As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

De coração cheio!

Em 2013 perdi o medo do bicho-autismo: fiz uma apresentação cheia de Pocoyo e lá fui eu ensinar a um monte de garotos como ser diferente não importa nada. Desde essa altura, já enviei mais de sei-lá-quantos emails com o Powerpoint a educadores, professores e pais que por sua vez a usaram como base para as suas próprias apresentações.

Tenho recebido algum feedback destas apresentações e sei que têm corrido muito bem. Mas ontem chegou-me isto, enviado pelo Pai Paulo que pertence à APEE - Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica nrº12 - Amoreiras, em Setúbal:

 

Não tenho outra forma de dizer isto: estou de coração cheio. Fico tão feliz por ver que a mensagem está a chegar às escolas e aos miúdos! Fico tão feliz de ver pais que sabem o que é o autismo porque vivem com ele ganhar coragem e falar mais alto, falar pelos nossos meninos diferentes! É isto que realmente importa
Sei que o Paulo acabou o dia cansado e com a voz a doer, mas também sei que acabou o dia com a sensação de dever cumprido. E é tão bom quando nos sentimos assim.
Obrigada Paulo e obrigada APEE da Escola Básica nrº12 - Amoreiras.
De coração.
Força, estamos juntos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A mãe, a escolinha, os meninos e o autismo

Ontem foi dia de sensibilização para o Autismo. Fotocopiei os folhetos para os pais e os folhetos para os pais lerem aos filhos e fiz uma pequena apresentação em Powerpoint para mostrar aos meninos da sala do Diogo.

Imaginem as caras dos pequenos, todos sentadinhos na mantinha, em frente à mãe do Diogo e uma apresentação com Pocoyo. Conseguem? Boa!

Depois, fui falando com eles sobre aquilo que gostam e não gostam, para lhes mostrar que nem todos gostam das mesmas coisas, porque somos todos diferentes! Foi muito engraçado ver as reacções deles ao encadeamento de ideias que eu fui mostrando! Consegui assim introduzir o conceito de diferente, mostrando que há pessoas que não conseguem andar, ver ou ouvir, mas que não deixam de ser pessoas por ser diferentes. A altura para falar sobre autismo era perfeita: estavam todos com atenção e expliquei que  os meninos e meninas autistas têm dificuldade em comunicar e interpretar emoções, para além de poderem apresentar alguns comportamentos estranhos. Como é que se faz isso com crianças de 4 e 5 anos? Fácil! Basta pedir que imaginem que vão numa viagem a um planeta distante e quando chegam lá, os habitantes desse planeta falam com eles, mas eles não os conseguem entender. Olham para as suas caras e não sabem se estão tristes ou contentes. Perguntei como achavam que se iam sentir e todos disseram que ficavam tristes e zangados. Perfeito! Tendo percebido o conceito de frustração, foi fácil mostrar um pouco do mundo dos autistas, desde as birras aos interesses restritos. Foquei que era muito importante não gozar com esses meninos, porque apesar de serem diferentes, também têm sentimentos, tal como eles.

Os meninos participaram muito, fiquei encantada. Durante a apresentação não falei no Diogo mas perguntei várias vezes se conheciam alguém diferente, que não brincasse com eles ou gritasse muito. Não, não conhecemos. Houve um que disse que tem um vizinho que não fala muito...
Uau.
Em ponto nenhum eles referiram o Diogo como sendo diferente deles. Isso fez-me borboletas na barriga. E quando no final, já com o computador desligado, falei que o Diogo era autista, porque era diferente deles, eles não deram importância porque o Diogo faz parte do mundinho deles.

 Perguntei o que era mais importante, de tudo o que disse e mostrei e uma coleguinha dele, do alto da sabedoria dos seus 5 anos disse: "Não devemos gozar com as características dos outros, porque não devemos fazer aos outros o que não gostávamos que nos fizessem a nós". Dei-lhe um beijo, missão cumprida. Ainda há esperança para a humanidade!!!!


Ficaram de ser eles a explicar aos pais o que era autismo, quando levassem os folhetos no final do dia.Sei que fizeram perguntas depois de eu sair e  no parque, depois disto, perguntaram ao Diogo se queria correr com eles, porque é aquilo que ele gosta de fazer.

Muito obrigada a quem participou, principalmente ao pai, que não queria ir mas foi. Obrigada às meninas grandes da sala, por terem permitido que eu entrasse e alterasse o dia delas e por estarem sempre presentes quando nós precisamos.

Aqui ficam os folhetos e o PowerPoint, em pdf. Ficam à disposição de quem quiser e tiver coragem de os usar. Se quiserem as versões editáveis (.docx e .pptx), para poderem alterar alguma coisa, mandem mail que eu envio.(danielaafs00@gmail.com)

Se conseguirmos alertar os pequenos e os pais para o autismo, quem sabe a sociedade não muda?




segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Era das tecnologias...

É oficial! O meu filho não liga nenhuma a canetas de feltro, lápis de pintar ou de cera... NAAA! Faz um ou outro risco só para não ter que nos ouvir e deixa os materiais sem lhes ligar nenhuma... É mais uma frustração a juntar a tantas outras, já que todos os dias lá são expostos os trabalhinhos dos coleguinhas e dele, nada (ou uma riscalhada qualquer quando está inspirado!). Ainda pensei que, gostando tanto de letras e números, fosse fácil motivá-lo para a escrita, mas não, não interessa em absoluto.

Agora, se a riscalhada for feita em computador... a coisa muda de figura! Há uns meses que reparei que a terapeuta da fala usava um iPad e que ele gostava de ver as animações e os sons... escusado será dizer que não descansei enquanto não arranjei uma coisa parecida:
Não é um tablet, é um pequeno computador touchscreen. Tem 320 Gb de disco (contra os máximos 64 Gb do Apple), 3 Gb de RAM e corre com o Windows 7, ou seja, faz tudo o que um computador faz. O meu puto A-D-O-R-A! É certo que o iPad tem vantagens, porque utiliza o Android como sistema operativo e as aplicações existentes no mercado são de grande qualidade e interesse (especialmente para quem tem miúdos com dificuldades), mas estou imensamente satisfeita com a nova aquisição (apesar de ter ardido o subsídio de férias, provavelmente o último que receberei na vida...).
O que eu uso com ele: 
  • PowerPoints feitos por nós: animais, objectos, transportes, números, letras... tudo o que eu me lembre que possa servir para aumentar o seu vocabulário.
  • Alguns jogos que "encontrei" na net e que acho que são simples e eficazes, com animações e sons que estimulam a sua atenção e concentração (MerryMotors, Fishdom, Crazy Birds, entre muiitooossss outros....)
  • Jogos online: Chamo a atenção para o Mundo do Pocoyo! Bem, quem ainda não foi com os miúdos a este site, está na hora de perder umas horitas... registem-se na versão gratuita e deliciem-se (sim, os pais também!) com  as dezenas de jogos, filmes, histórias e maravilhas do Pocoyo! Muito fácil e com jogos fantásticos (entre eles identificar os animais pelo som e reciclagem !). Qual Farmville, qual carapuça!!!!
  • e a novidade: BlueStacks! um aplicativo que permitirá (ainda em fase de testes) correr as maravilhosas aplicações para Android num vulgar computador com Windows. Experimentei e estou convencida! O problema é que como ainda está em fase alfa, há poucas aplicações disponíveis mas algumas delas são bastante apelativas. O Diogo adora o "Kids connect the dots", onde ele toca nos números e vão aparecendo as imagens.
Vou fazer uma compilação de sites com conteúdos que possam ajudar pais e filhos a entrar nesta nova era... em que rato, é um animal que gosta de queijo




AH! Escusado será dizer que para o Diogo tudo é touchscreen  cá em  casa agora: os telemóveis, a televisão, o pc do pai, os livros, a porta do frigorífico... :)
Tenho que falar... senão dou em doida!

Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.

Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...

E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita...
comentários, agradecem-se!