As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

"Eu sei o que isso é..."

Privação de sono.
Tanto eu podia dizer sobre privação de sono.  
Podia.
Se o meu cérebro funcionasse correctamente. Mas não funciona, porque estou com sintomas de privação de sono.

E a única coisa que não me sai da cabeça é aquele anúncio irritante de um medicamento antigripal:
"- Eu sei o que isso é..."
"- Não sabe não, não está constipado!"
"- Sei, sei! Ainda ontem estava constipada!"
Dah.

E just for the record
- "O meu filho acordava para comer até aos 2 anos!"
-"Quando ele está doente também não dorme bem..."
- "Eu também tenho insónias..."
Não-é-a-mesma-coisa!

Pois. Tenho-vos a dizer que não, não sabem o que é. Aliás, não têm a mínima pista do que é querer dormir e não poder... durante 5 anos. Sim, 5 anos... e meio!

A não ser que tenham um filho ou filha autista. Aí eu acredito que talvez saibam o que é...



sábado, 1 de setembro de 2012

Enfim, o diagnóstico...

Pela primeira vez, entrei num consultório médico sem grandes expectativas.
Pela primeira vez, alguém me fez ver que o meu pior receio era inevitável.
Pela primeira vez, não tive esperança de que o mundo estivesse enganado.

Mas...

Não é a primeira vez que não consigo deixar de chorar, só de olhar para ele.
Não é a primeira vez que não me apetece sair da cama, porque isso significa que tenho mais um dia do mesmo.
Não é a primeira vez que me apetece fugir de tanto grito e de tanta agressão.

Sim, o meu filho é autista.
E não, eu não consigo lidar com isso da maneira perfeita como alguns pais (supostamente) conseguem, como se fossem  abençoados por ter um filho autista. Bullshit!
E eu gostava muito, mas mesmo muito, de ver muito boa gente que conheço passar um dia, 24 horas apenas, na mesma casa com uma criança que grita porque está contente ou porque está zangado e que bate na cara até ficar negra. Sim, negra! Conseguem imaginar a força que é preciso para deixar as duas bochechas e olhos negros? Mais ou menos isso...

Por isso, peço desculpa.
Desculpa por não ser a mãe perfeita que gostaria de ser, e apregoar aos quatro ventos a bênção que é ter um filho diferente e em como o aceito como é.
Desculpa por não confiar nesta merda situação de país, que para além de não me deixar arranjar emprego, ainda me leva dinheiro (que eu não tenho) por procurar ajuda para o meu filho autista. Sim, neste país apenas os pais ricos ou com pais ricos é que se podem dar ao luxo de pagar as milhares de terapias e especialistas que eventualmente poderão ajudar os filhos.
Desculpa aos pais que por aqui passam, com o coração apertado e que tanto me têm dado força para continuar, mas enquanto não organizar as ideias (e a revolta) que tenho dentro de mim não consigo dar-vos de volta o que me dão a mim.

E finalmente:
Desculpem a todos os que nos convidam para isto ou para aquilo, apesar de lhes termos explicado um dia antes que vivemos no Inferno e que não nos atrevemos a sair de casa com o miúdo a não ser para o infantário (e mesmo assim com o coração nas mãos - obrigada Nônô e Filipa, que nos tranquilizam quase de meia em meia hora e que nos avisam de qualquer alteração, mesmo insignificante que seja).

AH! E desculpem todos aqueles, amigos e família,  que ficam aborrecidos porque não telefonamos a dizer o que se passa e que ainda ficam chateadinhos por pensarem que estamos a exagerar. Agradeço o carinho com que dizem "vocês são uns mete-nojo que não querem saber dos amigos", é das melhores coisas que se pode dizer a alguém que está a bater no fundo.
Pelos vistos, terapia de choque funciona... quem sabe um dia destes não aceitamos o convite para jantar?

Assim que me passar a raiva, conto como foi a consulta de neurologia pediátrica em que o meu filho foi finalmente medicado para dormir. Aguentei 4 anos, 9 meses e 5 dias, até foi bom, não?


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Birras e afins...

Num tá fácil, gente!

Já não sei o que fazer mais... o Diogo está numa daquelas fases em que só grita, só reclama, só esperneia... ou porque quer comer, ou porque não quer comer, ou porque tem sono, ou porque quer brincar com outra coisa, ou porque está farto de brincar com o que tem, ou porque lhe apetece... grita quando corre, quando está sentado, quando come, e até enquanto dorme.
Sei lá, no meu cérebro já só ouço gritos e só me apetece gritar de volta! É claro que quanto mais eu grito, mais ele grita também. Grunf.

A dúvida que paira sobre mim é: é birra? Como é que eu sei se ele grita só para atingir aquilo que quer ou se há mesmo qualquer coisa que não está bem?

Noto que ele anda nervoso: morde os lábios, bate incessantemente nas coisas (e nele próprio) e recomeçou o esfreganço no chão... na escola dizem que está tudo bem, em casa não houve alterações... então, porque? Porque raio de razão é que os putos de repente se alteram desta forma? E mais importante ainda, O QUE É QUE EU FAÇO PARA O ACALMAR? AAAAHHHHH! Ok, pronto, já passou.
Sou contra a medicação em garotos desta idade, a não ser que eles ponham em risco a própria saúde ou a dos outros. Ponto. Mas há dias em que...

Já ando a chá calmante. Para além da ginástica duas vezes por semana, vou correr quando posso. Quem sabe se eu estiver cansada, não grite com ele e ele não acalma também? Cansada, fisicamente claro, que de resto...


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Os nêrves...

O puto anda agitado. Muito agitado. Corre que nem um desalmado. Grita quando está chateado e quando está contente... agora deu em bater com o dedo indicador em tudo: paredes, mesas, tv, tudo o que tenha botões, na própria cabeça... não sei como ainda não se magoou, já que bate com uma força bruta que só visto! Enfim, torço para que seja só mais uma fase... chata, mas uma fase. Coiso.

A gata anda louca. Deu em comer alface. Cá para mim queria mesmo era uma dose de erva e o verde da alface entusiasmou-a. Bem, antes isso que o resto das plantas. Ou não, sei lá....

Amanhã voltamos ao teste auditivo. Logo se vê. Estou farta. Quero uma vida nova. É capaz de dar para notar, pelo cuidado que estou a ter na elaboração deste texto. Se não fosse um ou outro parágrafo lá atrás, ainda diziam que estava a imitar o Saramago. Coiso. Ou tal. Whatever. F***

domingo, 22 de janeiro de 2012

Zombie-mum...

Estou cansada. 
Muito cansada... 

É o que dá quando temos um puto em casa que dorme em média 4 horas... por dia!!! AAAAAHHHHHHHHHHHH!!!! Much better...

O Diogo desistiu da sesta. E não quer dormir de noite. Não, não é sono trocado, é falta de sono! Porquê? Isso gostava eu de saber... 

A única coisa que se alterou foi no infantário: juntaram duas salas (a dos 4 e a dos 5 anos), passando de 15 meninos para 27!!!!!!!!!!!!!
É lógico que estou preocupada.
É lógico que tenho "reclamado".
Claro que pergunto todos os dias como é que ele tem estado.
A resposta, invariavelmente é a mesma: "O Diogo anda mais calmo do que antes. Não tem feito uma única birra. Só não quer dormir a sesta." Contra factos, não há argumentos, não é?
Sei que os outros pais não estão satisfeitos com a mudança, mas ninguém se queixa. Pudera! Têm filhos autónomos, que vão à casa de banho sozinhos, comem sem ajuda e se alguém os chatear chegam a casa e queixam-se aos pais! O meu não! Se ficar sozinho todo o dia ou alguém lhe bater, ele não se sabe queixar! E pensar que escolhemos aquele infantário pelo ambiente familiar e porque tinha poucos meninos por sala... O que me vale é que ele gosta de lá estar. As meninas que estão com ele são umas queridas e eu também gosto muito delas...

 Em casa anda bem. Só lhe dá é para fazer asneiras. Embirrou com os livros dos pais e com os DVDs da sala. Se ralhamos com ele faz um berreiro e volta ao mesmo, sempre a olhar-nos pelo canto do olho, em pura provocação.
Consigo que ele adormeça por volta da meia noite. Às 3 está acordado. Volta a adormecer às 7 e meia da manhã... É só uma fase? Espero bem que sim...

Desde 4ª feira que está em casa. Tem dormido um bocadinho melhor, mas está sempre a acordar e a pedir a luz acesa. Que seja.
Amanhã voltamos ao infantário, pode ser que 4 dias em casa o tenham posto nos eixos...

Para os fãs da Mia (e eu sei que são muitos!), a bicha do demónio ainda não deve ter 5 meses (ainda tem os dentes de leite, estimativa da veterinária). O primeiro cio é suposto aparecer por volta dos 6-7 meses nas gatas...
Claro que a minha gata não é igual aos outros, claro, é minha! Tinha que ser diferente. Está doida. Passa a noite a gemer e a chamar rrrrrrrrrrnhauu, rrrrrrrrrrnhauu... Está em plena fase de cio, bastando passar por ela para que ela se deite no chão com o traseiro levantado e a cauda de lado, para não atrapalhar algum macho imaginário que entretanto se materialize cá por casa.  
Suspiro...5ª feira, em jejum, veterinária, esterilização.
(a gata, claro.)



Coiso. 
Tal.





segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"É autista, não é?"

Acabadinha de ouvir.

Pela 3ª vez em 4 anos, o Diogo foi ao serviço de urgências do Hospital cá do sítio. Refiro o número de vezes só porque me disseram que o puto e os pais são uns heróis, pelos vistos há crianças da idade dele que já ultrapassaram as 50 visitas. Ganham-se pontos com isto, ou será que ainda não recebi o catálogo para trocar por brindes? brincadeira de mau gosto, admito! Sorry...

Como tem uma excelente memória, bastou chegar aos portões do referido Hospital para o Diogo desatar aos gritos... da ultima vez, eram 2 da manhã e ele teve que fazer aquela mistura de aerossóis com adrenalina e jkdfuwaeg-ina, que pelos vistos foi traumatizante. Eis que em plenos pulmões (apesar de muito rouco), esperamos pela triagem. A enfermeira que nos atendeu (bem mais atenciosa do que o outro paspalho, digo, enfermeiro que nos atendeu da outra vez), mediu-lhe a temperatura e como ele continuava aos gritos começou a tentar distraí-lo.
Pois.
Como viu que não conseguia, olhou para mim e disse com um sorriso:

"É autista, não é? Tão lindo! Sabe, como mãe, gostava muito de conhecer o mundo de um autista. Deve ser bem melhor do que o nosso, não acha?" e como se não bastasse, remata:
"Nota-se que vocês são uns pais excelentes!"
Nota-se como? Pelos gritos? Pelos pontapés? Pela cara de pânico do puto? Ou pela minha?

Ok, estou um bocadinho amarga hoje. Grunf...

 Segue-se a razão da visita: a pediatra, que ao telefone de manhã nos aconselhou a passar por lá para o auscultar. A birra continua mas ela faz um ar conhecedor (não vê o puto há 1 ano) e quando a colega (não, não foi a pediatra dele, foi a outra médica que estava de serviço) o tentou acalmar, a unica resposta foi:
"Este é dos bons, é dos tais..."

A única coisa boa disto, é que neste momento ele está a dormir. Acho que a gritaria o cansou e ele finalmente adormeceu. Não há tosse, nem gemidos... só o meu pequeno a dormir descansado.
Ataquei a maldita tosse a tempo, antes de ela se transformar em gosma pulmonar e ser muito mais difícil de curar depois.
Ele está bem. E se para ele estar bem, eu tenho que levar com tudo isto e mais os esgares de quem lá estava, desafio superado.
Nada de preocupações.
Estou bem, nada que uma boa noite de sono não cure.
Ou duas horas.
Ou meia hora.
Ou ZZzzzzzzzzzzzzzz.......

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

E quem é verdadeiramente feliz?

A vida corre... tens um emprego (reles, mas emprego!), casa, carro, marido e filho. O €€€ não abunda mas resolve, és saudável apesar de usares emplastros (1) para as dores das costas.
Os dias sucedem-se.
E de repente dás contigo a pensar? - "Se tenho tudo, porque não sou feliz?"
Sim, claro, às vezes estás bem. E andas tão cansada que não tens tempo para sequer pensar, quanto mais para crises existenciais. Mas há dias... em que tudo vem ao chão! Ou porque o marido telefona a dizer que afinal não vai almoçar (e tu só passaste 2 horas de volta do fogão!), ou porque o puto só grita e tu já não suportas os gritos, ou porque queres dormir e não consegues...
Bem...! O que eu gostava de dizer que dormi uma noite inteira! Sem pesadelos, sem insónias, sem cotoveladas...
Como eu gostava de ter um botão on/off. Era tão mais simples não era?
- Birras: OFF
- Ordenado de m***a: OFF
- Contas para pagar: OFF
- Sensação constante de que sou má mãe:  OFF
- O miúdo não é igual aos outros: OFF, OFF, OFF, OFF...


Enfim...
Pelo menos, ainda tenho a dor nas costas. Lembra-me que o que dói, existe. Se não doesse, se não custasse, não era verdadeiro. Não acredito que aquelas pessoas ditas "normais" que passeiam na rua com os filhos perfeitos sejam felizes. Ná! Alguma coisa não deve ser absolutamente perfeita nas vidas delas, elas é que conseguem disfarçar bem.
Resumindo: eu não queria, mas às tantas lá vou voltar aos benditos comprimidos da felicidade. Pelo menos a vida parece ser mais leve e já volto a escrever aqui o quanto eu sou feliz por ter um filho diferente de todas as outra crianças.

PS: As saudades que eu tenho da minha Luna...








(1)Emplastro ou emplasto é uma forma de medicação transdérmica caracterizada pela colocação sobre a pele de alguma substância sólida quente com o intuito de esquentar e/ou amolecer os tecidos, acelerando o processo de cura. Também é conhecido por compressa ou cataplasma.                in http://pt.wikipedia.org/wiki/Emplastro

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sem desculpas...

Ah pois é!
O ano lectivo acabou e com ele o meu belíssimo contrato de trabalho. Grunf....
Lá se vai a desculpa de ter trabalho para não arrumar a casa ou passar a ferro... Sim, porque entretanto, também mudei de casa! Entre caixotes e sacos, lá fui escondendo a telha de não ter emprego e consequentemente, não ter ordenado para pagar as despesas no fim do mês.
Durante estes dias andei tão ocupada comigo mesma que me esqueci de stressar com o Di, porque faz ou não faz isto ou aquilo... Andei a passo de corrida, para arrumar tudo e esconder a frustração. Agora ele não quer, exige atenção, com birras monstruosas que me tiram do sério e só me apetece acertar-lhe o passo com 3 palmadas naquele traseiro!!!!! Grita por tudo e por nada, atira-se ao chão, bate com os pés... em casa, na escola, na rua... Até fez progressos, em termos de vocabulário! Mas parece que regrediu em tudo o resto, parece que está pior do que estava há 6 meses...


Estou cansada...
Estou farta...
Estou desanimada e desiludida... Comigo e com o mundo.
Só queria... sei lá o que é que queria!
Só queria não ter inveja... (sim, porque eu também admito ter inveja!)

Lá chegarei, quem sabe... um dia...
Tenho que falar... senão dou em doida!

Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.

Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...

E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita...
comentários, agradecem-se!