As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

As vacinas, o pânico e a choradeira...

"Então o garoto já vai fazer 6 anos e ainda não lhe deram as vacinas dos 5?"... perguntou a nossa (fantástica!) pediatra na consulta de acompanhamento.

Pânico.

Fui ao Centro de Saúde na 6ª feira de manhã, tentar explicar que iria ser muito difícil segurar o Diogo porque ele tem muita força e muito mau feitio. Ficou combinado para essa tarde... e nem eu nem o pai conseguimos pensar em mais nada. A cena das urgências pré-internamento do ano passado passava vezes sem conta pelos meus olhos... Só conseguia ver sangue e pessoas a agarrar e apertar o meu pequeno...

Felizmente ainda há gente com boa vontade e na 6ª feira à tarde tínhamos não duas, mas três enfermeiras bestiais, sem bata à nossa espera. O gaiato até entrou na sala pensando inocentemente que ia puxar o autoclismo na casa de banho... mas quando a porta se fechou, percebeu que alguma coisa não estava a correr bem para o lado dele.
Alguns gritos, muitas tentativas de abrir a porta, uma birra chorosa... sentei-o ao meu colo, abracei-o com força enquanto o pai segurava as pernas e, em simultâneo, levou uma vacina em cada braço! Sim, duas vacinas!!!

Estão a ver a cena? Imaginam o que aconteceu a seguir?

Não. Não houve um meltdown apocalíptico, nem uma sessão de auto agressão, muito menos um descontrolo total... No momento em que as duas agulhas se afastaram dos braços dele o Diogo só disse:

"Xixi? Casa de banho?"... e saiu alegremente em busca da casa de banho com o pai.

E eu fiquei na sala de vacinas, atónita... e quando as enfermeiras me dizem: "Então Daniela? O rapaz portou-se tão bem! Para que eram esses nervos todos?" é que me apercebi que as torneiras se tinham aberto e eu estava a chorar como há muito não faço...

Acho que esta sensação de pânico não vai passar nunca. Vou estar sempre com o coração apertado, todos os dias, em todas as situações, em todos os momentos... Mas sei que tenho um filho maravilhoso que vai continuar a surpreender-me muito e a fazer-me muito orgulhosa...


AH! Visitem a página das Mães Especiais no Facebook, algo que já havia vontade de fazer mas ainda não tínhamos tido coragem :)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"É autista, não é?"

Acabadinha de ouvir.

Pela 3ª vez em 4 anos, o Diogo foi ao serviço de urgências do Hospital cá do sítio. Refiro o número de vezes só porque me disseram que o puto e os pais são uns heróis, pelos vistos há crianças da idade dele que já ultrapassaram as 50 visitas. Ganham-se pontos com isto, ou será que ainda não recebi o catálogo para trocar por brindes? brincadeira de mau gosto, admito! Sorry...

Como tem uma excelente memória, bastou chegar aos portões do referido Hospital para o Diogo desatar aos gritos... da ultima vez, eram 2 da manhã e ele teve que fazer aquela mistura de aerossóis com adrenalina e jkdfuwaeg-ina, que pelos vistos foi traumatizante. Eis que em plenos pulmões (apesar de muito rouco), esperamos pela triagem. A enfermeira que nos atendeu (bem mais atenciosa do que o outro paspalho, digo, enfermeiro que nos atendeu da outra vez), mediu-lhe a temperatura e como ele continuava aos gritos começou a tentar distraí-lo.
Pois.
Como viu que não conseguia, olhou para mim e disse com um sorriso:

"É autista, não é? Tão lindo! Sabe, como mãe, gostava muito de conhecer o mundo de um autista. Deve ser bem melhor do que o nosso, não acha?" e como se não bastasse, remata:
"Nota-se que vocês são uns pais excelentes!"
Nota-se como? Pelos gritos? Pelos pontapés? Pela cara de pânico do puto? Ou pela minha?

Ok, estou um bocadinho amarga hoje. Grunf...

 Segue-se a razão da visita: a pediatra, que ao telefone de manhã nos aconselhou a passar por lá para o auscultar. A birra continua mas ela faz um ar conhecedor (não vê o puto há 1 ano) e quando a colega (não, não foi a pediatra dele, foi a outra médica que estava de serviço) o tentou acalmar, a unica resposta foi:
"Este é dos bons, é dos tais..."

A única coisa boa disto, é que neste momento ele está a dormir. Acho que a gritaria o cansou e ele finalmente adormeceu. Não há tosse, nem gemidos... só o meu pequeno a dormir descansado.
Ataquei a maldita tosse a tempo, antes de ela se transformar em gosma pulmonar e ser muito mais difícil de curar depois.
Ele está bem. E se para ele estar bem, eu tenho que levar com tudo isto e mais os esgares de quem lá estava, desafio superado.
Nada de preocupações.
Estou bem, nada que uma boa noite de sono não cure.
Ou duas horas.
Ou meia hora.
Ou ZZzzzzzzzzzzzzzz.......
Tenho que falar... senão dou em doida!

Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.

Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...

E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita...
comentários, agradecem-se!