou é o frio, ou é o calor, ou é o lanche, ou é a birra... Não temos tempo um para o outro e às vezes nem vontade (falo por mim, eu sei que tens sempre vontade!). Mas acredita amor, que apesar de todo este tormento que tem sido a nossa vida nos últimos tempos, não mudava nada na vida que construímos a dois. Temos um filho lindo, que nos dá cabelos brancos e tímpanos novos todos os dias, mas que eu amo profundamente, apesar de às vezes não parecer...
Tem calma comigo e com ele. Obrigada pelo carinho que tantas vezes não sei como retribuir, obrigada por me mandares arejar quando me vês triste, obrigada por dormires com ele quando vês que me doem as costas, obrigada por estares aqui... e desculpa, pela falta de jeito e de não te tratar como mereces.
És tu que mantens colados os pedaços que teimam em partir em mim...
LU
bj

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dias menos bons

Todos temos dias menos bons... aqueles que nos fazem desejar não ter saído da cama. Pois comigo é diferente: eu tenho semanas menos boas. Sim, é verdade... esta ultima semana foi das piores da minha vida! E não, não estou a exagerar...
Poupei o meu Diogo (e a mim também) de um desfile de Carnaval frio, para evitar que ficasse doente... pois bem: o sacana do puto gripou em casa!
E tal como qualquer criança com nariz entupido, só quer colinho e mimo. E também como em qualquer criança (ou adulto!), a gripe vem acompanhada daquela terrível dose de MAU-FEITIO!!! O garoto gritou até ficar sem fôlego, dias a fio... bateu no pai, arranhou e esbofeteou a mãe e como se não bastasse, gritou ainda mais. Frustrado por ter o nariz entupido, gritou incansavelmente dia e noite, como se estivesse possuído com algum espírito do mal, não reconhecendo as duas alminhas que apesar das bofetadas continuavam a tentar dar-lhe colo e conforto.
Sim, não estou com vontade de ser boazinha hoje... Porque ser mãe não deve ser só reconhecer quando os nossos filhos se portam bem! Também é ser mãe admitir que às vezes eles nos deixam completamente loucos, quase a imaginar uma cena de Homer-Bart Simpson...
Cheguei a pensar que a medicação não estava a fazer efeito: que raio de antidepressivo me deixa ter vontade de bater no garoto quando ele está doente? Admito que a falta de horas de sono possa contribuir para este meu espírito "alegre" de hoje...E se ele fosse igual aos outros meninos, seria diferente? Sei lá...
Hoje já não tem febre e a tosse está a diminuir. Continua com o nariz entupido mas está bem disposto e dormiu 3 horas de sesta... Também a semana está a chegar ao fim, mal seria que continuasse...
Por via das duvidas, vou às páginas amarelas. Ao telefone da pediatra quero juntar o telefone de um exorcista... nunca se sabe!!!

 Enfim... Desculpem o desabafo...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Carnaval...

Confesso que gostei do Carnaval... até ao 1º ciclo, talvez. Lembro-me de vestir um fato de macaco velho do meu pai e pintar uns bigodes na cara: foi o ponto alto do Carnaval para mim. Isso e vestir uma saia ao meu irmão de 2 anos... mas essa parte não correu muito bem, porque toda a gente pensava que era mesmo uma menina! Grunf... pelo menos serve para me rir quando vejo as fotos.
A partir dessa altura, o Carnaval continuou a ser "fixe": mini-férias! Fujo dos cortejos carnavalescos como posso e não entendo (mas respeito!) que haja uma corrida aos narizes falsos e às perucas fluorescentes nesta altura. Ah! E odeiooooooo as famosas partidas: "É Carnaval, ninguém leva a mal!!!!". Dah.
Cheguei a pensar que um dia, quem sabe, quando tiver filhos, talvez volte a achar piada à ocasião. Mas parece que continua tudo na mesma...
Amanhã há desfile de Carnaval em Castelo Branco e à semelhança de anos anteriores, lá vão as criancinhas do primeiro ciclo e infantários desfilar na rua. No ano passado havia uma tonalidade comum: o azul-arroxeado... sim, era a cor dos pobres pequenos, obrigados a desfilar perante um cenário de temperaturas quase negativas. Este ano o infantário do Diogo decidiu participar com o tema "Estações do Ano", e o meu piolho iria de Inverno.
Mas quando saí de casa hoje de manhã e o carro marcava 5ºC comecei a pensar: "às tantas deixo-o em casa, poupo-o à gripe certa. Mas não, porque ele depois tem pena de não ir com os coleguinhas...". E fez-se luz numa mente confusa: mas quem é que eu quero enganar? O miúdo não liga nenhuma a estas coisas! Ia ser um stress para ele (pela confusão), para quem fosse com ele (tinha que ser uma  pessoa só para ele) e para mim! Eu estaria o tempo todo a pensar na gritaria que ele poderia (ou estaria a) fazer e na maneira como as pessoas iam olhar para ele... e sim, eu vejo desses olhares muitas vezes, vezes de mais!!!! Aquele olhar cruel que parece que nunca viu um menino diferente e que fica gravado no coração magoado de uma mãe. O combinado era: ele vai no desfile com os colegas e no momento em que ele se "fartar", a educadora fazia sinal e nós ficávamos com ele enquanto o desfile continuava... humm, vou pensar no assunto. Se eu visse que ele gostava ou que ficava entusiasmado por ver os colegas mascarados, iria aos desfiles todos que ele quisesse, mas... é o Diogo, o Diogo das letras e dos números, a quem tanto faz estar vestido de azul ou amarelo.
Resumindo: O Carnaval é uma altura festiva, onde as pessoas se divertem por andar (mais) mascaradas e por poderem fazer disparates quase sem lei. Para mim, continua a ser aquela altura maravilhosa em que tenho três dias de férias...

terça-feira, 1 de março de 2011

O rótulo...

Hoje em dia todos temos que ter um rótulo: a depressiva, a divorciada, a maluca, a hipocondríaca, a da mini-saia, a autista... Parece que há uma corrida ao rótulo: se não tiver um, não pode ser integrada na sociedade, ou a sua vida não estará completa.
Não sou contra os rótulos... já dei comigo a pensar "Xiii, tenho que ir aturar aquela chata", ou "lá vem o convencido que fala pelos calcanhares". Aposto que também devo ter alguns, e se bem me conheço não devem ser todos muito simpáticos... mas consigo viver com isso.

Agora o que me chateia a sério é quando o rótulo "cola"... do género "a fulana que fugiu de casa dos pais" quando isso já aconteceu há 10 anos. Pronto, na altura até dá jeito para saber de quem se trata, como quando a minha mãe explica "é a filha da irmã da d.Rosa, que tinha o café e que é prima daquele rapaz que andou com o teu irmão na catequese"... pois, sei lá! Ou "É aquela que fugiu de casa dos pais porque não a deixavam namorar"! Ah, ok, já sei...

Mas quando este rótulo é aplicado a uma criança pequena, e a cola utilizada é aquela que uma gota em cada sapato cola o fulano ao tecto... Chateia-me, pronto! Eu sei lá se os rótulos que estão a tentar colar ao meu filho não são daqueles que não conseguimos tirar, nem com álcool etílico a 96% vol? Ou então, são daqueles que passados uma semana já não se lê nada e temos que colocar outro rótulo? Que ainda por cima já não é igual ao original!! Sim, porque aposto que nesta coisa de rótulos, quando se troca ou reavalia o assunto, descobre-se qualquer coisa nova que deve ser acrescentada!

Só para dizer que um rótulo é só mesmo isso... ouviste Raquel? Um rótulo é só algo que alguma alminha iluminada usou para mostrar que sabe dizer umas palavras complicadas e que na altura lhe pareceu bem. Daqui a uns tempos vem outra alminha e diz que afinal o rótulo estava "mal-aplicado" e, pimba, lá vem outro.
Fazendo bem as contas, os nossos filhos continuam a ser as mesmas crianças felizes que eram antes da dita etiqueta... nós, mães e pais é que somos os verdadeiros rotulados, porque nós é que ficamos afectados, mais ninguém.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Asperger...

Não sei porque carga de água dei comigo a pensar num episódio que se passou em Junho ou Julho...
Estava na cabeleireira e a fulana fala pelos cotovelos... daquelas que conta a vida dela toda e de toda a gente à volta! O costume, portanto, é ficar sentadinha na cadeira e ir acenando que sim ou não, rezando para que ela não se esqueça que é só para cortar as pontas... Não sei porquê, começa a falar que tem um sobrinho: "é autista, tem aquela coisa do sindrome de Asperger: é muito inteligente, muito introvertido, com um feitio danado e daqueles que só anda em biquinhos de pés... até já disse à minha irmã que o tem que mandar para um colégio interno, em Coimbra, onde eles estão habituados a lidar com crianças assim. Era melhor para ele, não acha?"

Nunca contei a ninguém esta meia-hora da minha vida e creio que não me terá feito bem nenhum ouvir estas preciosidades... Enfim, algum dia tinha que sair, foi hoje! E agora que penso nisso... "não, sua idiota! Não acho nada bem que se despeje uma criança com Asperger num sítio onde não conhece ninguém só porque se tem vergonha de lidar com o assunto!!!!!!!"

Só um desabafo tardio...

P-A-I!

Ora aí está umas das ultimas habilidades do artista: pega nas letras-magnéticas que o tio lhe deu no Natal (a loucura total!) e junta as letras P-A-I... depois olha para mim e diz com aquela cara de safado: "Pai?"... acho que viu isso num desenho animado qualquer e achou piada... ou não, sei lá... :)

Agora deu em cantarolar... e não são só aquelas musiquinhas que lhe ensinam na escola... farta-se de inventar nas letras (mas quem não inventa, né?). Pois é: já dei com ele a cantarolar "we will rock you", dos Queen (tem bom gosto, o puto!) e ontem foi o genérico dos Simpsons... mas isto são aquelas que eu consigo decifrar: a maior parte é só espanholada!

Hoje estou bem... graças aos bons amigos que tenho que fizeram questão de dar uma palavrita de apoio quando souberam que eu estava (quase) a perder o juízo! Obrigada a todos. <3

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Porquê agora?

Um blogue... porquê agora? Sei lá... se calhar porque estava a guardar tudo cá dentro e as pessoas já perguntavam se eu estava doente "Estás com tão má cara, morreu-te alguém?" Dah...
Cada birra, cada grito dava comigo em doida... ao ponto de me voltar a sentir como em Agosto passado! E isso, jurei que nunca mais!!! Falei com o meu cara-metade... abri-lhe a alma e deixei tudo o que me afligia sair em lágrimas e palavras abafadas. E finalmente, ele entendeu! Não eram "telhas" minhas nem caprichos: eu não estava mesmo bem!

Fui ao médico... chorei e limpei a alma. Saí de lá com comprimidos para a ansiedade, iam "acalmar-me e ajudar a dormir"... Pois sim... Uma semana mais tarde fui mostrar os resultados das análises que a médica tinha pedido... e saí de lá com antidepressivos, já que os outros nada fizeram... pelo menos, dou comigo aos beijos ao garoto por tudo e por nada! Ele continua com as birras, eu é que me ralo menos...
Mais um passo, num caminho que começou agora...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mééééiiinnnn!!!!

Finalmente! Outubro de 2010 e o pestinha disse mãe pela primeira vez! Nem quis acreditar... "pai" já tinha dito umas semanas antes, quando acordou da sesta e não o viu, mas "mãe"... andava ansiosa! Não confundir com invejosa, que o que eu queria era que ele falasse!!!

Desde essa altura, o vocabulário dele aumentou, apesar de ainda não haver construção de frases...
continua a preferir números e letras: quer lá ele saber de Noddy ou Ruca ou bolas ou carros... quer livros e revistas onde haja... números e letras, claro!
Tudo seria bem mais fácil se ele gostasse das mesmas coisas que os outros meninos...

A 7 de Janeiro de 2010, num fórum não muito distante...

Janeiro de 2010, Consulta dos 2 anos: em termos físicos, o Diogo está perfeito! Mas... fui alertada para o facto de o meu filho perfeito não ser igual aos outros meninos. Num fórum de mães e pais para mães e pais, fui mostrando o meu sofrimento, na esperança de ouvir palavras de encorajamento que não me deixassem desanimar...

Aqui transcrevo apenas algumas partes dos meus posts...
http://foruns.pinkblue.com/showthread.php?2213003-sintomas-de-autismo...-ou-atraso-linguagem

"07.01.2010
Olá a todas...
Este é talvez o tópico mais difícil que já escrevi... e desde já peço desculpa às mamãs cujos bebés têm realmente problemas...
O meu Diogo é um menino lindo de 25 meses e não fala, quer dizer, não diz nada que se perceba! Diz AEIOU e um monte de monossílabos (ta, te, ne, ma, pa...), às vezes sai qualquer coisa mais complicada do género "tieta" Esteve no infantário até aos 13 meses mas a coisa não correu bem e agora está em casa, comigo e com o pai e uma vez por semana vem uma ama, com quem ele se dá muito bem!
Já anda desde os 14 meses e sabe explicar-se muito bem, aponta para o que quer, chama quando não gosta dos bonecos da TV, pede colo mas só liga ao que lhe apetece! Houve uma vez que viu uma banana na TV e correu para a cozinha, chamou-nos e apontou para cima da mesa "ANANA", onde estava o cesto da fruta! Não estranha ninguém, é um bebé sorridente e brincalhão, adora correr pela casa e adora livros! Passa imenso tempo a folhear as dezenas de livros que tem! Mas se insistimos com ele para dizer ou fazer qualquer coisa, chora, às vezes até guincha (o que infelizmente é frequente)! Se lhe perguntarem como faz o cão ou o gato, não liga, mas sabe como faz o dinossauro (grrrraaauuuu, com um grande sorriso)! Ajuda a vestir as camisolas (põe os braços e a cabeça) e dá os pés para calçar os sapatos...
Há uns meses atrás o Diogo ganhou um hábito estranho(até já postei sobre isso)... deita-se de barriga para baixo e esfrega-se contra o chão ou cama... chega a ficar exausto e transpirado! E sim, a sua pilinha cresce... chega a produzir um líquido transparente!!! :ermm: A pediatra diz tratar-se de masturbação infantil mas tem reservas... falou em autismo, diz que não o acha sociável (porque quando o chama ele não responde) e que o atraso na fala já é demasiado grande. Pesquisei sobre o assunto e confesso que não fiquei sossegada... tenho consulta de desenvolvimento no dia 19 mas não consigo dormir, só me apetece chorar..
Alguém passou pelo mesmo? Alguém sabe como funcionam as tais consultas de desenvolvimento?
Eu sei que tenho um bebé lindo e saudável e não quero de maneira nenhuma ferir aqueles que realmente têm problemas sérios mas estou tão triste...


20.01.10
Olá a todas...
Fomos à consulta, foram os 20 minutos mais bem pagos que já vimos! O médico fez umas palhaçadas, entre as quais pôs uma série de coisas na cabeça e tocou flauta (os únicos 5 minutos em que ele olhou para o Diogo), disparou duas dúzias de perguntas (come bem, dorme bem, se gosta de ver a máquina da roupa centrifugar, se gosta de arrumar as coisas por cor, se coloca os carrinhos em fila, se é destrambelhado a correr, se é obsessivo com alguma coisa, se gosta de ver TV, se gosta de carregar em botões, é medroso, tem medo de alguém, e muitas mais...), virou-se para os 2 estagiários e perguntou: "alguém tem alguma ideia do que estamos a falar aqui?" - EU JÁ SEI! É ESSENCE! Nunca ouvi falar em tal coisa.... Segundo o médico, há 6 meses atrás inventaram um novo nome para os "sintomas" do Diogo, se fosse antes seria diagnosticado autismo... (ele apenas diagnosticou 15)... não é uma doença, são um conjunto de sintomas e o Diogo não os apresenta todos e os que apresenta não são muito marcados...
Sintomas: olha para os olhos mas não fixa durante muito tempo, birras, não olha quando o chamam (a não ser que seja alguma coisa que o interesse), alguma descoordenação motora, atraso na linguagem... é pá, saí de lá com um sorriso mas quando cheguei ao carro o meu marido só disse "pronto, já podes"... e desmanchei-me em lágrimas...
Confesso que não fiquei nada descansada, apesar de ele dizer que o miúdo vai ser doutor ou engenheiro daquilo que ele quiser... não me parece, tirando a pouca linguagem, que os restantes sintomas sejam diferentes de qualquer outra criança... mas não, o meu é diferente, já tem um rótulo...
Agora vai aprender a ler... sim, a ler. Vamos ensinar a um puto de 2 anos a ler! Parece que nestes casos é vantajoso "aprender a ler para aprender a falar"... é claro que o facto de a terapeuta fazer parte de uma filial da clínica em Castelo Branco é mera coincidência...
Disse ainda que o infantário não é vantajoso para ele, fizemos muito bem em tirá-lo de lá... ?
Em relação ao esfregar, disse que não considera isso masturbação e que se ele sente prazer com isso, é deixá-lo... ????
Por favor, quem já ouviu falar de ESSENCE diga qualquer coisa, não consigo encontrar nada sobre o assunto. Não tenho aqui o diagnóstico mas depois dou-vos mais detalhes...
Obrigada a todas pelo apoio... sem vocês teria sido muito mais difícil... :friends:
 

21.10.10
Olá a todas...
Consegui descobrir um site sobre ESSENCE, onde o próprio autor colabora! Enviei um mail a pedir ajuda e informações, assim que tiver resposta conto como foi...
O que vos queria dizer é que, no primeiro contacto que fiz, a explicar a situação mas sem pormenores, me disseram que não têm conhecimento de mais nenhum caso diagnosticado com isto... acham normal?
O Diogo vai fazer "treino dos pré-requisitos académicos", com uma psicóloga, que o vai ensinar a ler... Tenho aqui o "diagnóstico", vou transcrever para vocês:
"conceito proposto por C. Gillberg e que corresponde a um conjunto de sintomas e sinais comuns a diversos síndromes desenvolvimentais. Ocorre em crianças dos 15 meses aos 4 anos de idade e que apresentam entre outras as seguintes manifestações:
- desvio do olhar (a que o médico acrescentou ligeiro)
- perturbação da intencionalidade
- comunicativa / Isolamento (a que o médico acrescentou ligeiro)
- irritabilidade / birras
- linguagem expressiva pobre (a que o médico acrescentou compreensiva adequada)
- estereotipias pouco frequentes
- fixações não invasivas, não restritivas
- desajeitamento motor, mais grosseiro (a que o médico acrescentou ligeiro)
- irrequietude
- desatenção, sobretudo conjunta (a que o médico acrescentou ligeiro)"
Hoje fui levar o relatório à pediatra, que nunca tinha ouvido falar em ESSENCE mas concordou com o diagnóstico. Aconselhou a começar a terapia e se não virmos melhorias, pedir uma segunda opinião.
estou preocupada mas vou esperar para ver... também não posso fazer mais nada, né?
sei que temos psicólogas entre as meninas PB, será que podem dar uma ajudinha?
Obrigada mais uma vez, foi a vossa força que me ajudou a seguir em frente
 

22.01.10
Olá a todas! Vou copiar os mails que enviei e recebi, para vocês verem:
"Hi! I´m the mother of Diogo... I have a few questions for you, if I can...
first of all, I apologise for my bad English...
Yesterday we went to a doctor in Lisbon, a specialist in child development... he watched my son for about 5 minutes, asked a lot of questions for another 5 and said ESSENCE!!! Although he doesn't present all the symptoms, he's ESSENCE... but there's no information available about ESSENCE!
I'm in panic...
Let me describe a little of my son:
- he was born in 24 November 2007 (26 months)
- he was in kindergarten until 1 year but I wasn't satisfied so we chose to keep in home with us
- we (parents) are teachers, so must of our work is done at home, where we stay with our son (although most of the time he's alone with company )
- we have no relatives living near, so we are the only persons in his life (and a nanny, who only stays with him a couple of hours on Tuesdays)
- he sleeps about 10 hours in the nigth and 3 or 4 more in the day (no stress for him)
- he stays in our room, in he's own bed but sometimes he goes into the middle of us (I can see him smiling while sleeping)
- he doesn't speak any true words, but he's very expressive, and always gets what he wants (pointing, calling, dragging us into something he wants), although he "talks" a lot in "Dioguese"
- he says AEIOU
- once or twice he said banana, pointing to one
- he knows the animals and he can say what a dinosaur sounds like (he barked like a dog once, but no more...)
- when we call him, he doesn't always respond or look, but when we say "bread" or "water" or "pacifier" he cames running
- he likes to hear the sound of toys, banging on the floor or on another toy
- sometimes he stimulates himself, tummy down, the doctor said it's not real masturbation but he gets pleasure of it
- he can draw, but prefer to play with the pens
- loves books, can stay hours turning pages and admiring each individual page (lots and lots of books)
- loves TV, specially POCOYO (lots of books too)
- loves to walk on the street or on the mall, holding hands but he runs like hell if we let him
- he screams a lot, specially if we don't give him attention or something he wants but I don't think he's different of other children there
- he's not afraid of almost nothing (even the dark) except loud motorcycles
- my husband nephew talked at almost 4 and was a very apathetic baby. today he's 14 and a very intelligent boy
the doctor suggested a therapy called "academic pre requirement practise" in which he will learn to read to learn to talk... at the age of 2????
my husband says not to worry, our son is normal and soon will begin to talk but I'm very worried... I have a labelled son, with something I don't know and I can't find any information about it...
the doctor said he already diagnosed 15 other children with ESSENCE and that my baby doesn't show all the symptoms and the symptoms he has are not very "visible" and will be a perfectly normal adult...
what do you think? I could really use some help, so that I can try to understand what is happening to my little boy, which I toughed was just a little lazy because didn't live around any other child...
Best regards and thank you in advance.”

RESPOSTA: "This is the first time I have known of a child being given the diagnosis of ESSENCE. This term was created by professor Christopher Gillberg who is one of Mindroom's professional advisors. The concept was introduced to refer to a child who had a problem severe enough to warrant clinical examination. The child suffers from EARLY SYMPTOMATIC SYNDROME ELICITING NEUROPSYCHIATRIC / NEURODEVELOPMENTAL CLINICAL EXAMINATION (ESSENCE). At the time concern is raised, clinicians may get no further than ESSENCE.
However, conditions overlap and consideration should be given to further assessment for autistic spectrum disorder ( ASD ), ADHD, Tourette Syndrome, OCD ( Obsessive Compulsive Disorder ), Dyspraxia / Developmental Coordination disorder ( DCD ).
It may be that the doctors assessing this child cannot offer more definitive diagnosis at this time. He is still very young. However, the behavious you describe in your email could certainly be suggestive of ASD traits."
"I presume you took your son to the doctor in Lisbon because of concerns about his development.
What ESSENCE actually means is that your son does have some signs of neurodevelopmental differences which may lead to a later diagnosis of something more specific such as Autistic Spectrum syndrome. As I suggested in my earlier reply, further assessment should be done but perhaps the protocol in Portugal would be to leave this until he is a little older. He is still very young.
I have never heard of "academic pre requirement practise" - but early intervention is essential for your son to achieve his potential. This does not necessarily mean finding formal therapy or other programs - lots can be done to address developmental delays or difficulties at home.
I would suggest you ask the doctor what symptoms your son shows which lead him to diagnose ESSENCE. This then gives you an idea of what your son needs help with.
Very little has been written about ESSENCE other than the definition I gave you in the earlier email.
What is important is that you look at your son as an individual - what can he do well and what does he have difficulty with?"

  Quanto ao brincar no chão, é coisa que já fazemos bastante, mesmo antes disto tudo... ainda ontem estivemos que tempos a brincar com os cubos de borracha, vocês não imaginam a velocidade com que ele empilha 6 cubos e se ri logo a seguir! e o jeitinho com que ele os empilha? até deixa a mão e tira depois muito devagar para não caírem... (desajeitamento motor, mais grosseiro (a que o médico acrescentou ligeiro, pois sim!!!)
Vamos começar na próxima 4ª com as aulas de "leitura" com a psicóloga... e se vir que é absurdo, vamos para a segunda opinião... Em todo o caso, acho que não vou adiar muito a terapia... até pode ser que não seja nada mas não quero a culpa de ouvir "devia ter começado mais cedo..."
Beijinhos e obrigada mais uma vez


25.01.10
Olá mamãs!
Pelo que tenho tentado (e muito...) perceber esta coisa do ESSENCE acho que cheguei à conclusão que ESSENCE é aquilo que os médicos diagnosticam quando não conseguem diagnosticar mais nada, ou seja, "mostra sintomas de qualquer coisa, mas não posso afirmar que é qualquer coisa, então é ESSENCE"...
Resumindo e concluindo: estou à beirinha de um esgotamento nervoso, não consigo dar aula nenhuma de jeito (os garotos até já perguntam o que é que eu tenho!), implico com o meu marido por tudo e por nada e o mais grave de tudo - dou comigo a pensar que tenho um filho com menos capacidades do que os restantes... PORRINHA! Isto não sou eu! Nunca pensei que uma m****inha destas me afectasse tanto! Caramba, não é nenhuma doença!
Desculpem... isto de não desabafar dá comigo em doida! :crying:
E a história da psicóloga, vamos começar na 4ª feira a fazer o quê? A sensação que eu tenho é que vou encher a carteira a alguém que fez o diagnóstico de uma coisa destas em 20 minutos! E se não for preciso nada disto? E se a terapia que for necessária não for "aprender a ler"? E se os resultados não surgirem depressa (até Maio, segundo o médico)? O que é que falta - medicação, terapia de choque?
AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!
pronto, já estou melhor.......

Estou a tentar marcar consulta para o Dr Pedro Caldeira, mas só amanhã... e como vamos de Castelo Branco (cú de Judas mais longe) em princípio não nos podem aceitar, temos que ir para Coimbra (ok, tudo bem, também deve haver bons médicos em Coimbra), mas não conheço ninguém que tenha consultas lá (apesar de ser de lá e morar lá perto)...
Algumas das meninas de Coimbra me pode ajudar aqui?
Estou à espera de um mail da Escócia, com instruções de técnicas que eu posso fazer em casa para ajudar o catraio... ainda bem que uma grande amiga (a melhor!) me descobriu este site... Se não fosse isso acho que já perdido o resto do juízo que me resta... Isso e um local onde posso mandar fora o que me aperta o peito, onde sei que alguém ouve... VOCÊS!
Muito obrigada e desculpem o desabafo!

26.01.10

Olá a todas!
Estou quase a conseguir marcar consulta em Coimbra, falta a credencial médica que chega no fim-de-semana (já liguei para uma amiga no Centro de Saúde que me vai tratar do assunto sem levantar alarido)...
Faz parte do Centro Hospitalar de Coimbra - Departamento de Pedopsiquiatria... alguém ouviu falar? Falei agora com uma enfermeira que ficou de me mandar um impresso para preencher e devolver, juntamente com a credencial... Disse que no caso de bebés pequenos como o Diogo o processo é muito rápido...
Enfim, agora começa outro stress... e se lá chegarmos e o diagnóstico for o mesmo, ou pior? :unsure:
Gaita, ninguém avisou que ser mãe dava tanta dor de cabeça... já tenho a cabeça cheia de cabelos brancos!!!!
29.01.10
Olá a todas!
Ufa... semana complicada! Fomos à psicóloga na 4ª feira, desta vez foram duas horas! Ela observou o Diogo, fez imensas perguntas e disse que é ela que vai confirmar ou não o diagnóstico do Dr Palha. Ele não lhe ligou muito no inicio, mas quando ela ligou o computador e ligou a musica... já não a largou! Até a puxava para ela por mais!!! Ela acha que mesmo que se confirme o diagnóstico, esta é a altura ideal para intervir... referiu que em casos semelhantes, houve uma evolução muito positiva e que em grande parte dos casos a avaliação final deu QI mediano ou superior à média! ????
Em relação ao aprender a ler: não é literal, ou seja, ele vai associar sons a letras e com isto vamos facilitar a linguagem (ou coisa do género)
seja como for, na 3ª voltamos lá, temos + 4 sessões agendadas e só no fim é que ela vai dar a sua opinião.
É lógico que eu continuo com a sensação que isto é dar dinheiro a ganhar ao Palha, já que ela é funcionária dele, mas não quero arriscar e como tal, lá vai uma (boa) fatia do ordenado.
Novidade: matriculei o Diogo num infantário! 2ª Feira já vai... estou com o coração nas mãos, mas tenho esperança de estar a fazer a coisa correcta.
Venho dar notícias assim que puder, beijinhos a todas!

1.02.10
Então não é que o catraio este fim de semana já imitou a ovelha e a vaca? E não é que se foi sentar no centro comercial ao lado de outro gaiato que não conhece de lado nenhum? falta de socialização, pois...
Hoje foi ao infantário: assim que cheguei correram comigo, ele virou-me as costas e foi de mão dada com a educadora... sem olhar para trás! Fui busca-lo passado hora e meia e... não chorou vez nenhuma! Claro que quando lhe disseram que a mãe tinha chegado e ele não me viu, choramingou, mas nada de extraordinário! Teve aula de expressão musical, onde bateu palminhas com os outros e até andou de mão dada com uma das meninas da sala... assim que chegou e já se mete no engate!!!!
Quando o fui buscar estava a ajudar a por os babetes aos coleguinhas.... achei o máximo!
Amanhã é vão ser elas... ou não, também estava à espera de baba e ranho hoje!
Já enviei os papéis para o Centro Hospitalar de Coimbra, Dep. Pedopsiquiatria para marcar a consulta... é lógico que não disse que já fui a outro médico, vamos ver no que dá...
Enfim, mais um dia...


3.02,10
Olá a todas!
hoje venho aqui de propósito para esclarecer um ponto que só hoje também entendi: a psicóloga com quem estamos a trabalhar não trabalha para o Dr Palha, colabora com ele, é diferente. Pelo que percebi, nem sempre partilha da mesma opinião do Dr e parece-me ser bastante atenciosa e demonstra que gosta muito do que faz. Pelo menos, o meu Diogo gosta muito dela... para mim basta!
Quanto ao dr Palha, não questiono a sua competência médica, nunca foi minha intenção... critico no entanto o seu método de consulta e principalmente acho que falha (por omissão) no momento de transmitir o diagnóstico aos pais.
Porquê isto agora? Porque o PB é um local público, onde muitas mães interagem entre si, o que faz desta comunidade uma mais valia para qualquer pessoa que tenha ou venha a ter filhos...
A nossa psicóloga, Dra Rita encontrou este fórum e este post e apercebeu-se da minha (nossa!) ansiedade em relação a este assunto e tendo em conta que nunca escondi dela nem de ninguém os acontecimentos anteriores, ela "confrontou" o Dr Palha, chegando a mostrar este fórum e todas estas imensas respostas... Apesar de aconselhada a não continuar a acompanhar o Diogo, ela mantém a decisão de nos acompanhar no desenvolvimento do piolho: Drª Rita, tem a minha confiança e a minha gratidão, até 3ª feira!
Dr Palha: muito obrigada pelo tempo que dispensou a ler este meu desabafo, espero que tenha compreendido que uma mãe aflita não se contenta com duas palavras...
Às restantes mamãs, muito obrigada! Venho dar notícias do piolho assim que puder! :friends:


09-02-2010
Olá!
Bem, ainda bem que alguém é desenrascado a explicar as coisas!!!
O Diogo está a adaptar-se bem ao infantário, pelo menos não se isola e brinca com os outros meninos, já é bom... Mas não consigo (nem elas no infantário) que o sacana pegue numa caneta! Fazer rabiscos não é com ele...
Mas tenho uma novidade!!!! Comprei-lhe um livro do Pocoyo (mais um, já que ele ADORA) e este tem as vogais... mostrei-lhe o livro, como ele já diz AEIOU mas não insisti...
Então não é que o gaiato me trás o livro um dia destes e começa a folhear e a dizer as letras certas de cada página???? Se lhe desenhar uma letra ele identifica-a logo...
Parece que afinal sempre se pode aprender a "ler" aos 2 anos...
Seja como for, estou mais animada apesar de ainda ter preocupações... mas acho que é tudo normal, não é?
Mais alguém com filhotes que não gostem de rabiscos? O que se faz nestas situações?
Logo vamos à Dra Rita, depois conto!


26-02-2010
Olá, mamãs!!!
O meu Diogo continua a ser um bebé muito bem disposto! Quando o vou buscar ao infantário, vem a cantar e a rir... pelo menos é muito bom ver que ele gosta de lá estar...
Continuamos com a psicóloga, vamos lá daqui a pouco! Mas ele é muito teimoso, só quer brincar com o que gosta! Mas lá chegaremos...
Não tenho aparecido muito porque ele esteve doentinho, fez uma brutal reacção à vacina da "gripA", quase 4 dias de febre, seguidas de conjuntivite e tosse...
As mamãs que fazem terapia de fala ou consultas de psicologia, já trataram do abono? Se não souberem nada sobre esta majoração, perguntem, tá? Parece que não mas é uma ajuda...


27.02.2010
Também não me parece que a SS tenha interesse em divulgar este apoio... Chama-se "bonificação por deficiência" e não se assustem com o nome! É um requerimento que podes sacar do site da SS e que tem uma página que tem que ser preenchida pelo médico da criança, onde certifica que a criança precisa de apoio psicológico ou outro tipo de acompanhamento. No caso do Diogo, foi só aparecer na pediatra com o papel, ela preencheu a parte dela, dizendo que ele precisa de consultas de psicologia, entreguei na SS e já recebi a confirmação: passo de 11€ e qualquer coisa para 59,48€ mensais. É uma ajuda...
Mais uma vez, obrigado à Dra Rita, que me alertou para este apoio logo na primeira consulta...
espero ter ajudado,

12.03.10

Olá, migas!
Querem saber a última do meu piolho? Agora que sabe as vogais de trás para a frente e que passa o tempo a apontar para tudo o que tenha vogais (até chora em AEIOU!! ) passámos para os números... 12345, o básico!
Livros, puzzles, tudo o que tenha números serve... agora até os andares do elevador...
E então começa: hummm (entre dentes), doooo, têêêê, caaaaa, coooo. E fica todo contente quando diz isto e nós fazemos uma festa muito grande! Claro que ainda não articula as palavras, mas acho que vamos no bom sentido... :w00t:
Animais: já imita vaca, galinha, ovelha, cavalo, macaco, mocho, lobo e claro, o dinossauro! De vez em quando, o pato mas cão e gato só dá para rir... :chick:
Enfim... devagar e devagarinho, mas vamos!
E novidades vossas, como estão os piolhos?


07.04.10
Olá mamãs!
Como vão os piolhos?
O Diogo continua bem disposto, já faz mais umas gracinhas mas falar... ainda nada. A consulta em Coimbra (departamento de Pedopsiquiatria do CHC) é no dia 18 de Junho!!! A enfermeira responsável telefonou-me no outro dia (?) a perguntar como ele estava e se eu achava necessário uma consulta mais urgente... disse que não era urgente, pelo que lá ficou para Junho. Achei piada ligarem a perguntar como ele estava, se já tinha ido para o infantário, se o notava mais desenvolto, se já imitava animais... enfim, eu é que continuo com a sensação de que o tempo não passa, e que ele anda mesmo a fazer preguiça!
Novidade: "num cô cá!" quando perguntamos "onde está o Diogo?"... vai a correr esconder-se atrás da cortina ou tapa-se com qualquer coisa e diz "num cô cá!"... depois aparece e diz "tá qui!!!!". Enfim, grande festa, como imaginam! :w00t:
Tenho andado sem tempo para passar por cá, mas não me esqueço! mandem notícias, beijinhos para todas!


22.04.10
O preguiçoso cá de casa (como lhe chama carinhosamente o pai quando está cansado) disse "popó" quando espreitou pela janela e viu os carros a passarem... Lógico que viemos logo a correr mas ele disfarçou e fingiu que não era nada com ele... Ainda voltou a repetir mais uma ou duas vezes mas depois, perdeu a piada!
Já pintou com um pincel na escola! Durante alguns segundos e desistiu, mas tenho esperança que um dia ele ganhe gosto pelos lápis e canetas...
Mandem notícias, boas de preferência, a ver se me animo...


14.10.10
Olá!!! Como vão todas?
Estava difícil... deixa lá ver se consigo me consigo lembrar de tudo...
O Diogo faz 3 anos no próximo dia 24 de Novembro e já noto nele muitas evoluções:
- já conta até 20 certinho (até 30 aldrabado), identificando os números individualmente
- soletra o alfabeto e identifica as letras isoladamente
- já diz umas coisitas: pai, tio, chacha (que serve para chucha e bolacha, nada de maldades!!! ), mápis (lápis), papa, ába (água), floe (flor), foa (folha), mais, dá, senta, anda, cão, gato, baíga (barriga) e um monte de outras
- desfralde ainda não: faz chichi quando acorda, fralda seca durante a noite mas passou por uma fase de ansiedade e birra só de entrar na casa de banho, por isso desisti (conselho da psicóloga)
- continuamos com a Dra Rita, que propôs passar as sessões a quinzenais (o que penso ser um bom sinal) mas continua a comparar o miúdo a outro que é um Asperger confirmado
- continua a preferir a companhia de adultos, apesar de estar no infantário: não foge dos outros meninos mas também não faz questão de brincar com eles... prefere correr à volta deles e ri-se se os outros se metem com ele
- dá beijinhos, abraços e festinhas que é um mimo
- continua a gostar de livros, passa o tempo a dizer as letras e os números que lá encontra
- as birras continuam mas diminuíram: sempre que mudamos de direcção e ele não quer há berreiro!
Fomos a Coimbra consultar uma pedopsiquiatra. Na primeira sessão, a senhora olha para nós e diz "Eu sou médica!"... e eu pensei, se fosses contabilista eu não estava aqui! Enfim... olha para ele 10 minutos e pede para ele pentear uma boneca e por a boneca a dormir. O Diogo ignorou-a... foi o descalabro! Porque o menino não a olhou nos olhos, porque não brinca ao faz de conta... "Estou muito preocupada!!! Temos muito trabalho pela frente. Vamos começar com terapia da fala, 5 dias por semana".
Marcou-nos uma sessão com uma educadora do ensino especial. Apareceu-nos com uma check-list de 20 páginas onde ia marcando conforme íamos conversando numa sala mais pequena do que a minha casa de banho. "Faz uma torre com 6 cubos" e coisas do género... o puto passou-se e recusou-se a fazer o que quer que fosse. nem a pinça fina a mulher marcou que ele sabia fazer, mesmo nós dizendo que a pinça dele é perfeita (palavras da educadora), porque só pode marcar que ele sabe fazer se tirar 6 pequenas peças em 15 segundos de dentro de um saco! Sai de lá completamente transtornada e à saída comenta a "senhora" para a enfermeira: "Até anda em biquinhos de pés..." Bolas!
neste momento entrei em depressão... pensei em deixar o meu marido com o miúdo e fugir para longe, tive raiva do meu filho e pensei até em suicídio...
Foi neste momento que a minha GRANDE amiga Raquel (obrigada por tudo, miga) me falou num livro que tinha lido e que falava sobre um estudo americano com crianças "diferentes":The Einstein Syndrome: Bright Children Who Talk Late, de Thomas Sowell. Li o livro em dois dias… e apesar de encontrar o Diogo em todas as páginas, não penso que ele se enquadre aqui a 100%... mas fiquei com uma nova perspectiva da coisa!!!
Quando voltámos lá, duas semanas depois na tentativa de a educadora o voltar a avaliar, ela pediu-nos coisas do género:
- chuta a bola (que cabia na mão). O Diogo baixava-se, apanhava a bola e mandava-lhe. Ela insistia: chuta a bola com o pé. Ele voltava a baixar-se… 15 minutos disto depois, ela desiste, muito contrariada e diz, “bem, já vi que não sabes chutar”… ele olha para ela, chuta a bola e vira-lhe as costas a rir…
- mostra uma folha com desenhos a preto e branco: onde está o objecto que serve para chutar?, aponta o objecto que serve para jogar”… pois, eu também pensei isso… grrr
- dá-lhe uma boneca que cabia na mão: aponta os olhos, onde está o cabelo… bonecas, pois sim!
Nesta altura subiu uma coisa por mim acima… e perguntei-lhe onde estava a parte da lista em que ela marcava que ele sabia contar e reconhecia as letras e números. Resposta: “Isso são competências q ue ele só vai adquirir a partir dos 6 anos, não são para aqui chamadas! E eu levantei-me, perante o olhar incrédulo do meu marido e disse que este não era o tipo de avaliação que nós pretendíamos e que não via vantagem nenhuma em sujeitar o meu filho a este tipo de interrogatório. E sai… ela ainda disse que deveria falar com a médica e marcar outra consulta e rematou com esta “O seu filho não tem que fazer aquilo que ele quer: tem que fazer aquilo que nós queremos, quando nós queremos!”. Neste momento eu senti-me revigorada por ter tido a coragem de lhe voltar as costas e nunca mais lá voltei.
Agora vamos indo, sem certezas e apenas tendo em conta a felicidade do puto…


15.10.10
Eu já não sei se tenho mau feitio ou simplesmente má sorte! Ás tantas tenho mesmo mau feitio: a mesma pessoa consultar dois médicos, em cidades diferentes que agem da mesma maneira... deve ser mesmo isso! Mau feitio...
Escusado será dizer que recusei a terapia da fala. O problema dele não era falar mal, era não falar! E 5 dias por semana!!!! A terapeuta teria que ir à escolinha, porque o indicado seria fazer o acompanhamento num local familiar... já pensaram? E o meu orçamento familiar? Eu, que estou a trabalhar longe de casa: tenho a minha casa a pagar, a renda da casa onde estou, o carro que ainda não está pago, a psicóloga, o infantário que é + uma casa... agora juntem roupa, água, luz, comida, gás e fraldas... 2 vezes! Tudo bem que estou com o meu marido, são dois ordenados... mas chegamos ao "dia de S. Receber" aflitos!!!
Enfim... desde o fim de Agosto que tenho notado um esforço do garoto em vocalizar: chama-nos para mostrar as letras e os números que passam na TV e fica feliz quando se faz entender! Há coisa de um mês acordou da sesta e lanchou normalmente e foi brincar. Passado um bocado, levanta-se e corre a casa toda. Vem ter comigo e pergunta "Pai?"... escusado será dizer que me agarrei a ele de lágrima no olho...
Agora não entra no infantário sem uma flor: FLOE!!! e lá vamos nós apanhar a floe para ele brincar(gosta de a ver girar entre os dedos). E haviam de o ver no piano do Ruca: Dó, Ué, Mi, Fá, Xol, Lá, XI, Dó... uma ternura...
Não sei se daqui a uns tempos ele não vai ser avaliado por mais alguém que confirme que ele tem isto ou aquilo... sinceramente, nesta altura também tento não pensar nisso.
O que me interessa é que ele é um puto feliz! Daqueles que tem sempre um sorriso nos lábios e que ri à gargalhada por tudo e por nada (às vezes ninguém dorme no infantário, porque quando ele começa a rir os outros riem também, mesmo sem saber a razão da risota!). Que é diferente, é! Mas conhecem alguém que seja exactamente igual a outro? O meu gosta de letras e números... e flores... e livros... e lápis... e bichos... e folhas... e de pintar... e ... espera lá! Então esta história toda não é sobre fixações? Gostar de algo de maneira obsessiva? Então eu também sou diferente... porque gosto muito do meu filho e quero que ele seja feliz! Independentemente de qualquer diagnóstico feito em cima do joelho...:badgrin:


21.10.10
Olá Maria!
Não tens que pedir desculpa, mete o bedelho à vontade!
Tudo o que tu dizes está muito certo e eu acho que tu tens razão. Não penses que descuido essa parte... o Diogo identifica correctamente todas as partes do seu corpo e nós insistimos muito para que ele responda quando lhe dizemos alguma coisa. Ele tem aulas de psicomotricidade na escola todas as semanas.
Agora, a parte em que falas da educadora... apesar de nós dizermos repetidamente que ele fazia algumas das coisas que ela pedia em casa, ela insistiu que ela não tinha visto e por isso não podia assumir que ele sabia fazer! Isso revoltou-me...
O Diogo é um miúdo extremamente nervoso e tu não imaginas o tipo de birras que ele faz quando o obrigam a fazer algo que ele não quer! E ela apesar de o ver irritado continuou a insistir! Marcámos para outro dia, voltámos lá e a história foi a mesma...
Em relação aos números e letras... não é algo que eu incentive! Julgas que não tenho o chão a abarrotar de carrinhos e bolas? Ele continua a preferir os números e as letras e as notas musicais... e se essa é uma capacidade que ele só "deve adquirir a partir dos 5 ou 6 anos", não achas que se devia tentar usar esta aptidão dele para estimular o resto?
Neste momento continuamos a ser acompanhados por uma psicóloga que o Diogo adora... e nem ela muitas vezes consegue que ele colabore nas actividades... mas nem por isso ela desanimou! Os exercícios que vamos fazendo por vezes contêm números e letras, para conseguir captar a atenção dele! Se é algo que ele gosta...
Eu já sei que ele é diferente e tenho que aceitar isso. Também sei que ele está muito atrás do desenvolvimento dos meninos da idade dele. Mas não vou continuar a consultar médicos ou "similares" só por ter necessidade de um diagnóstico que neste momento não vai alterar a vida dele. Não me posso esquecer que ele ainda nem tem 3 anos! Ainda mais, se esses "profissionais" apenas vão tentar confirmar o diagnóstico que lhes dá mais jeito...
O que eu posso fazer, continuo a fazer, todos os dias...


Tenho que falar... senão dou em doida!

Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.

Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...

E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita...
comentários, agradecem-se!