"Então o garoto já vai fazer 6 anos e ainda não lhe deram as vacinas dos 5?"... perguntou a nossa (fantástica!) pediatra na consulta de acompanhamento.
Pânico.
Fui ao Centro de Saúde na 6ª feira de manhã, tentar explicar que iria ser muito difícil segurar o Diogo porque ele tem muita força e muito mau feitio. Ficou combinado para essa tarde... e nem eu nem o pai conseguimos pensar em mais nada. A cena das urgências pré-internamento do ano passado passava vezes sem conta pelos meus olhos... Só conseguia ver sangue e pessoas a agarrar e apertar o meu pequeno...
Felizmente ainda há gente com boa vontade e na 6ª feira à tarde tínhamos não duas, mas três enfermeiras bestiais, sem bata à nossa espera. O gaiato até entrou na sala pensando inocentemente que ia puxar o autoclismo na casa de banho... mas quando a porta se fechou, percebeu que alguma coisa não estava a correr bem para o lado dele.
Alguns gritos, muitas tentativas de abrir a porta, uma birra chorosa... sentei-o ao meu colo, abracei-o com força enquanto o pai segurava as pernas e, em simultâneo, levou uma vacina em cada braço! Sim, duas vacinas!!!
Estão a ver a cena? Imaginam o que aconteceu a seguir?
Não. Não houve um meltdown apocalíptico, nem uma sessão de auto agressão, muito menos um descontrolo total... No momento em que as duas agulhas se afastaram dos braços dele o Diogo só disse:
"Xixi? Casa de banho?"... e saiu alegremente em busca da casa de banho com o pai.
E eu fiquei na sala de vacinas, atónita... e quando as enfermeiras me dizem: "Então Daniela? O rapaz portou-se tão bem! Para que eram esses nervos todos?" é que me apercebi que as torneiras se tinham aberto e eu estava a chorar como há muito não faço...
Acho que esta sensação de pânico não vai passar nunca. Vou estar sempre com o coração apertado, todos os dias, em todas as situações, em todos os momentos... Mas sei que tenho um filho maravilhoso que vai continuar a surpreender-me muito e a fazer-me muito orgulhosa...
AH! Visitem a página das Mães Especiais no Facebook, algo que já havia vontade de fazer mas ainda não tínhamos tido coragem :)
As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
As férias!
Eu sei, eu sei... sou uma amiga desnaturada que não tem dito nada...
Ainda estou em modo-adaptação à rotina...
O Diogo esteve em casa desde Julho. Não houve grandes saídas, apenas uma semana de férias numa casa de bonecas. Não acreditam? :) Pertinho da praia, isolada do resto do mundo, foi o paraíso!
O Diogo adorou a casinha castanha, a Mia andava deliciada e nós descansámos! E mais! Todos os dias o piolho pediu: "praia? água?" Que diferença do ano passado!!!
Durante uma semana inteira, nada de birras nem stress. Mostrou-nos que sabia cada vez mais palavras em inglês (bendito tablet!): cores, partes do corpo, números, alguns opostos, tudo em contexto!
Apenas uma vez tentámos ir a um jardim com parque infantil, que estava cheio de meninos e pais e correu muito bem, até ... Um dos pequenos começou a perseguir o Diogo e a impedir a passagem dele no escorrega. Tudo sob o olhar atento e algo orgulhoso do pai. O meu filho ignorava-o e isso parecia irritar o garoto... Nós estávamos atentos, claro! Quando o Diogo decidiu ir para o baloiço, adivinhem quem já lá estava? Pois... E sabem o que aconteceu a seguir? O Diogo começou a chorar e a gritar que queria o baloiço. E nem o puto nem o pai se moveram das suas posições...
Não queria que o puto saísse: é uma criança e tem tanto direito de estar ali como o Diogo. Mas incomodou-me a postura do pai, que mesmo vendo que o Diogo não era igual aos outros meninos não interveio.
Resultado: o Diogo saiu em braços, a espernear e a gritar, e o outro menino continuou calmamente no baloiço... Daqui a uns anos provavelmente será mais um bully, que se aproveitará dos mais fracos e indefesos para recalcar todas as falhas da educação parental. O pai dele será atirado para um lar assim que der trabalho e será visitado sempre que o ordenado não chegar ao final do mês...
Estou a ser má, eu sei... mas custa-me pensar que pode haver meninos diferentes na mesma escola ou na mesma sala que esta criança... espero estar errada e naquele dia o pai estava distraído com qualquer coisa e não se apercebeu de nada.
Obrigada ao pessoal da casinha castanha: Lurdes, Mário, Filipa e à simpática Joana, voltamos um dia destes!
Ainda estou em modo-adaptação à rotina...
O Diogo esteve em casa desde Julho. Não houve grandes saídas, apenas uma semana de férias numa casa de bonecas. Não acreditam? :) Pertinho da praia, isolada do resto do mundo, foi o paraíso!
O Diogo adorou a casinha castanha, a Mia andava deliciada e nós descansámos! E mais! Todos os dias o piolho pediu: "praia? água?" Que diferença do ano passado!!!
Durante uma semana inteira, nada de birras nem stress. Mostrou-nos que sabia cada vez mais palavras em inglês (bendito tablet!): cores, partes do corpo, números, alguns opostos, tudo em contexto!
Apenas uma vez tentámos ir a um jardim com parque infantil, que estava cheio de meninos e pais e correu muito bem, até ... Um dos pequenos começou a perseguir o Diogo e a impedir a passagem dele no escorrega. Tudo sob o olhar atento e algo orgulhoso do pai. O meu filho ignorava-o e isso parecia irritar o garoto... Nós estávamos atentos, claro! Quando o Diogo decidiu ir para o baloiço, adivinhem quem já lá estava? Pois... E sabem o que aconteceu a seguir? O Diogo começou a chorar e a gritar que queria o baloiço. E nem o puto nem o pai se moveram das suas posições...
Não queria que o puto saísse: é uma criança e tem tanto direito de estar ali como o Diogo. Mas incomodou-me a postura do pai, que mesmo vendo que o Diogo não era igual aos outros meninos não interveio.
Resultado: o Diogo saiu em braços, a espernear e a gritar, e o outro menino continuou calmamente no baloiço... Daqui a uns anos provavelmente será mais um bully, que se aproveitará dos mais fracos e indefesos para recalcar todas as falhas da educação parental. O pai dele será atirado para um lar assim que der trabalho e será visitado sempre que o ordenado não chegar ao final do mês...
Estou a ser má, eu sei... mas custa-me pensar que pode haver meninos diferentes na mesma escola ou na mesma sala que esta criança... espero estar errada e naquele dia o pai estava distraído com qualquer coisa e não se apercebeu de nada.
Obrigada ao pessoal da casinha castanha: Lurdes, Mário, Filipa e à simpática Joana, voltamos um dia destes!
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Eu ODEIO ir às compras ao Domingo de manhã...
Eu ODEIO ir às compras ao domingo de manhã. Odeio mesmo, pronto. Pois... mas quando tem que ser... e o que tem que ser tem muita força, não é?
Domingo, manhã, hipermercado, compras... grunf.
Odeio quase tudo em ir às compras ao domingo. As madames reformadas de uma classe social alta que já não existe (mas elas ainda não sabem) que bebericam delicadamente a meia-de leite enquanto o pessoal passa a correr cheio de carrinhos, as filas de 20 minutos para pagar um único artigo, o pessoal que apalpa a fruta toda para não levar nada, a lentidão das funcionárias que preferiam estar ainda na cama, a malta que vem à cidade uma vez por semana com os seus fatos domingueiros para fazer as compras por atacado e que entopem os corredores, enfim...
Nesta altura do ano há mais um motivo para eu odiar as compras ao domingo de manhã: os camones, os avecs e toda uma enchente de migrantes que veio passar uns dias à terra com a família e aproveitam para exibir os seus cortes de cabelo modernos e roupas extravagantes. Não odiaria a sua presença se não fizessem questão de mostrar, bem alto, que moram lá fora: "Frédéric, fait attention! Anda cá, não me ouves chamar?". Isso e porque quase sempre encravam os cartões multibanco no pagamento. Ou porque se esquecem de pesar a fruta. Ou pior, porque as maçãs que levam não são mangas como diz a etiqueta que eles próprios colaram no saco. E porque eu, normalmente, estou a seguir na fila, à espera... Já disse que odeio compras ao Domingo de manhã, não já?
Pois, este domingo lá andava eu, às compras, no hiper, cheia de vontade e cantando alegremente. (Sim, claro, tal e qual...)
Depois de ter que me desviar um monte de vezes de gente que fica horas à conversa entre os iogurtes e os congelados, ou entre os ovos e a manteiga, de me ter escangalhado a rir, (para dentro claro!), da indumentária escolhida por alguém para ir às compras e de tantas outras aventuras, eis que me encontro na secção dos brinquedos. Sim, ida a hipermercado tem obrigatoriamente paragem nos brinquedos. A prova disso são as toneladas de jogos e afins que o Diogo tem... tenho sempre a esperança que seja aquele brinquedo a fazer o click, porque não? Ingénua, eu sei...
Desta vez, andava eu perdida entre puzzles e jogos de encaixe, e vi um miúdo, com os seus 8 ou 9 anos com o pai. A conversa, ou melhor, a discussão, era em português fluido, sobre um determinado brinquedo (um Gormiti ou coisa do género). Passei de fininho, completamente invisível às duas personagens mas deu para ouvir uma choraminguice de birra que me deixou a pensar:
"Tu prometeste, pai! Tu prometeste que me compravas! Compra! Vá lá! Nunca cumpres o que prometes! Não tenho nada para brincar!És sempre a mesma coisa..."
Ok.
Não sei o que me chocou mais: se a birra de um puto grande e gordo por causa de um brinquedo, se a perfeita impavidez do progenitor paterno ao ser acusado de mentiroso e mau pai. O que é certo é que fugi dali... e a única coisa que me passou pela cabeça foi: pelo menos o Diogo não faz birras daquelas, ufa! Que cena!
E 30 segundos depois apercebi-me: o Diogo não faz birras daquelas, de pedir brinquedos, de me acusar de não comprar... porque o Diogo não é igual aos outros meninos. E isso, por incrível que pareça, continua a magoar-me, apesar de o aceitar tal como é e de o amar incondicionalmente. A mente humana faz cada uma, ãh?
Atribuí o mau humor do resto do dia ao facto de ter sido obrigada a ir às compras a um Domingo de manhã, claro.
O que é certo, é que eu odeio ir às compras ao Domingo de manhã... coiso.
Domingo, manhã, hipermercado, compras... grunf.
Odeio quase tudo em ir às compras ao domingo. As madames reformadas de uma classe social alta que já não existe (mas elas ainda não sabem) que bebericam delicadamente a meia-de leite enquanto o pessoal passa a correr cheio de carrinhos, as filas de 20 minutos para pagar um único artigo, o pessoal que apalpa a fruta toda para não levar nada, a lentidão das funcionárias que preferiam estar ainda na cama, a malta que vem à cidade uma vez por semana com os seus fatos domingueiros para fazer as compras por atacado e que entopem os corredores, enfim...
Nesta altura do ano há mais um motivo para eu odiar as compras ao domingo de manhã: os camones, os avecs e toda uma enchente de migrantes que veio passar uns dias à terra com a família e aproveitam para exibir os seus cortes de cabelo modernos e roupas extravagantes. Não odiaria a sua presença se não fizessem questão de mostrar, bem alto, que moram lá fora: "Frédéric, fait attention! Anda cá, não me ouves chamar?". Isso e porque quase sempre encravam os cartões multibanco no pagamento. Ou porque se esquecem de pesar a fruta. Ou pior, porque as maçãs que levam não são mangas como diz a etiqueta que eles próprios colaram no saco. E porque eu, normalmente, estou a seguir na fila, à espera... Já disse que odeio compras ao Domingo de manhã, não já?
Pois, este domingo lá andava eu, às compras, no hiper, cheia de vontade e cantando alegremente. (Sim, claro, tal e qual...)
Depois de ter que me desviar um monte de vezes de gente que fica horas à conversa entre os iogurtes e os congelados, ou entre os ovos e a manteiga, de me ter escangalhado a rir, (para dentro claro!), da indumentária escolhida por alguém para ir às compras e de tantas outras aventuras, eis que me encontro na secção dos brinquedos. Sim, ida a hipermercado tem obrigatoriamente paragem nos brinquedos. A prova disso são as toneladas de jogos e afins que o Diogo tem... tenho sempre a esperança que seja aquele brinquedo a fazer o click, porque não? Ingénua, eu sei...
Desta vez, andava eu perdida entre puzzles e jogos de encaixe, e vi um miúdo, com os seus 8 ou 9 anos com o pai. A conversa, ou melhor, a discussão, era em português fluido, sobre um determinado brinquedo (um Gormiti ou coisa do género). Passei de fininho, completamente invisível às duas personagens mas deu para ouvir uma choraminguice de birra que me deixou a pensar:
"Tu prometeste, pai! Tu prometeste que me compravas! Compra! Vá lá! Nunca cumpres o que prometes! Não tenho nada para brincar!És sempre a mesma coisa..."
Ok.
Não sei o que me chocou mais: se a birra de um puto grande e gordo por causa de um brinquedo, se a perfeita impavidez do progenitor paterno ao ser acusado de mentiroso e mau pai. O que é certo é que fugi dali... e a única coisa que me passou pela cabeça foi: pelo menos o Diogo não faz birras daquelas, ufa! Que cena!
E 30 segundos depois apercebi-me: o Diogo não faz birras daquelas, de pedir brinquedos, de me acusar de não comprar... porque o Diogo não é igual aos outros meninos. E isso, por incrível que pareça, continua a magoar-me, apesar de o aceitar tal como é e de o amar incondicionalmente. A mente humana faz cada uma, ãh?
Atribuí o mau humor do resto do dia ao facto de ter sido obrigada a ir às compras a um Domingo de manhã, claro.
O que é certo, é que eu odeio ir às compras ao Domingo de manhã... coiso.
terça-feira, 31 de julho de 2012
As férias... ou melhor, os dias na praia
Ninguém merece.
Há sei lá quanto tempo que não fazíamos férias... ou o €€€ anda demasiado curto, ou não há condições físicas, ou sei lá o quê.
Este ano decidimos fazer praia. Escolhemos com calma, ponderando todos os possíveis cenários e diferentes variáveis, já que para além de ter que ser um local sossegado, tinha que ter condições para levarmos a Mia. Lá encontrámos e lá fomos.
{suspiro}
A viagem correu bem, a casa até era porreira e a zona fantástica. O Diogo andava agitado mas pensei que fosse da mudança de ares. Perguntei se queria ir à praia, ficou todo entusiasmado e lá fomos ao final da tarde do primeiro dia. Brincou com a areia e até molhou os pés!
A partir desse momento entrou numa espiral de ansiedade e nervosismo. Começou a bater na cara dele e na nossa... tive que ir à farmácia comprar uma pomada para lhe besuntar a cara porque está cheia de nódoas negras! E não, não estou a exagerar... tem as bochechas cheias de hematomas, a alastrar para os olhos... e se houver alguma coisa à mão, serve como arma de arremesso! Cada vez que se enerva, bate na cara e se lhe dizemos para não o fazer, piora e descontrola-se completamente...
As birras, ou melhor, os meltdowns, tornaram-se cada vez mais violentos e barulhentos. Em casa dizia sempre que "quero praia, brincar areia" mas ao chegar lá, não queria sair do carro. Optámos por mostrar a praia de manhã e se ele não quisesse sair do carro íamos dar uma volta de carro e tentávamos mais tarde. Conseguimos sentá-lo na areia 3 ou 4 vezes (brinquedos novos!) e invariavelmente passado algum tempo lá vinha ele dizer "vamos embora"... e nós íamos. Sim, porque se ele começava aos gritos na areia o espectáculo podia ser ouvido a centenas de metros de distância! Numa das vezes o pai pegou nele e fugiu do areal, enquanto eu recolhia as tralhas... e como fiquei para trás pude ouvir as diferentes pérolas cagadas pelos ignorantes esparramados ao céu nublado (sim, porque sol foi só quando me vim embora!)... a única coisa que posso dizer em relação a isso é... {som agudo e constante enquanto expresso a minha opinião sobre esta gente...}
Resultado: 7 dias de stress, pouca praia, frio e alguma chuva. A gata dormia debaixo de um cobertor (mas essa também não bate bem da bola!) e nós andávamos de casaco. Viemos embora antes do que tínhamos planeado porque estava farta de gritos e tinha ataques de choro constantes. AH! E escusado será dizer que desisti (outra vez) do desfralde! Nem passa perto da casa de banho!!!!!
Cantou e riu durante a viagem de regresso. Em casa esteve bem até ser contrariado e voltou tudo ao mesmo...
Valeram-nos os bivalves, os caranguejos-eremitas e a Mimosa pudica L.
Sim, vamos procurar ajuda brevemente...
Há sei lá quanto tempo que não fazíamos férias... ou o €€€ anda demasiado curto, ou não há condições físicas, ou sei lá o quê.
Este ano decidimos fazer praia. Escolhemos com calma, ponderando todos os possíveis cenários e diferentes variáveis, já que para além de ter que ser um local sossegado, tinha que ter condições para levarmos a Mia. Lá encontrámos e lá fomos.
{suspiro}
A viagem correu bem, a casa até era porreira e a zona fantástica. O Diogo andava agitado mas pensei que fosse da mudança de ares. Perguntei se queria ir à praia, ficou todo entusiasmado e lá fomos ao final da tarde do primeiro dia. Brincou com a areia e até molhou os pés!
A partir desse momento entrou numa espiral de ansiedade e nervosismo. Começou a bater na cara dele e na nossa... tive que ir à farmácia comprar uma pomada para lhe besuntar a cara porque está cheia de nódoas negras! E não, não estou a exagerar... tem as bochechas cheias de hematomas, a alastrar para os olhos... e se houver alguma coisa à mão, serve como arma de arremesso! Cada vez que se enerva, bate na cara e se lhe dizemos para não o fazer, piora e descontrola-se completamente...
As birras, ou melhor, os meltdowns, tornaram-se cada vez mais violentos e barulhentos. Em casa dizia sempre que "quero praia, brincar areia" mas ao chegar lá, não queria sair do carro. Optámos por mostrar a praia de manhã e se ele não quisesse sair do carro íamos dar uma volta de carro e tentávamos mais tarde. Conseguimos sentá-lo na areia 3 ou 4 vezes (brinquedos novos!) e invariavelmente passado algum tempo lá vinha ele dizer "vamos embora"... e nós íamos. Sim, porque se ele começava aos gritos na areia o espectáculo podia ser ouvido a centenas de metros de distância! Numa das vezes o pai pegou nele e fugiu do areal, enquanto eu recolhia as tralhas... e como fiquei para trás pude ouvir as diferentes pérolas cagadas pelos ignorantes esparramados ao céu nublado (sim, porque sol foi só quando me vim embora!)... a única coisa que posso dizer em relação a isso é... {som agudo e constante enquanto expresso a minha opinião sobre esta gente...}
Resultado: 7 dias de stress, pouca praia, frio e alguma chuva. A gata dormia debaixo de um cobertor (mas essa também não bate bem da bola!) e nós andávamos de casaco. Viemos embora antes do que tínhamos planeado porque estava farta de gritos e tinha ataques de choro constantes. AH! E escusado será dizer que desisti (outra vez) do desfralde! Nem passa perto da casa de banho!!!!!
Cantou e riu durante a viagem de regresso. Em casa esteve bem até ser contrariado e voltou tudo ao mesmo...
Valeram-nos os bivalves, os caranguejos-eremitas e a Mimosa pudica L.
Sim, vamos procurar ajuda brevemente...
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Os tipos de birras
Todas as crianças fazem birras. Bem, agora que penso nisso, todos os adultos também, apesar de alguns não o admitirem!
No entanto, as birras não são todas iguais. Quem não tem filhos não entende uma birra. E para quem não tem filhos diferentes, ver uma birra de uma criança autista pode ser um misto de emoções, que vão desde o desprezo pelos pais que não conseguem segurar a criança até mesmo à vontade de participar na "luta" e pregar dois tabefes à criança para ensinar aos pais como se faz. Mas como distinguir?
Passo a explicar: uma birra dita "normal" aparece normalmente quando negamos qualquer coisa a uma criança. Se prestarmos atenção, a criança olha disfarçadamente para avaliar a reacção dos pais à birra e tem cuidado para não se magoar durante o processo. Se for num local público, melhor, já que as crianças entendem que os pais resolverão a situação mais rápido para evitar constrangimentos. Podem incluir suster a respiração até ficarem roxos, espernear no chão e uma gritaria desalmada! Normalmente a birra pára com a mesma naturalidade com que começou e deixa nos pais a sensação nítida de que foram manipulados. E foram...
Nas crianças autistas também aparecem as birras normais. Mas frequentemente estas atingem um determinado patamar e a criança tem dificuldade em parar. Durante uma destas birras (a que os americanos chamam meltdown) a criança não olha para ver a reacção do que está a fazer e não se preocupa com a própria segurança. Isto implica que muitas vezes a criança bate com a cabeça no chão e pode bater em móveis ou outros objectos e magoar-se a sério. A perda de controlo é total e é independente do local e da "plateia".
Cá em casa, estas birras são frequentes. São situações frustrantes, porque não há nada que se possa fazer para acalmar a peste. Nada funciona: abraço, carinho, palmada, distrair para outra coisa, nada... Parece um cenário de guerra: é muito barulhento, há coisas a voar, tenho vontade de bater em alguém e uma sensação de desespero misturada com frustração crescente. Acabam normalmente após 45 minutos (mínimo, já conseguimos o record de 2 horas nisto), com todos exaustos e com lágrimas à mistura.
Foi com alguma surpresa, ou talvez não, que encontrei cartões de birra autista na net. Alguém teve a "brilhante" ideia de imprimir cartões de sensibilização, que entrega durante uma birra a quem fica feito PARVO a olhar para os putos aos gritos. Claro que alguns são pagos, o que quer dizer que é mais uma maneira de ganhar dinheiro à custa dos pais que têm tão pouco onde gastar dinheiro...
No entanto, as birras não são todas iguais. Quem não tem filhos não entende uma birra. E para quem não tem filhos diferentes, ver uma birra de uma criança autista pode ser um misto de emoções, que vão desde o desprezo pelos pais que não conseguem segurar a criança até mesmo à vontade de participar na "luta" e pregar dois tabefes à criança para ensinar aos pais como se faz. Mas como distinguir?
Passo a explicar: uma birra dita "normal" aparece normalmente quando negamos qualquer coisa a uma criança. Se prestarmos atenção, a criança olha disfarçadamente para avaliar a reacção dos pais à birra e tem cuidado para não se magoar durante o processo. Se for num local público, melhor, já que as crianças entendem que os pais resolverão a situação mais rápido para evitar constrangimentos. Podem incluir suster a respiração até ficarem roxos, espernear no chão e uma gritaria desalmada! Normalmente a birra pára com a mesma naturalidade com que começou e deixa nos pais a sensação nítida de que foram manipulados. E foram...
Nas crianças autistas também aparecem as birras normais. Mas frequentemente estas atingem um determinado patamar e a criança tem dificuldade em parar. Durante uma destas birras (a que os americanos chamam meltdown) a criança não olha para ver a reacção do que está a fazer e não se preocupa com a própria segurança. Isto implica que muitas vezes a criança bate com a cabeça no chão e pode bater em móveis ou outros objectos e magoar-se a sério. A perda de controlo é total e é independente do local e da "plateia".
Cá em casa, estas birras são frequentes. São situações frustrantes, porque não há nada que se possa fazer para acalmar a peste. Nada funciona: abraço, carinho, palmada, distrair para outra coisa, nada... Parece um cenário de guerra: é muito barulhento, há coisas a voar, tenho vontade de bater em alguém e uma sensação de desespero misturada com frustração crescente. Acabam normalmente após 45 minutos (mínimo, já conseguimos o record de 2 horas nisto), com todos exaustos e com lágrimas à mistura.
Foi com alguma surpresa, ou talvez não, que encontrei cartões de birra autista na net. Alguém teve a "brilhante" ideia de imprimir cartões de sensibilização, que entrega durante uma birra a quem fica feito PARVO a olhar para os putos aos gritos. Claro que alguns são pagos, o que quer dizer que é mais uma maneira de ganhar dinheiro à custa dos pais que têm tão pouco onde gastar dinheiro...
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Birras e afins...
Num tá fácil, gente!
Já não sei o que fazer mais... o Diogo está numa daquelas fases em que só grita, só reclama, só esperneia... ou porque quer comer, ou porque não quer comer, ou porque tem sono, ou porque quer brincar com outra coisa, ou porque está farto de brincar com o que tem, ou porque lhe apetece... grita quando corre, quando está sentado, quando come, e até enquanto dorme.
Sei lá, no meu cérebro já só ouço gritos e só me apetece gritar de volta! É claro que quanto mais eu grito, mais ele grita também. Grunf.
A dúvida que paira sobre mim é: é birra? Como é que eu sei se ele grita só para atingir aquilo que quer ou se há mesmo qualquer coisa que não está bem?
Noto que ele anda nervoso: morde os lábios, bate incessantemente nas coisas (e nele próprio) e recomeçou o esfreganço no chão... na escola dizem que está tudo bem, em casa não houve alterações... então, porque? Porque raio de razão é que os putos de repente se alteram desta forma? E mais importante ainda, O QUE É QUE EU FAÇO PARA O ACALMAR? AAAAHHHHH! Ok, pronto, já passou.
Sou contra a medicação em garotos desta idade, a não ser que eles ponham em risco a própria saúde ou a dos outros. Ponto. Mas há dias em que...
Já ando a chá calmante. Para além da ginástica duas vezes por semana, vou correr quando posso. Quem sabe se eu estiver cansada, não grite com ele e ele não acalma também? Cansada, fisicamente claro, que de resto...
Já não sei o que fazer mais... o Diogo está numa daquelas fases em que só grita, só reclama, só esperneia... ou porque quer comer, ou porque não quer comer, ou porque tem sono, ou porque quer brincar com outra coisa, ou porque está farto de brincar com o que tem, ou porque lhe apetece... grita quando corre, quando está sentado, quando come, e até enquanto dorme.
Sei lá, no meu cérebro já só ouço gritos e só me apetece gritar de volta! É claro que quanto mais eu grito, mais ele grita também. Grunf.
A dúvida que paira sobre mim é: é birra? Como é que eu sei se ele grita só para atingir aquilo que quer ou se há mesmo qualquer coisa que não está bem?
Noto que ele anda nervoso: morde os lábios, bate incessantemente nas coisas (e nele próprio) e recomeçou o esfreganço no chão... na escola dizem que está tudo bem, em casa não houve alterações... então, porque? Porque raio de razão é que os putos de repente se alteram desta forma? E mais importante ainda, O QUE É QUE EU FAÇO PARA O ACALMAR? AAAAHHHHH! Ok, pronto, já passou.
Sou contra a medicação em garotos desta idade, a não ser que eles ponham em risco a própria saúde ou a dos outros. Ponto. Mas há dias em que...
Já ando a chá calmante. Para além da ginástica duas vezes por semana, vou correr quando posso. Quem sabe se eu estiver cansada, não grite com ele e ele não acalma também? Cansada, fisicamente claro, que de resto...
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Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.
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E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita... comentários, agradecem-se!
Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.
Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...
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