Prometi à minha amiga Raquel e a mim própria que não voltava a pesquisar na net sobre autismo e afins. Para quem já tem o
bichinho atrás da orelha, é meio caminho andado para ver sinais disto ou daquilo em todo o lado... Ora, estando eu medicada e muito mais calma em relação ao garoto, eis que dou por mim em plana autoestrada da informação em busca de sinais de Asperger e outros que tais. Não fiz por mal... O que é certo é que não o devia ter feito!!! Já vejo autismo em todo o lado outra vez... mas desta vez consigo ver mais do que isso: vejo o contrário de autismo também! Todos os locais por onde andei referem o mesmo:
- Asperger's não têm atraso de linguagem;
- Autistas têm dificuldade em manter contacto ocular;

- Têm uma grande dificuldade em interpretar expressões faciais;
- Não procuram conforto frequentemente;
- Preferem o sossego de um canto em relação à agitação da multidão.
Também é verdade que encontrei muito mais características onde enquadro o Diogo, certo. Ele apresenta muitos dos sinais de alarme... mas também faz coisas que meninos muito mais velhos não fazem (contar ou identificar letras).É certo que a linguagem só agora está a começar a crescer, mas... ele olha-me sempre nos olhos, especialmente quando quer brincadeira! Ele sabe perfeitamente quando eu estou zangada com ele, basta olhar para a minha cara e também sabe quando estou pronta para brincar com ele! Passa o tempo a brincar mas de vez em quando vem ter comigo ou com o pai (ou com qualquer pessoa que esteja a jeito: no outro dia foi o funcionário da TMN!) e diz "Colo" ou "Colito" (esta derrete-me) e ajeita-se durante um minuto ou dois no nosso colo, como se fizesse parte dele, como uma peça de encaixe... e depois volta alegremente para o que estava a fazer. É certo que não gosta de muito barulho, mas no recreio não o vejo encolhido num canto! Não, anda a correr no meio dos outros, por vezes sujeito a encontrões no meio da correria... certo que não brinca com os outros meninos, mas também não foge!
E agora pergunto: como é que é possível alguém chegar a um diagnóstico disto ou daquilo se cada miúdo é um miúdo? Não há dois iguais e cada caso é um caso! E como é que é suposto, nós pais, vivermos num conjunto crescente de incertezas? Como é que se vive com isto? Já sei que estou a ser parva: há no Mundo milhares de pessoas que desejariam estar no meu lugar, com um filho diferente em vez de um filho doente
(e desculpa I. se leres isto, o teu sofrimento não se compara a nada disto e nem é minha intenção comparar) mas não o consigo evitar...
O meu medo continua a ser o mesmo: sofrer todos os dias por algo que não sei como vai evoluir, medo de não fazer o suficiente ou de estar a fazer de mais, presa por ter cão e presa por não ter...