As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

De coração cheio!

Em 2013 perdi o medo do bicho-autismo: fiz uma apresentação cheia de Pocoyo e lá fui eu ensinar a um monte de garotos como ser diferente não importa nada. Desde essa altura, já enviei mais de sei-lá-quantos emails com o Powerpoint a educadores, professores e pais que por sua vez a usaram como base para as suas próprias apresentações.

Tenho recebido algum feedback destas apresentações e sei que têm corrido muito bem. Mas ontem chegou-me isto, enviado pelo Pai Paulo que pertence à APEE - Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica nrº12 - Amoreiras, em Setúbal:

 

Não tenho outra forma de dizer isto: estou de coração cheio. Fico tão feliz por ver que a mensagem está a chegar às escolas e aos miúdos! Fico tão feliz de ver pais que sabem o que é o autismo porque vivem com ele ganhar coragem e falar mais alto, falar pelos nossos meninos diferentes! É isto que realmente importa
Sei que o Paulo acabou o dia cansado e com a voz a doer, mas também sei que acabou o dia com a sensação de dever cumprido. E é tão bom quando nos sentimos assim.
Obrigada Paulo e obrigada APEE da Escola Básica nrº12 - Amoreiras.
De coração.
Força, estamos juntos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Um dia AZUL diferente

O dia 2 já passou. Muito se falou de autismo, quer em Portugal, quer lá fora. Muitas reportagens, muitas notícias, muitos monumentos iluminados de azul... e ainda bem, fiquei feliz por saber que de ano para ano, mais pessoas perguntam o que é o autismo e até vestem uma peça de roupa azul para mostrar que estão solidários com os autistas e suas famílias. Afinal, há esperança para esta sociedade habituada a olhar apenas para o próprio umbigo!

Aqui, em Castelo Branco, o dia azul também se celebrou. Muitas pessoas vestiram de azul e eu lá fui, pronta a dar o meu contributo. O dia começou vestindo azul, eu e os meus homens (a gata disse que não combinava com os olhos dela, mas estava vestida de azul por dentro, que é fina!) com umas t-shirts maravilhosas que a minha amiga Cláudia se lembrou de fazer (obrigada amiga, és o máximo!).


À nossa espera já estavam a amiga Maria João (que passou o dia comigo, a ouvir as mesmas coisas vezes sem fim: obrigada!) e as colegas do Departamento de Ensino Especial, do agrupamento de escolas Afonso de Paiva. Tudo a postos para falar sobre autismo!!! E não muito depois, começaram a chegar os primeiros pequenos ouvintes...

Antes que eu desse por isso, estávamos todos aos pulos! Cantámos, dançámos (viva a Galinha Pintadinha!) e falámos sobre ser diferente e como isso não importava nada!
E quando estes meninos saíram, chegaram outros tantos... e depois mais outros!
Todos levaram o folheto para casa, com a missão de explicar aos pais o que é ser diferente e o que é ser autista (ou "altista"!)
 
O tempo voou num instante e no final do dia ainda houve tempo para uma surpresa azul, para mim!

Escusado será dizer que o sentimento de dever cumprido era igual ao cansaço acumulado durante o dia... mas após uma boa noite de sono (o que é raro cá em casa, obrigada filhote!) parti para mais duas apresentações, em escolas que ontem não se puderam deslocar à sede!

Feitas as contas:
- 600 + 150 crianças e respectivos professores e assistentes administrativos (uau!)
- muitas camisolas azuis na rua
- uma grande satisfação por poder participar!

Não estive sozinha. Tenho que agradecer a muita gente...
- Ao agrupamento de escolas Afonso de Paiva, em especial ao Departamento de Ensino Especial e à direcção que ofereceu os folhetos a cores!
- A todos os meninos e meninas que participaram ontem e hoje
- Aos professores e auxiliares que se deslocaram com os meninos e àquelas que nos receberam tão bem hoje
- Às "minhas mães" que puderam estar presentes a dar apoio, Cláudia e Maria João e à M. que está longe mas muito perto <3
- E claro, ao sr coordenador do projecto de Educação para a Saúde, sr meu marido, que correu escada acima, escada abaixo sei-lá-quantas-vezes para confirmar se estava tudo bem. Coiso.

E sabem que mais? Perder o medo de falar sobre autismo em voz alta foi a melhor coisa que me podia ter acontecido! Ganhei como mãe, como professora e como pessoa!
E não pensem que fico por aqui, na-da-di-sso!!! Já há convites para mais uma rodada de sessões, em outras escolas da cidade! E eu vou, sempre que possível! Com muito gosto... :)




























 

 



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A mãe, a escolinha, os meninos e o autismo

Ontem foi dia de sensibilização para o Autismo. Fotocopiei os folhetos para os pais e os folhetos para os pais lerem aos filhos e fiz uma pequena apresentação em Powerpoint para mostrar aos meninos da sala do Diogo.

Imaginem as caras dos pequenos, todos sentadinhos na mantinha, em frente à mãe do Diogo e uma apresentação com Pocoyo. Conseguem? Boa!

Depois, fui falando com eles sobre aquilo que gostam e não gostam, para lhes mostrar que nem todos gostam das mesmas coisas, porque somos todos diferentes! Foi muito engraçado ver as reacções deles ao encadeamento de ideias que eu fui mostrando! Consegui assim introduzir o conceito de diferente, mostrando que há pessoas que não conseguem andar, ver ou ouvir, mas que não deixam de ser pessoas por ser diferentes. A altura para falar sobre autismo era perfeita: estavam todos com atenção e expliquei que  os meninos e meninas autistas têm dificuldade em comunicar e interpretar emoções, para além de poderem apresentar alguns comportamentos estranhos. Como é que se faz isso com crianças de 4 e 5 anos? Fácil! Basta pedir que imaginem que vão numa viagem a um planeta distante e quando chegam lá, os habitantes desse planeta falam com eles, mas eles não os conseguem entender. Olham para as suas caras e não sabem se estão tristes ou contentes. Perguntei como achavam que se iam sentir e todos disseram que ficavam tristes e zangados. Perfeito! Tendo percebido o conceito de frustração, foi fácil mostrar um pouco do mundo dos autistas, desde as birras aos interesses restritos. Foquei que era muito importante não gozar com esses meninos, porque apesar de serem diferentes, também têm sentimentos, tal como eles.

Os meninos participaram muito, fiquei encantada. Durante a apresentação não falei no Diogo mas perguntei várias vezes se conheciam alguém diferente, que não brincasse com eles ou gritasse muito. Não, não conhecemos. Houve um que disse que tem um vizinho que não fala muito...
Uau.
Em ponto nenhum eles referiram o Diogo como sendo diferente deles. Isso fez-me borboletas na barriga. E quando no final, já com o computador desligado, falei que o Diogo era autista, porque era diferente deles, eles não deram importância porque o Diogo faz parte do mundinho deles.

 Perguntei o que era mais importante, de tudo o que disse e mostrei e uma coleguinha dele, do alto da sabedoria dos seus 5 anos disse: "Não devemos gozar com as características dos outros, porque não devemos fazer aos outros o que não gostávamos que nos fizessem a nós". Dei-lhe um beijo, missão cumprida. Ainda há esperança para a humanidade!!!!


Ficaram de ser eles a explicar aos pais o que era autismo, quando levassem os folhetos no final do dia.Sei que fizeram perguntas depois de eu sair e  no parque, depois disto, perguntaram ao Diogo se queria correr com eles, porque é aquilo que ele gosta de fazer.

Muito obrigada a quem participou, principalmente ao pai, que não queria ir mas foi. Obrigada às meninas grandes da sala, por terem permitido que eu entrasse e alterasse o dia delas e por estarem sempre presentes quando nós precisamos.

Aqui ficam os folhetos e o PowerPoint, em pdf. Ficam à disposição de quem quiser e tiver coragem de os usar. Se quiserem as versões editáveis (.docx e .pptx), para poderem alterar alguma coisa, mandem mail que eu envio.(danielaafs00@gmail.com)

Se conseguirmos alertar os pequenos e os pais para o autismo, quem sabe a sociedade não muda?




Tenho que falar... senão dou em doida!

Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.

Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...

E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita...
comentários, agradecem-se!