Já aqui mostrei algumas das minhas aptidões. E não, não estou a falar do sarcasmo nem da resmunguice! Nem tão pouco da habilidade de realçar os podres desta sociedade fétida que teima em afirmar que vivemos num mundo côderosa.
Falo sim da costura. Das espetadelas nos dedos, das linhas enroladas, dos pedaços coloridos de feltro espalhados pela casa fora (cortesia da dupla Mia e Diogo).
A costura distrai-me da tretas do dia a dia: gosto dos pontos pequeninos, da combinação de cores, de fazer algo diferente, dos detalhes minúsculos que dão vida às pequenas inutilidades que se vão formando nas minhas mãos. Lógico que quem vai ganhando com isso é o meu Diogo, que para além de um batalhão de brincadeiras ainda ganha pilhas de t-shirts personalizadas.
Por isso pessoal, mãos à obra! Quem sabe (e gosta) de costurar, toca a fazer brincadeiras personalizadas para os vossos pequenos! Fantoches de dedo, transportes, quiet books, peluches...
Pesquisem, tirem ideias, inventem, vale tudo! As brincadeiras terão um gosto especial se forem feitas com o carinho de mãe, ou de avó, ou de tia...
E se não souberem costurar? E se tiverem uma ideia fantástica e não souberem por onde começar? Aí eu posso ajudar! Expliquem o que querem e eu faço e envio!Enquanto pensam nisso, espreitem o meu outro blog Caixinha das Ternuras. E boas brincadeiras!
Chuac!
segunda-feira, 16 de março de 2015
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
"Como se vive com um filho autista"
Encontrei esta reportagem por acaso. O que li podia ter sido escrito por mim e por tantas outras famílias... O que eu não compreendo, porque para mim está para além dos limites da compreensão, é como é que se podem CHULAR pais desesperados em terapias que deveriam ser gratuitas. Não entendo porque a Segurança Social e o Estado viram as costas nos momentos de maior necessidade. Não entendo o porquê de complicar algo que para nós pais já é uma tortura. Esta reportagem é de 2009 e no entanto, nada mudou de lá para cá... às vezes tenho mesmo vergonha de ser portuguesa...Ah! E para ser correto, o título deveria ser "Como se SOBREVIVE com um filho autista". Essa sim é a questão que todos têm receio de perguntar...
"Como se vive com um filho autista
Ter um filho autista não é algo que se possa prever. Tendo-o, um mundo desconhecido desaba na cabeça dos pais. A vida sucede-se entre barreiras e dificuldades.
in http://expresso.sapo.pt/como-se-vive-com-um-filho-autista=f544548
"Como se vive com um filho autista
Marco dá um forte esticão. O técnico acompanha-o como
umasombra. Um duplo corpo sobre o menino que foge por entre as árvores.
Aos sete anos, tem um físico maior que a idade. É alto, um touro difícil
de domar. Parece viver num outro mundo - onde os sons não entram. De
regresso à sala do jardim-escola da Trafaria, o rapaz baterá com
violência uma cadeira contra o chão. A pequena Mariana, dois anos e
meio, assusta-se. Cai. Chora. Todos os técnicos se levantam. As outras
crianças seguem serenas. Uma técnica beija e reconforta a menina. Outra
desabafa: - É a primeira vez que a Mariana chora.
Uma reacção é uma festa
Mariana chora! Tem uma resposta, uma reacção. O
incidente já não será uma lembrança da dificuldade em lidar com Marco -
chegado àquela nova sala de Intervenção Terapêutica Intensiva para
Autistas, da ABC Real, em Setembro passado. O choro da minúscula Mariana
é motivo de comemoração. A reacção de uma criança com autismo é sempre
uma festa. Um sinal de que se entrou nesse mundo inacessível, onde
vivem. Que se derrubou mais um tijolo do muro que nos impede tantas
vezes de comunicar.
Fim de intervalo na escola da Trafaria. Cada criança,
das seis que frequentam a sala de terapia segundo o método
norte-americano ABA (Applied Behavioural Analysis/Análise Comportamental
Aplicada), trazido da Califórnia para Portugal por Albertina Marçal, é
acompanhada por um técnico.
Um técnico por criança à mesa de trabalho, um técnico por criança à mesa de refeições, um técnico por criança no intervalo.
Meses antes, no Colégio Campo de Flores, na Caparica,
onde funciona há cerca de um ano a primeira destas salas, onze crianças
pequenas trabalham à frente de uma mesa. É a primeira turma-piloto do
ABA em Portugal. Cada técnico português, formado pelos norte-americanos,
encarrega-se de desenvolver e trabalhar uma das competências que
qualquer outra criança da mesma idade adquire, em regra, sozinha. De 25
em 25 minutos, Marina, responsável pela sala, toca uma sineta. Nesse
momento, cada criança é mudada de mesa, como se trabalhasse numa linha
de produção de uma fábrica. É meio-dia. O trabalho delas começou às oito
da manhã e está a chegar ao fim. Nenhuma, porém, dá sinal de cansaço ou
indisposição.
Pais apanhados de surpresa
Ao contrário do que aconteceria em qualquer outra sala
de aula com crianças da mesma idade, a presença de um estranho, a minha,
não é notada. Ninguém me dirige o olhar ou a fala. Sou uma nuvem
invisível. Na Caparica. Na Trafaria.
Mas, para que estas crianças chegassem aqui, muito teve
de acontecer na vida delas e dos pais. Muito teve de acontecer também
na vida de Albertina Marçal, mãe de um adolescente com síndroma de
Asperger, fundadora da ABC Real Portuguesa e responsável pela
'importação' deste método.
Foi no momento em que Alexandra e Carlos equacionavam a
possibilidade de ter mais um filho que o diagnóstico os apanhou de
surpresa. Há muito que a família os alertava para alguns sinais
perturbadores no comportamento do filho. Tiago tinha pouco mais de dois
anos. Não falava, repetia exaustivamente alguns sons. Ao mesmo tempo
balançava as mãos. Não reagia às conversas dos adultos, mesmo quando a
voz lhe era dirigida. E, apesar disso, era um menino muito meigo.
Primeiros sinais
Durante longo tempo, os pais negaram a possibilidade de
o filho ter algum problema. Comparavam o comportamento de Tiago ao seu
quando crianças. Até o pediatra, um conhecido médico de Lisboa, dizia, a
cada consulta de rotina, que tudo ia bem. Os pais repetiam para si
próprios: "Ele tem muito tempo para falar e para fazer o mesmo que as
outras crianças". A este pensamento juntavam um facto: Tiago tinha
problemas de ouvidos. Uma otite serosa poderia ser a causa do atraso na
fala. O médico otorrino concordava e pedia mais tempo.
Mário Relvas, pai de um autista de 21 anos, diz que o
filho também lhe parecia surdo. Os primeiros testes, porém, consideram
que tem uma audição normal. Aos seis meses, Bruno podia entreter-se
durante horas apenas a olhar para as mãos. Uma obsessão que não passava
despercebida aos pais.
Catarina Lourenço, mãe de Afonso, 9 anos, e Martim, 8
anos - o primeiro com o diagnóstico de autista e o segundo de Asperger -
lembra o que a pediatra então lhe disse: "Não se preocupe. Einstein só
falou aos quatro anos". Afonso também era muito meigo. "Muito calmo. Não
dava trabalho nenhum", lembra a mãe. As suspeitas dos pais de Afonso
começaram quando perceberam que não reagia ao nome. Mas mais uma vez não
se tratava de um caso de surdez. O diagnóstico final só veio muitos
anos depois. Quando a própria mãe, depois de muitas horas passadas na
Internet, decidiu arriscar a pergunta: "Mas é autismo ou não?" Ouviu
finalmente um sim do pedopsiquiatra Pedro Caldeira.
Afonso deveria ter então quatro ou cinco anos. Catarina
diz, porém, que conhece pais a quem lhes foi dito directamente; e que
isso, segundo os próprios lhe contaram, também não lhes fez nada bem.
Afonso era acompanhado no Hospital de Santa Maria,
desde os dois anos, por uma psicóloga. Até aí impunham-se as palavras
"perturbação da comunicação e de relacionamento". Na verdade, os
autistas sofrem disso, mas de tantas outras coisas mais. Cada caso é um
caso; e o espectro da doença é um leque tão vasto que é difícil definir
exactamente o que faz um autista ou não. Uns são meigos, outros
violentos. Uns falam, outros não. As variantes são infinitas. Mas têm
algo em comum; todos erguem barreiras, dificultam a relação com o mundo.
O diagnóstico, por sua vez, não é fácil de conseguir.
Médicos e técnicos têm medo de errar. Porque na verdade também erram,
para o bem e para o mal.
Testes atrás de testes
Os primeiros testes do Tiago, realizados por uma
técnica com experiência, não detectam qualquer problema. Mas as pressões
familiares tornam-se maiores. A mãe muda de pediatra. Volta a repetir
os testes. Por fim, o diagnóstico chega: "O Tiago tem uma perturbação do
espectro de autismo", dirá Rosa Gouveia, pediatra do desenvolvimento,
no Hospital CUF Descobertas.
A resposta a todas as dúvidas não sossega ninguém. Pelo
contrário. Potencia uma avalancha de questões. E desta vez as respostas
são ainda mais difíceis de obter. Se os pais de Tiago, em pleno século
XXI, sentiram muitas dificuldades e incompreensões, Mário e a mulher,
duas décadas antes, tiveram uma luta ainda maior: "Alguns profissionais
de saúde não estão, ainda, devidamente sensibilizados para o autismo",
desabafa Mário Relvas.
Calvário de consultas
Quando Bruno nasceu, os profissionais sabiam ainda
menos. Mas no passado como hoje o processo de compreensão dos pais é
quase sempre um verdadeiro calvário de consultas. Os pais de Tiago
percebem que ele tem de começar a ser tratado. "Mas como?". Ao mesmo
tempo surge outra questão mais íntima, dolorosa e igualmente difícil de
colocar: "Porquê?"
Ao contrário de outras doenças, como a Trissomia 21, o
autismo não é diagnosticável durante a gestação. Dificilmente se
descobre antes dos 18 meses de vida. As causas são multifactoriais, além
de que não se consegue saber exactamente quais os elementos
determinantes para a criação de um espaço propício à emergência do
espectro autista. Os testes genéticos às crianças são importantes. Mas,
de modo algum, indicam o caminho a seguir, a forma como a intervenção
terapêutica deve ser feita. Tiago, Bruno, Afonso fizeram-nos. Nenhum
deles demonstra ter alguma alteração genética, alguma malformação.
Orfãos do Estado e do SNS
Entre as poucas certezas que há em relação à doença, a
principal é a de que, quanto mais cedo houver intervenção terapêutica ao
nível comportamental, melhores são os resultados. Mas nenhum pai está
preparado para o que vem a seguir: um mundo de dificuldades, onde se
sentem órfãos do Estado e do Sistema Nacional de Saúde.
Nesta fase, também não é raro um dos pais começar a
sentir-se um pouco mais culpado, pensando que a carga genética que
transporta é a responsável. Mas no íntimo dos dois tudo é posto em
causa. Mesmo que não o confessem. A esta fase os especialistas chamam
normalmente "luto". E sem o 'luto' cumprido não há como avançar. Ou
seja, é imperioso aceitar a situação. Agir rapidamente.
Alexandra pede uma consulta de avaliação no Hospital da
Estefânia, em Lisboa. Mas a resposta não se afigura imediata. Decide
avançar para o sistema privado (gasta 350 euros). A consulta no hospital
público só chega cerca de um ano depois. Nessa altura, Tiago já tinha
iniciado tratamento. Faz terapia Teacch, outro método norte-americano,
terapia da fala e psicomotricidade, no Centro de Desenvolvimento
Infantil LogicaMentes, fundado por Cláudia Bandeira de Lima, psicóloga
clínica e de desenvolvimento do Hospital de Santa Maria. O programa de
quatro horas semanais de Tiago fica em 485 euros mensais. Os pais não
recebem qualquer subsídio.
Mário diz que a lacuna ao nível de consultas de
diagnóstico do Sistema Nacional de Saúde deixa campo aberto para que
alguns privados monopolizem estas intervenções e as seguintes, ou seja,
já na fase de acompanhamento, desenvolvimento, terapia.
Os pais informados sabem, porém, o quanto urge agir. A
espera pode ter efeitos muito nefastos ao longo de toda a vida do filho;
e os estudos existentes são unânimes em considerar que a eficácia do
tratamento comportamental é muito maior quando aplicado, de modo
intensivo, até aos quatro anos. O cérebro é mais plástico, flexível.
Absorve melhor a aprendizagem. Depois todos os avanços são mais lentos.
É, de resto, por essa razão que a grande batalha científica nesta área
está em encontrar métodos de diagnóstico que possam ser fiáveis na mais
tenra idade.
Autismo é prioridade para Obama
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, não é, de
resto, alheio a este problema. Tornou o autismo uma prioridade na saúde
infantil, e adjudicou 5 mil milhões de dólares à investigação nesta
área, faz agora um mês. Os norte-americanos já gastam cerca de 60 mil
milhões de dólares por ano nesta doença. Com o crescimento exponencial
do número de afectados, que os estudos apontam como certo, julga-se que
dentro de dez anos este valor andará entre 200 e 400 mil milhões de
dólares. Aquilo que começa a parecer uma epidemia (não apenas
norte-americana, embora as estatísticas deste país sejam as mais antigas
e fiáveis) é também uma hecatombe económica.
Na fase de 'luto' dos pais deveria iniciar-se a ajuda
psicológica. Raramente, porém, são encaminhados para serviços de
psicologia pelos técnicos com quem se vão cruzando. Ou decidem avançar
por meios próprios, pedindo ajuda ao médico de família, ou se entregam à
dor e à alienação, mesmo que ainda não tenham presentes algumas das
consequências da doença ao longo da vida. Têm de reaprender a lidar com o
filho e com os sentimentos.
Famílias divididas
Catarina teve a sorte de ser acompanhada no próprio
Hospital de Santa Maria. Alexandra desabafou com a médica de família. Em
troca recebeu antidepressivos. Há também quem enfie a cabeça na areia
numa tentativa de minimizar a importância da doença do filho. Muitos
pais ouvem ainda o que não gostam, mesmo dos familiares ou dos técnicos.
Não raras vezes, as famílias dividem-se. Todos têm opiniões, mesmo
quando não fizeram nenhum esforço para se informar. O isolamento cresce.
O muro é cada vez mais alto. E se os técnicos em geral recusam a ideia
de muro, pais como Catarina não têm problema nenhum em assumi-lo. "A
minha vida mudou a nível pessoal, social, profissional. É muito duro
lidar com tudo isto. Se não encararmos o muro, nunca o vamos resolver.
Estou farta do politicamente correcto", desabafa.
Catarina é bailarina da Companhia Nacional de Bailado
(CNB). Quando se preparava para estudar outra vez e escolher uma nova
profissão - consciente de que a vida de uma bailarina tem 'prazo de
validade' -, descobriu que tinha um filho autista. O terceiro filho,
Martim, também exigiria tratamento. É Asperger. A sua vida é um
colete-de-forças. Não é fácil conciliar os seus horários profissionais e
os do marido, seu colega na CNB, com as terapias dos miúdos.
No caso de Tiago, um dos primeiros embates ocorreu na
escola, um colégio privado, onde inicialmente todos quiseram ajudar. A
polémica surgiria a propósito de um pormenor. Na sala havia um espelho. O
espelho provocava-lhe um comportamento repetitivo, uma estereotipia,
que se não for correctamente contrariada agrava o autismo. Numa reunião,
a mãe e a psicóloga que acompanha a criança pedem à directora da escola
e ao psicólogo do colégio para retirarem o espelho. "Tem de se habituar
como os outros meninos", foi a resposta taxativa. A psicóloga e a mãe
ainda contrapõem: "Mas isso é como pedir a um paraplégico que deixe a
cadeira de rodas e ande".
A escola não recua. A mãe ainda ouve: "Já sabemos que
ele não vai ser engenheiro profissão do pai, mas ao menos gostaríamos
que ele fosse autónomo".
Trabalho a tempo inteiro
A ignorância é democrática. E nem os técnicos de
educação escapam. Mário, por exemplo, diz que teve muitos problemas a
nível profissional, nomeadamente na altura em que era polícia.
Um ano depois do diagnóstico, surge a separação dos
pais de Tiago. A situação tornara-se insustentável. Mais uma vez, como
em quase toda esta história, os pais de Tiago cumprem estatísticas. "Um
autista prende 24 horas sobre 24. Por isso, o cansaço surge e a
incompreensão que nos afecta gera algum mal-estar", reconhece Mário.
Catarina e Mário, o pai de Afonso e Martim, continuam
juntos após 14 anos de vida em comum. "Somos teimosos", diz Catarina.
Albertina e o marido sobreviveram a tudo, mas Albertina não esconde:
"Estamos cansados. Ser pai de uma criança destas é um trabalho a tempo
inteiro, e isso é reconhecido nos Estados Unidos. Mário, que ainda hoje
está casado, confirma que é difícil preservar o casamento: "Deixámos de
ter tempo para nós como casal. Não podemos sair à noite, ir jantar fora,
não podemos ter um momento para nós".
Os autistas exigem uma rotina muito disciplinada, e
podem ser muito exclusivos nas relações. Delas dependem de uma forma
extrema. Mário lembra o caso de um filho adulto que morreu apenas
algumas semanas depois do pai ter sido internado num hospital.
O importante é não desistir
No caso de Bruno, é a mãe que costuma ir buscá-lo à
escola desde pequenino: "Se for eu, tenho de o entreter até a mãe chegar
a casa, caso contrário gera-se um mal-estar nele que o leva a ficar
perturbado e a ter uma alteração radical no comportamento", conta Mário.
Ir a um supermercado, centro comercial ou a um
restaurante pode ser um dos maiores desafios para os pais do Bruno. Mas
ainda assim não desistem. Quando o conseguem, Mário publica a
'reportagem' no seu blogue. Cada
passo é conquistado dia-a-dia. Em adultos, a perturbação é mais difícil
de controlar: "Passam a ser adultos com força e voz grossa... e já não
são aquelas criancinhas de quem os estranhos diziam 'mal-educados,
fazia-lhes falta era um par de tabefes'", continua Mário.
Catarina está a sentir essa fase no filho. "Ontem,
partiu a porta da máquina de lavar roupa, queria voltar a vestir a mesma
roupa, que eu já tinha posto para lavar". Mudaram o professor de Afonso
na escola pública que frequentava. "Ainda fizemos um abaixo-assinado...
A referência dele na sala era o professor. Desde o início das aulas que
grita todos os dias antes de sair de casa e atira-se para o chão". Não é
duro só para ela e para o pai. A irmã mais velha de Afonso, Filipa, tem
14 anos e não escapa ao stresse de que todos sofrem na família.
"A minha filha pensa muito e pensa que, quando for
grande, também pode ter um filho assim", continua Catarina. Na altura em
que os pais de Tiago se separam, as despesas com o tratamento do filho
já representam uma fatia significativa no orçamento familiar. Agora, só
em terapias, Tiago custa 800 euros por mês, fora os 430 euros de colégio
normal. Até ao momento não tem qualquer subsídio. No ABA, cada criança
fica por mil euros/mês, sendo que a ABC Real conta com salas cedidas por
instituições e que o pagamento de cada criança se esgota no salário de
um técnico e nos materiais. Afonso e Martim pesam 900 euros por mês.
Quanto a Bruno, continua dependente dos pais aos 21 anos. Mário diz não
saber o que vai ser de Bruno se alguma coisa lhes acontecer.
"Vivemos com uma espada sobre a cabeça", desabafa Mário. Na voz triste percebe-se que está cansadode lutar.
Rita Costa, a professora de natação de Afonso (passou
um ano com ele aos gritos dentro da piscina até ele aprender a nadar) e
também terapeuta de psicomotricidade do Tiago recorda uma história muito
triste: "Conheci uma mãe a quem um homeopata convenceu que iria pôr o
filho a falar. Gastou imenso dinheiro. Fez imensas viagens. Mas o miúdo
nunca falou. Um dia decidiu ter o segundo filho. Dizia que não aguentava
a ideia de ter um filho que não lhe chamasse mãe".
(...)in http://expresso.sapo.pt/como-se-vive-com-um-filho-autista=f544548
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Um post colorido!
Temos artista.
E não podia faltar o belo do alfabeto!!!
Mãe Babada.
sábado, 31 de janeiro de 2015
Autismo... e agora?
O post de hoje é para os pais desesperados que neste momento encontraram este blog ao pesquisar sobre autismo.
Estão confusos, preocupados, desanimados, perdidos e provavelmente choraram ou estão a chorar enquanto pesquisam. Eu já lá passei, senti tudo isso e apesar de não ter uma fórmula milagrosa que vos tire todas as preocupações, estou um bocadinho à vossa frente...
Provavelmente ainda não contaram a ninguém e estão a evitar falar com amigos ou familiares ou então já contaram e estão fartos de ouvir que "há coisas piores" ou "não podes desanimar" e "mas ele(a) é tão lindo(a), não pode ser autismo". A melhor de todas é "tu és doida(o), o(a) garoto (a) não tem nada".
Yep, as pessoas que estão de fora não sabem como reagir a isto (nem nós) e tentam desesperadamente fazer-nos sentir melhor com uma palavra de ânimo. Falham redondamente claro, mas a culpa não é deles, estão só a tentar ajudar...
O que eu vos quero dizer pode ajudar-vos nesta primeira etapa da vossa jornada (ou não, mas digo na mesma):
- O autismo é um bicho mau. É um ladrão que nos rouba a esperança, os sonhos e principalmente, nos rouba os filhos. Mas há realmente coisas piores. Pelo menos o autismo pode ser trabalhado, podemos tentar trazer os nossos filhos para o lado de cá. Outros pais não podem dizer o mesmo: paralisia cerebral vai ser sempre paralisia cerebral, uma doença genética vai sempre roubar capacidades...
- O autismo é só um rótulo! O vosso filho continua a ser o mesmo que era antes... o rótulo serve só para nos indicar o caminho...
- Párem de pesquisar sobre autismo. Pelo menos durante esta primeira fase. Quanto mais informação recolhem sobre o assunto, mais obcecados se vão tornar, vão começar a "ver" sintomas onde eles não existem.
- Procurem bons terapeutas, bons técnicos, bons educadores/ professores. Falem, perguntem, participem sempre nas terapias. Sei que há terapeutas que preferem trabalhar a sós com os pequenos, mas se estiverem presentes, vão poder continuar o trabalho em casa! E se não gostarem dos terapeutas? Ou não concordarem com a abordagem deles? MUDEM! É essencial confiar nas pessoas que trabalham com os nossos pequenos!
- As opiniões dos médicos são importantes e a orientação que eles vos podem dar são essenciais para começar. No entanto, os médicos vêm os vossos filhos de vez em quando, não os conhecem. São vocês, pais, que lidam com eles todos os dias, são vocês que sabem como eles gostam de dormir ou o que gostam de comer, não os médicos. Não tenham problemas em pedir uma segunda opinião a outro médico! Ou uma terceira, ou quarta... Vocês é que são os pais, vocês é que mandam! Eu sei que há muita gente que não concorda comigo, mas eu confio no meu instinto de mãe. Se eu fizesse tudo o que os médicos me dizem, o meu filho tinha sido dopado aos dois anos e seria enfiado numa banheira com água gelada cada vez que fizesse xixi nas cuecas (true story!).
- Se acham que isto é demais para vocês, se acham que não vão conseguir aguentar, procurem ajuda. Falem com o médico de família... É perfeitamente normal e completamente justificado achar que não vamos conseguir. Uma coisa é verdade e vos garanto: se vocês não estiverem bem, os vossos filhos não vão estar bem. Eles são umas esponjinhas, captam tudo, mesmo que vocês achem que eles não estão a prestar atenção! Pais tranquilos são pais aptos a ajudar os filhos a desenvolver. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza nem vergonha, pelo contrário!!!
- Aprendam a observar os vossos filhos. Sim, observar. Especialmente se eles ainda não falam... procurem descobrir quais os interesses deles: letras, carrinhos, bonecas, livros e usem esses interesses para interagir com eles. Não caiam na conversa de alguns médicos que acham que devemos tirar os interesses dos pequenos para os forçar a gostar de outras coisas, nada disso! Usem o que eles gostam! Ponham os Pocoyos ou os Mickeys sentados na sanita, façam de conta que lhes dão de comer...
- Pode parecer que eles não estão a ouvir mas estão. Parece que não evoluem, mas evoluem! Os autistas não "desaprendem"! Se deixam de fazer ou dizer alguma coisa de repente, não foi porque se esqueceram! Falem sempre para eles, olhem nos olhos, expliquem tudo! Mesmo que o gato preste mais atenção... Fica lá tudo registado e quando eles acharem que é altura, eles mostram o que sabem!
- Tirem um bocadinho para vocês de vez em quando, arranjem um hobbie. Um passeio a pé ou ver montras. Costura ou fotografia. Ajuda a arrumar ideias.
- O mais importante: procurem outros pais na mesma situação. Vão ficar surpresos quando descobrirem o apoio que recebem de alguém que está nas mesmas condições que vocês. Algumas das minhas melhores amigas são mães de meninos e meninas autistas. É a troca de saberes e experiências que nos dá força para mais um dia.
Respirem fundo. Outra vez. Se quiserem conversar, mandem email. Estou aqui mas sei o que é estar aí. Beijos*
Estão confusos, preocupados, desanimados, perdidos e provavelmente choraram ou estão a chorar enquanto pesquisam. Eu já lá passei, senti tudo isso e apesar de não ter uma fórmula milagrosa que vos tire todas as preocupações, estou um bocadinho à vossa frente...
Provavelmente ainda não contaram a ninguém e estão a evitar falar com amigos ou familiares ou então já contaram e estão fartos de ouvir que "há coisas piores" ou "não podes desanimar" e "mas ele(a) é tão lindo(a), não pode ser autismo". A melhor de todas é "tu és doida(o), o(a) garoto (a) não tem nada".
Yep, as pessoas que estão de fora não sabem como reagir a isto (nem nós) e tentam desesperadamente fazer-nos sentir melhor com uma palavra de ânimo. Falham redondamente claro, mas a culpa não é deles, estão só a tentar ajudar...
O que eu vos quero dizer pode ajudar-vos nesta primeira etapa da vossa jornada (ou não, mas digo na mesma):
- O autismo é um bicho mau. É um ladrão que nos rouba a esperança, os sonhos e principalmente, nos rouba os filhos. Mas há realmente coisas piores. Pelo menos o autismo pode ser trabalhado, podemos tentar trazer os nossos filhos para o lado de cá. Outros pais não podem dizer o mesmo: paralisia cerebral vai ser sempre paralisia cerebral, uma doença genética vai sempre roubar capacidades...
- O autismo é só um rótulo! O vosso filho continua a ser o mesmo que era antes... o rótulo serve só para nos indicar o caminho...
- Párem de pesquisar sobre autismo. Pelo menos durante esta primeira fase. Quanto mais informação recolhem sobre o assunto, mais obcecados se vão tornar, vão começar a "ver" sintomas onde eles não existem.
- Procurem bons terapeutas, bons técnicos, bons educadores/ professores. Falem, perguntem, participem sempre nas terapias. Sei que há terapeutas que preferem trabalhar a sós com os pequenos, mas se estiverem presentes, vão poder continuar o trabalho em casa! E se não gostarem dos terapeutas? Ou não concordarem com a abordagem deles? MUDEM! É essencial confiar nas pessoas que trabalham com os nossos pequenos!
- As opiniões dos médicos são importantes e a orientação que eles vos podem dar são essenciais para começar. No entanto, os médicos vêm os vossos filhos de vez em quando, não os conhecem. São vocês, pais, que lidam com eles todos os dias, são vocês que sabem como eles gostam de dormir ou o que gostam de comer, não os médicos. Não tenham problemas em pedir uma segunda opinião a outro médico! Ou uma terceira, ou quarta... Vocês é que são os pais, vocês é que mandam! Eu sei que há muita gente que não concorda comigo, mas eu confio no meu instinto de mãe. Se eu fizesse tudo o que os médicos me dizem, o meu filho tinha sido dopado aos dois anos e seria enfiado numa banheira com água gelada cada vez que fizesse xixi nas cuecas (true story!).
- Se acham que isto é demais para vocês, se acham que não vão conseguir aguentar, procurem ajuda. Falem com o médico de família... É perfeitamente normal e completamente justificado achar que não vamos conseguir. Uma coisa é verdade e vos garanto: se vocês não estiverem bem, os vossos filhos não vão estar bem. Eles são umas esponjinhas, captam tudo, mesmo que vocês achem que eles não estão a prestar atenção! Pais tranquilos são pais aptos a ajudar os filhos a desenvolver. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza nem vergonha, pelo contrário!!!
- Aprendam a observar os vossos filhos. Sim, observar. Especialmente se eles ainda não falam... procurem descobrir quais os interesses deles: letras, carrinhos, bonecas, livros e usem esses interesses para interagir com eles. Não caiam na conversa de alguns médicos que acham que devemos tirar os interesses dos pequenos para os forçar a gostar de outras coisas, nada disso! Usem o que eles gostam! Ponham os Pocoyos ou os Mickeys sentados na sanita, façam de conta que lhes dão de comer...
- Pode parecer que eles não estão a ouvir mas estão. Parece que não evoluem, mas evoluem! Os autistas não "desaprendem"! Se deixam de fazer ou dizer alguma coisa de repente, não foi porque se esqueceram! Falem sempre para eles, olhem nos olhos, expliquem tudo! Mesmo que o gato preste mais atenção... Fica lá tudo registado e quando eles acharem que é altura, eles mostram o que sabem!
- Tirem um bocadinho para vocês de vez em quando, arranjem um hobbie. Um passeio a pé ou ver montras. Costura ou fotografia. Ajuda a arrumar ideias.
- O mais importante: procurem outros pais na mesma situação. Vão ficar surpresos quando descobrirem o apoio que recebem de alguém que está nas mesmas condições que vocês. Algumas das minhas melhores amigas são mães de meninos e meninas autistas. É a troca de saberes e experiências que nos dá força para mais um dia.
Respirem fundo. Outra vez. Se quiserem conversar, mandem email. Estou aqui mas sei o que é estar aí. Beijos*
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
domingo, 4 de janeiro de 2015
2014 --> 2015
Um ano novo começou e eu não podia deixar de vos desejar que tudo o que desejam se realize.
Nesta altura fazem-se reflexões sobre o que já passou e delineam-se metas para o que queremos atingir. Não consigo resumir 2014 em duas palavras, foi um ano tão rico em m€&$@ que tenho receio de esquecer alguma. Posso no entanto deixar aqui, em espaço PÚBLICO, alguns desejos que tenho para o novo ano de 2015:
- Espero que a minha tensão arterial deixasse de ser parva e voltasse a níveis de gente.
- Alguma estabilidade financeira e profissional não seriam de todo mal vindas. Just saying...
- Desejo que os hospitais públicos tenham mais respeito por quem a eles recorre, tenha ou não algum tipo de deficiência. Que treinem os médicos, enfermeiros e psicólogos que lidam com as pessoas, especialmente crianças autistas para serem sensíveis, humanos e que lhes expliquem que os ordenados que recebem não lhes dá o direito de criticar as opções dos pais que vivem todos os dias com estas crianças. 10 minutos de consulta não lhes dá o direito de julgar 7 anos de noites mal dormidas e de decisões dificeis.
- Desejo sinceramente que deixem de dar palpites não solicitados sobre a vida dos outros (especialmente sobre a minha). Quando quero e/ou preciso de opiniões procuro. Agradeço que se deixem de fundamentalismos a roçar o fanático e que guardem para vocês as vossas maravilhosas experiências nomeadamente no que diz respeito (entre outras):
- Espero que todos os professores e educadores de infância não se esqueçam que estão a formar os adultos de amanhã, e como tal, tenham o cuidado de mostrar às crianças de hoje dando o exemplo que os meninos diferentes (e os pais deles) não são aberrações e têm sentimentos. Palavras como "deixa lá, ele é deficiente" e "não brinques com ele que ele é atrasado" devem ser analisadas com as crianças e explicadas, para que elas próprias possam chegar a casa e ensinar algo de útil àsbestas pessoas que moram com elas e lhes dão exemplos. Isto também é válido para auxiliares e... bem, para toda a gente! Raio de sociedadezinha medíocre que separa as pessoas pela marca da roupa...
- Gostava que as pessoas que têm coragem de ir a uma escola pública no segundo dia de aulas reclamar porque não concordam que um menino que grita tanto esteja numa turma de ensino regular passassem 24 horas na minha realidade. Ou que se lembrassem que os filhos são "perfeitos" mas um dia ainda vão ter netos e nunca se sabe. Ou isso ou que tenham um ataque de micoses onde o sol não brilha.
E pronto, deixo tanto por dizer... mas para começo acho que está bom.
Bom 2015.
Que tenha evolução positiva e não tenha chatices. (para mim já dava...)
Nesta altura fazem-se reflexões sobre o que já passou e delineam-se metas para o que queremos atingir. Não consigo resumir 2014 em duas palavras, foi um ano tão rico em m€&$@ que tenho receio de esquecer alguma. Posso no entanto deixar aqui, em espaço PÚBLICO, alguns desejos que tenho para o novo ano de 2015:
- Espero que a minha tensão arterial deixasse de ser parva e voltasse a níveis de gente.
- Alguma estabilidade financeira e profissional não seriam de todo mal vindas. Just saying...
- Desejo que os hospitais públicos tenham mais respeito por quem a eles recorre, tenha ou não algum tipo de deficiência. Que treinem os médicos, enfermeiros e psicólogos que lidam com as pessoas, especialmente crianças autistas para serem sensíveis, humanos e que lhes expliquem que os ordenados que recebem não lhes dá o direito de criticar as opções dos pais que vivem todos os dias com estas crianças. 10 minutos de consulta não lhes dá o direito de julgar 7 anos de noites mal dormidas e de decisões dificeis.
- Desejo sinceramente que deixem de dar palpites não solicitados sobre a vida dos outros (especialmente sobre a minha). Quando quero e/ou preciso de opiniões procuro. Agradeço que se deixem de fundamentalismos a roçar o fanático e que guardem para vocês as vossas maravilhosas experiências nomeadamente no que diz respeito (entre outras):
- Risperidona- já aqui o disse e volto a dizer: não tenho nenhuma intenção de dar ao meu filho um medicamento que provoca "aumento do perimetro abdominal, aumento de peso, crescimento dos seios e lactação masculina" (palavras do neuropediatra que nos atendeu no Hospital Pediátrico) a não ser que o meu filho represente perigo para ele próprio ou para os outros. Não critico quem dá porque cada um sabe de si mas não tolero e vou começar a tratar mal quem me voltar a dizer que o raio do medicamento é milagroso. Irra...
- Alimentação - o meu filho está habituado a comer comida caseira. Além disso, tal como a maioria dos autistas tem problemas com o que não conhece e não aceita alimentos novos ou que representem algum tipo de conflito sensorial. Assim sendo, se ele não come o que lhe apresentam das duas uma: ou a comida é algo que ele considera que não é comestível ou não é mesmo comestível. Mas isto dava pano para mangas...
- Saídas - Estamos numa fase em que preferimos ficar em casa ou passear no campo, no meio de vacas e ovelhas enquanto apanhamos flores (e espinhos). Nada faria o meu filho mais feliz do que irmos a um Centro Comercial. Mas não vamos. Porque se formos ele entra numa espiral de excitação, liga o turbo e não pára de correr, ignorando tudo e todos, durante duas a três horas até à exaustão física. Acreditem, eu sei o que falo. Da mesma maneira, evitamos locais novos e não vamos a casa de ninguém (a não ser dos avós). Aqui não há corridas mas há casas de banho com autoclismos e a maioria das pessoas não gosta que a descarga do autoclismo seja puxada a cada 30 segundos. E é. Então não vamos. Eu sei melhor que ninguém que tenho que o ajudar na parte social mas para já é uma opção nossa e ninguém tem nada a ver com isso.
- Espero que todos os professores e educadores de infância não se esqueçam que estão a formar os adultos de amanhã, e como tal, tenham o cuidado de mostrar às crianças de hoje dando o exemplo que os meninos diferentes (e os pais deles) não são aberrações e têm sentimentos. Palavras como "deixa lá, ele é deficiente" e "não brinques com ele que ele é atrasado" devem ser analisadas com as crianças e explicadas, para que elas próprias possam chegar a casa e ensinar algo de útil às
- Gostava que as pessoas que têm coragem de ir a uma escola pública no segundo dia de aulas reclamar porque não concordam que um menino que grita tanto esteja numa turma de ensino regular passassem 24 horas na minha realidade. Ou que se lembrassem que os filhos são "perfeitos" mas um dia ainda vão ter netos e nunca se sabe. Ou isso ou que tenham um ataque de micoses onde o sol não brilha.
E pronto, deixo tanto por dizer... mas para começo acho que está bom.
Bom 2015.
Que tenha evolução positiva e não tenha chatices. (para mim já dava...)
terça-feira, 11 de novembro de 2014
um recado...
Só porque me lembrei assim do "nada", fica um recado:
Autismo NÃO É sinal de violência e violência NÃO É sinal de autismo. Não se pode generalizar o que é uma excepção. Amor incondicional e boa educação TODAS as crianças precisam, especialmente as autistas... Não se pode acreditar em tudo o que se ouve: A "coitadinhice" passou de moda no Inverno passado, ok?
Autismo NÃO É sinal de violência e violência NÃO É sinal de autismo. Não se pode generalizar o que é uma excepção. Amor incondicional e boa educação TODAS as crianças precisam, especialmente as autistas... Não se pode acreditar em tudo o que se ouve: A "coitadinhice" passou de moda no Inverno passado, ok?
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Vacances? Quais vacances?
Férias. Ou não. Depende da vossa definição de férias. Eu preciso de férias, para descansar das férias...
Em casa desde Junho com o melga, continua a demanda do desfralde. Tem dias em que corre bem, outros em que corre mais ou menos, acidentes são pouco frequentes (e nem uma vez precisei de esfregona) mas voltámos à fralda durante a noite(depois de 2 meses sem acidentes nocturnos). O Nº 1 está a 90% e o Nº2 ainda longe do objectivo (e não vejo maneira de resolver o assunto!).
Os dias de praia já lá vão. Correram bem melhor do que o esperado, com um Diogo sempre ansioso por ir à praia. É lógico que praia para ele é correr, atirar areia para dentro de água e gritar como se não houvesse amanhã. Sentar é mentira e apanhar sol refastelada na toalha é para meninas. Mas vá, correu bem, sem birras e até conseguimos que ele entrasse dentro de água até ao peito sem stress! Não fossem os "vizinhos de toalha", e teria sido perfeito. Isso e a gravação de uma certa novela (ou novelo) lá perto... E o andar com o computador atrás a ver se o MEC se decidia a dar-nos sossego ou não. Ah! E o lamber algas. E os braços. Compensa a falta de sal na comida, sabem? Ficam as conchas, as bolas de berlim, o meio-bronze e as saudades da casinha castanha.
E pronto, estamos no final de Agosto. Para quem não se lembra, a seguir vem Setembro e com ele toda uma carrada astronómica de mudanças que vão obrigar-me a contar até 10, em russo, muito de-va-ga-ri-nho a cada 10 minutos. Para além da entrada no 1º ciclo e tudo o resto que vem por acréscimo, ainda falta saber onde o pai será colocado e que implicações isso terá na vida lá de casa. Já estou a ver a cena: nós, caixotes, mudanças, procurar casa, escola e terapias para o puto numa vila qualquer atrás-do-sol-posto... bah, que treta de vida. Até já estava tudo orientado: conhecemos as professoras, a escola, as terapeutas... e de repente, PUFF, fez-se o Choca-coiso! Nem os livros encomendei ainda... Qual Homem-Aranha qual carapuça! Cá em casa já trepamos todos pelas paredes!... grunf...
Hoje despeço-me não só com amizade como o outro senhor, mas com um conselho:
Em casa desde Junho com o melga, continua a demanda do desfralde. Tem dias em que corre bem, outros em que corre mais ou menos, acidentes são pouco frequentes (e nem uma vez precisei de esfregona) mas voltámos à fralda durante a noite(depois de 2 meses sem acidentes nocturnos). O Nº 1 está a 90% e o Nº2 ainda longe do objectivo (e não vejo maneira de resolver o assunto!).
Os dias de praia já lá vão. Correram bem melhor do que o esperado, com um Diogo sempre ansioso por ir à praia. É lógico que praia para ele é correr, atirar areia para dentro de água e gritar como se não houvesse amanhã. Sentar é mentira e apanhar sol refastelada na toalha é para meninas. Mas vá, correu bem, sem birras e até conseguimos que ele entrasse dentro de água até ao peito sem stress! Não fossem os "vizinhos de toalha", e teria sido perfeito. Isso e a gravação de uma certa novela (ou novelo) lá perto... E o andar com o computador atrás a ver se o MEC se decidia a dar-nos sossego ou não. Ah! E o lamber algas. E os braços. Compensa a falta de sal na comida, sabem? Ficam as conchas, as bolas de berlim, o meio-bronze e as saudades da casinha castanha.
E pronto, estamos no final de Agosto. Para quem não se lembra, a seguir vem Setembro e com ele toda uma carrada astronómica de mudanças que vão obrigar-me a contar até 10, em russo, muito de-va-ga-ri-nho a cada 10 minutos. Para além da entrada no 1º ciclo e tudo o resto que vem por acréscimo, ainda falta saber onde o pai será colocado e que implicações isso terá na vida lá de casa. Já estou a ver a cena: nós, caixotes, mudanças, procurar casa, escola e terapias para o puto numa vila qualquer atrás-do-sol-posto... bah, que treta de vida. Até já estava tudo orientado: conhecemos as professoras, a escola, as terapeutas... e de repente, PUFF, fez-se o Choca-coiso! Nem os livros encomendei ainda... Qual Homem-Aranha qual carapuça! Cá em casa já trepamos todos pelas paredes!... grunf...
Hoje despeço-me não só com amizade como o outro senhor, mas com um conselho:
SE OS VOSSOS FILHOS VOS DISSEREM QUE QUEREM SER PROFESSORES, PONHAM-NOS DE CASTIGO. ATÉ AOS 40. NINGUÉM MERECE! Um dia ainda me agradecem...
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Eu estou aqui!!!
Sim, eu sei que sou uma desnaturada. Agradeço todas as mensagens que tenho recebido a implorar que volte! É bom saber que os meus desabafos chegam até aí e que sentem a falta dos meus disparates! :)
Estive ausente, mas não pensem que foi por desanimar! Nada disso! Eu explico:
- O Diogo já está de férias, o que significa que estou em casa com ele 24/7. Desde o dia 1 de junho que está sem fralda e tem corrido muito bem! Não há acidentes de maior a registar, nem de dia nem de noite, mas prefiro não gabar muito para não estragar o arranjinho.
Está calmo, anda sempre a cantarolar (musicas de Natal, apropriado para a altura do ano), comunica mais e interage mais. Começo a acreditar que a decisão de antecipar as férias foi tomada na hora certa...
- Tal como já aqui contei, fundei, juntamente com mais 10 mães de crianças especiais, a AME - Associação de Mães Especiais. Não, não estou a brincar! Sou a orgulhosa presidente da AME e no passado sábado (28) fizemos a apresentação pública do nosso projecto à comunidade. Temos um bom projeto, muita vontade de trabalhar e muita esperança que a Inclusão seja uma realidade, não só aqui na zona mas em todo o país! Se querem conhecer um bocadinho melhor este projeto, sigam os links (Facebook AME ou Site AME) ou perguntem-me! Como dizia uma das nossas oradoras convidadas na sábado (obrigada amiga):
Como vêm, estive longe do blog mas não estive parada! Por isso, gente que segue O meu Diogo: nada de desanimar! Há dias bons e dias maus, o autismo continua cá e a ser uma realidade, continuo a ter as mesmas lutas e dificuldades, continuo a ouvir as mesmas barbaridades de médicos e afins (mas isso é conversa para outro post), mas mesmo assim consegui criar uma associação, consigo ter força para lutar pelo futuro do meu filho e continuo aqui para vocês se precisarem de mim.
Até já!!!
Estive ausente, mas não pensem que foi por desanimar! Nada disso! Eu explico:
- O Diogo já está de férias, o que significa que estou em casa com ele 24/7. Desde o dia 1 de junho que está sem fralda e tem corrido muito bem! Não há acidentes de maior a registar, nem de dia nem de noite, mas prefiro não gabar muito para não estragar o arranjinho.
Está calmo, anda sempre a cantarolar (musicas de Natal, apropriado para a altura do ano), comunica mais e interage mais. Começo a acreditar que a decisão de antecipar as férias foi tomada na hora certa...
- Tal como já aqui contei, fundei, juntamente com mais 10 mães de crianças especiais, a AME - Associação de Mães Especiais. Não, não estou a brincar! Sou a orgulhosa presidente da AME e no passado sábado (28) fizemos a apresentação pública do nosso projecto à comunidade. Temos um bom projeto, muita vontade de trabalhar e muita esperança que a Inclusão seja uma realidade, não só aqui na zona mas em todo o país! Se querem conhecer um bocadinho melhor este projeto, sigam os links (Facebook AME ou Site AME) ou perguntem-me! Como dizia uma das nossas oradoras convidadas na sábado (obrigada amiga):
"a união do rebanho faz o lobo deitar-se com fome!"
Como vêm, estive longe do blog mas não estive parada! Por isso, gente que segue O meu Diogo: nada de desanimar! Há dias bons e dias maus, o autismo continua cá e a ser uma realidade, continuo a ter as mesmas lutas e dificuldades, continuo a ouvir as mesmas barbaridades de médicos e afins (mas isso é conversa para outro post), mas mesmo assim consegui criar uma associação, consigo ter força para lutar pelo futuro do meu filho e continuo aqui para vocês se precisarem de mim.
Até já!!!
segunda-feira, 9 de junho de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Finalmente, uma trégua...
Ser mãe (ou pai) é uma aventura. Regra geral é uma aventura agradável. Depois vem o autismo e estraga tudo e tira-nos toda a vontade de fazer o que quer que seja. E com muita força, muita calma e muito amor, um dia de cada vez, lá voltamos à aventura, desta vez uma aventura diferente, com partes muito boas e algumas menos boas. Mas voltamos. Sempre.
O problema com esta aventura, que a maioria dos pais não conhece e não faz ideia o que significa, é que andamos, sempre, SEMPRE, com o coração nas mãos. Ou porque associado ao autismo há uma perturbação de sono, ou porque o nosso filho tem um conjunto de pilhas Duracell incorporado, ou porque vivemos numa sociedade parva, ou porque as escolas não dão respostas adequadas, ou porque os nossos filhos não sabem comunicar... Ou, no meu caso, todas as anteriores, em simultâneo. E mais algumas. A mais recente e aquela que mais dificil é de suportar, é quando o nosso filho autista tem dores e não sabe explicar onde e quando se tenta ajudar, ele não deixa. Assim se passou o ultimo mês e meio cá em casa. Com dores de dentes.
Já tinhamos tentado a abordagem tradicional em dentistas. Escolhemos uma dentista pediátrica (2012, post aqui), que fez o seu melhor, mas estragou tudo, porque a partir daquele dia, ninguém (nem mesmo eu) mexe na boca do garoto. Se eu soubesse na altura o que sei hoje, nunca teria permitido que agarrassem o Diogo à força...
Dia 1 de Março, fomos a Coimbra às urgências do Hospital Pediátrico. Nada se resolveu porque o sistema assim o determina. Mas cabe na cabeça de alguém que exista uma lista de espera de 12 meses para uma cirurgia com anestesia geral para utentes pediátricos? Não, não se enganaram a ler! O Diogo teria que esperar 1 ano até ter vaga no bloco operatório, onde finalmente lhe iriam tratar a cárie. Marcaram consulta para dia 11 de Abril (hoje), para o poderem observar e finalmente, entraria na lista. Bah. Isto com muitos telefonemas e pedidos desesperados... ficou apenas uma promessa de tentar acelerar alguns meses...
Duas rondas de antibióticos e um mês de Brufen/ben-u-ron depois, continuavam as dores, fartei-me e parti à procura de alternativas.
Fiz a pesquisa e peguei no telefone.
5ª feira, 3 de Março, 9.30h.
O que eu procurava era "simples": um local onde fizessem o tratamento ao Diogo, com anestesia geral e com acordo ADSE, o mais rápido possível.
Eis os resultados:
- Hospital da Luz: não entendo todo o deslumbre que se associa ao HL. Sinceramente. Ao telefone, parece que o que estava a pedir era demasido estranho, nem sabiam se a ADSE tinha acordo com a estomatologia ou não. Ficaram de pensar no assunto e ligar de volta com orçamento. Até hoje...
- CliRia (Aveiro): finalmente, alguém acessível. Falei diretamente com a pessoa responsável pela intervenção (muito acessível e cordial). Fazem o procedimento, mas precisa de ser avaliado em consulta primeiro. Têm acordo com ADSE mas não sabem o que cobre o acordo. Preço base de entrada no bloco operatório: 5000€. Sim, CINCO MIL EUROS a que acresceriam todos os tratamentos efetuados no bloco.
Foi exactamente isso que eu pensei...
- Clínica Pissarra Gomes (Covilhã): falei directamente com o responsável, extremamente atencioso e prestável. Fazem procedimento mas anestesista fora em congresso. Ficam de ligar assim que falassem com a anestesista.
- IDEALMED (Coimbra): falei diretamente com a Drª Andrea, responsável pela intervenção em bloco operatório. Fizemos consulta pelo telefone, foi extremamente atenciosa e compreensiva. Disse que estava a pensar fazer o procedimento nas próximas duas semanas e perguntou se eu concordava. Como eu respondi que "se for hoje, eu já vou a caminho" só me respondeu "vou falar com a equipa, já lhe ligo". E ligou, passado sei lá, meia hora: "cirurgia depois de amanhã, sábado, pode ser?". Pode, claro que pode. Nem que eu tenha que fazer um empréstimo ao banco, eu só quero o meu filho bem...
Uma hora depois, liga-me o Dr. Pissarra, da Covilhã, a quem eu agradeço a atenção do fundinho do meu coração de mãe. "Eu também sou pai e nem quero imaginar o que a senhora sente ao ver o seu filho sofrer. Como não consegui falar com a nossa anestesista, liguei para alguns colegas meus a perguntar onde se poderia fazer este procedimento e disseram-me que a pessoa indicada seria a Drª Andrea, no Idealmed." É pá, nem vos conto o alívio que senti ao perceber que estava no bom caminho!
Sábado, 5 de Abril, 10 horas.
Entramos no Idealmed, onde já estão à nossa espera. Acompanham-nos ao quarto (de luxo!) onde alguns minutos mais tarde nos encontra o anestesista. Depois das perguntas da praxe, segue-se a longa espera até às 15 horas, sem comer ou beber (acho que isso foi o mais complicado, com uma peste que tem que estar sempre a roer!).
Recebemos a visita da drª, chega o xarope-maravilha que acalma o pequeno e lá vamos para o bloco operatório. Sim, leram bem, vamos. O Diogo foi ao meu colo para o bloco operatório, acordado. Fui eu que o deitei na mesa e que ajudei a por a máscara para o adormecer. Essa sim, é uma sensação do c@%$lho, de completa impotência e desespero. Respirei fundo e saí do bloco, ainda estava o pai a vestir a roupa para entrar. Saímos e esperámos. Duas horas depois, chamam-nos no quarto, já estava! Corremos para o bloco, onde estavam à nossa espera para o acordar e seguimos para o recobro.
Arrancaram o dente que estava a causar problemas (cárie), desvitalizaram outro, trataram os potenciais problemáticos e os que estavam bem, foram selados para que não dessem problema. Tudo dentes de leite, tudo tranquilo com os definitivos!!! (YAY) BOCA NOVA!
Acordou um bocadinho chateado porque ainda tinha o soro (que só puseram quando já estava a dormir) e assim que lho tiraram voltámos para o quarto onde começou a odisseia... da comida! Assim que acordou por completo comeu 4 iogurtes. Meia hora depois chegou o jantar e 15 minutos depois, o segundo jantar (porque o primeiro era só a entrada). Mais tarde chegam mais 3 iogurtes, porque alguém só pedia comida e finalmente, por volta das 22h tivemos alta! E quando chegámos aos avós, sai a ceia: sopa, arroz e carne!
Dormiu a noite toda e no dia seguinte (domingo), às 11 horas a drª Andrea já estava a ligar a perguntar como estava.
É nos detalhes que está a diferença: não agarraram à força, só puseram o soro quando ele já estava adormecido, os pais sempre presentes, o acompanhamento depois... Ainda fomos elogiados pela excelente higiene oral do pequeno! A cárie foi mesmo provocada por andar sempre a comer...
Sim, também vos digo em quanto ficou o estrago. Uma cirurgia destas fica sempre entre 1500 e 2000€. Nós pagámos 350€ por causa do acordo com a ADSE. Teria pago os 5000€, não sei como, mas teria. Eles têm acordo com as principais seguradoras, o preço será semelhante.
O que é certo é que o Diogo está sorridente, brincalhão e cheio de mimo, desde o momento em que saiu do bloco. Anda super bem disposto, já não toma analgésicos desde domingo... Eu e o pai, companheiro de aventuras, estamos a recuperar de muitos dias aflitivos e retomamos finalmente as "actividades sociais" da internet.
Ainda acham que a saúde publica em Portugal anda bem? Só tenho pena de quem não pode seguir o mesmo caminho...
O problema com esta aventura, que a maioria dos pais não conhece e não faz ideia o que significa, é que andamos, sempre, SEMPRE, com o coração nas mãos. Ou porque associado ao autismo há uma perturbação de sono, ou porque o nosso filho tem um conjunto de pilhas Duracell incorporado, ou porque vivemos numa sociedade parva, ou porque as escolas não dão respostas adequadas, ou porque os nossos filhos não sabem comunicar... Ou, no meu caso, todas as anteriores, em simultâneo. E mais algumas. A mais recente e aquela que mais dificil é de suportar, é quando o nosso filho autista tem dores e não sabe explicar onde e quando se tenta ajudar, ele não deixa. Assim se passou o ultimo mês e meio cá em casa. Com dores de dentes.
Já tinhamos tentado a abordagem tradicional em dentistas. Escolhemos uma dentista pediátrica (2012, post aqui), que fez o seu melhor, mas estragou tudo, porque a partir daquele dia, ninguém (nem mesmo eu) mexe na boca do garoto. Se eu soubesse na altura o que sei hoje, nunca teria permitido que agarrassem o Diogo à força...
Dia 1 de Março, fomos a Coimbra às urgências do Hospital Pediátrico. Nada se resolveu porque o sistema assim o determina. Mas cabe na cabeça de alguém que exista uma lista de espera de 12 meses para uma cirurgia com anestesia geral para utentes pediátricos? Não, não se enganaram a ler! O Diogo teria que esperar 1 ano até ter vaga no bloco operatório, onde finalmente lhe iriam tratar a cárie. Marcaram consulta para dia 11 de Abril (hoje), para o poderem observar e finalmente, entraria na lista. Bah. Isto com muitos telefonemas e pedidos desesperados... ficou apenas uma promessa de tentar acelerar alguns meses...
Duas rondas de antibióticos e um mês de Brufen/ben-u-ron depois, continuavam as dores, fartei-me e parti à procura de alternativas.
Fiz a pesquisa e peguei no telefone.
5ª feira, 3 de Março, 9.30h.
O que eu procurava era "simples": um local onde fizessem o tratamento ao Diogo, com anestesia geral e com acordo ADSE, o mais rápido possível.
Eis os resultados:
- Hospital da Luz: não entendo todo o deslumbre que se associa ao HL. Sinceramente. Ao telefone, parece que o que estava a pedir era demasido estranho, nem sabiam se a ADSE tinha acordo com a estomatologia ou não. Ficaram de pensar no assunto e ligar de volta com orçamento. Até hoje...
- CliRia (Aveiro): finalmente, alguém acessível. Falei diretamente com a pessoa responsável pela intervenção (muito acessível e cordial). Fazem o procedimento, mas precisa de ser avaliado em consulta primeiro. Têm acordo com ADSE mas não sabem o que cobre o acordo. Preço base de entrada no bloco operatório: 5000€. Sim, CINCO MIL EUROS a que acresceriam todos os tratamentos efetuados no bloco.
Foi exactamente isso que eu pensei...
- Clínica Pissarra Gomes (Covilhã): falei directamente com o responsável, extremamente atencioso e prestável. Fazem procedimento mas anestesista fora em congresso. Ficam de ligar assim que falassem com a anestesista.
- IDEALMED (Coimbra): falei diretamente com a Drª Andrea, responsável pela intervenção em bloco operatório. Fizemos consulta pelo telefone, foi extremamente atenciosa e compreensiva. Disse que estava a pensar fazer o procedimento nas próximas duas semanas e perguntou se eu concordava. Como eu respondi que "se for hoje, eu já vou a caminho" só me respondeu "vou falar com a equipa, já lhe ligo". E ligou, passado sei lá, meia hora: "cirurgia depois de amanhã, sábado, pode ser?". Pode, claro que pode. Nem que eu tenha que fazer um empréstimo ao banco, eu só quero o meu filho bem...
Uma hora depois, liga-me o Dr. Pissarra, da Covilhã, a quem eu agradeço a atenção do fundinho do meu coração de mãe. "Eu também sou pai e nem quero imaginar o que a senhora sente ao ver o seu filho sofrer. Como não consegui falar com a nossa anestesista, liguei para alguns colegas meus a perguntar onde se poderia fazer este procedimento e disseram-me que a pessoa indicada seria a Drª Andrea, no Idealmed." É pá, nem vos conto o alívio que senti ao perceber que estava no bom caminho!
Sábado, 5 de Abril, 10 horas.
Entramos no Idealmed, onde já estão à nossa espera. Acompanham-nos ao quarto (de luxo!) onde alguns minutos mais tarde nos encontra o anestesista. Depois das perguntas da praxe, segue-se a longa espera até às 15 horas, sem comer ou beber (acho que isso foi o mais complicado, com uma peste que tem que estar sempre a roer!).
Recebemos a visita da drª, chega o xarope-maravilha que acalma o pequeno e lá vamos para o bloco operatório. Sim, leram bem, vamos. O Diogo foi ao meu colo para o bloco operatório, acordado. Fui eu que o deitei na mesa e que ajudei a por a máscara para o adormecer. Essa sim, é uma sensação do c@%$lho, de completa impotência e desespero. Respirei fundo e saí do bloco, ainda estava o pai a vestir a roupa para entrar. Saímos e esperámos. Duas horas depois, chamam-nos no quarto, já estava! Corremos para o bloco, onde estavam à nossa espera para o acordar e seguimos para o recobro.
Arrancaram o dente que estava a causar problemas (cárie), desvitalizaram outro, trataram os potenciais problemáticos e os que estavam bem, foram selados para que não dessem problema. Tudo dentes de leite, tudo tranquilo com os definitivos!!! (YAY) BOCA NOVA!
Acordou um bocadinho chateado porque ainda tinha o soro (que só puseram quando já estava a dormir) e assim que lho tiraram voltámos para o quarto onde começou a odisseia... da comida! Assim que acordou por completo comeu 4 iogurtes. Meia hora depois chegou o jantar e 15 minutos depois, o segundo jantar (porque o primeiro era só a entrada). Mais tarde chegam mais 3 iogurtes, porque alguém só pedia comida e finalmente, por volta das 22h tivemos alta! E quando chegámos aos avós, sai a ceia: sopa, arroz e carne!
Dormiu a noite toda e no dia seguinte (domingo), às 11 horas a drª Andrea já estava a ligar a perguntar como estava.
É nos detalhes que está a diferença: não agarraram à força, só puseram o soro quando ele já estava adormecido, os pais sempre presentes, o acompanhamento depois... Ainda fomos elogiados pela excelente higiene oral do pequeno! A cárie foi mesmo provocada por andar sempre a comer...
Sim, também vos digo em quanto ficou o estrago. Uma cirurgia destas fica sempre entre 1500 e 2000€. Nós pagámos 350€ por causa do acordo com a ADSE. Teria pago os 5000€, não sei como, mas teria. Eles têm acordo com as principais seguradoras, o preço será semelhante.
O que é certo é que o Diogo está sorridente, brincalhão e cheio de mimo, desde o momento em que saiu do bloco. Anda super bem disposto, já não toma analgésicos desde domingo... Eu e o pai, companheiro de aventuras, estamos a recuperar de muitos dias aflitivos e retomamos finalmente as "actividades sociais" da internet.
Ainda acham que a saúde publica em Portugal anda bem? Só tenho pena de quem não pode seguir o mesmo caminho...
segunda-feira, 17 de março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
Odisseia telefónica
Liguem para o Hospital Pediátrico de Coimbra e confirmem a marcação de uma consulta de desenvolvimento e de uma cirurgia em estomatologia.
A sério.
Liguem.
Falamos daqui a uma semana, quando finalmente vos atenderem e vos disserem que não há nenhum Diogo em espera de consulta de desenvolvimento e que o médico que vos atendeu nas urgências ainda não pediu a cirurgia de urgência para os dentes que já estão a doer outra vez.
Até a miss simpatia da telefonista me pedia desculpa ao telefone tal foi o raspanete...
segunda-feira, 10 de março de 2014
Updates!
Parece que está a ficar cada vez mais complicado actualizar este blog!
Antes de mais, eu estou bem! Foi um susto, estou a tratar do assunto, obrigada pela preocupação!
Em modo speed-resumé: parece que a tensão arterial afinal não é para brincadeiras. É, foi isso mesmo que eu pensei: "são problemas de gente mais crescida que eu!". Mas não são. Parece que aos 35 anos é perfeitamente normal ter crises hipertensivas que nos levam a um estado de pré-AVC. Quanto mais não seja, pelo susto e pelas palavras de "conforto" que recebemos durante o cagaço: "quer ter um AVC? quer deixar o seu filho sem mãe? é que vai no bom caminho!". Ok, I get it. "A sério? E se ficar paralisada, prefere a perna esquerda ou o braço direito?". Geez, ok, já percebi!
Sintomas: dor de cabeça. Mas alguém consegue chegar ao final de um dia, com putos autistas ou não, sem dor de cabeça? Sem cansaço? Pois. E pensava eu que o tensiómetro estava avariado! 19/11, passou-se com toda a certeza. Parece que afinal não... Resultado: medicação de urgência, nada de esforços e com medicação para hipertensos sem data prevista de terminar. O problema é que a medicação faz sonolência, falta de ar e cansaço. E pronto, assim justifico o facto de não ligar o pc há uma eternidade e de preferir ficar na horizontal com um bom livro...
Quando tudo parece acalmar, eis que começa o Diogo a dar chatices. Sono agitado, ranger dentes, e... pimba! Cárie! Dentista é mentira (tenho boa memória!), pelo que lá vamos em passo corrida para o pediátrico onde o colocam a antibiótico e em lista de espera para cirurgia com anestesia geral.
(Tudo calmo e tranquilo, que é o que a mãe precisa)
Do pediátrico de Coimbra, tendo em conta que foi a primeira vez que lá fui com ele, fica a cortesia da enfermeira da triagem e da recepção, o tempo de espera enquanto vem o médico de prevenção (1 hora) e as pérolas do sr.dr.dentista:
"Mas ele porta-se sempre assim?"
"Não anda na escola pois não?"
"Em casa também grita assim?"
E, last but not least, a minha preferida:
E pronto, eis que se solta a mãe, ligeiramente enraivecida e explica com muita calma que o autismo não é uma doença e não precisa de medicação. Há outras patologias associadas que podem ser controladas com medicação, como a ansiedade ou a falta de atenção mas não no caso do Diogo, que "é um garoto meigo e carinhoso, tem vocabulário em 5 línguas e não representa perigo para si próprio ou para os outros. Fica é extremamente nervoso quando se encontra num lugar estranho, com gente estranha, que lhe fecha a porta e não deixa entrar o pai e o agarra para lhe ver a boca!"
E pronto, calei-o. Passou antibiótico e estamos à espera da convocatória para ir ao bloco operatório.
A isto juntem um novo distúrbio de sono, que me acorda todos os dias entre as 2 e as 3.30h da manhã, a pedir sala e computador.
TA-DA!
Porque será que a minha "atenção" anda alta? Deve ser da inversão do pólo magnético da Terra...
Never a dull moment in my f***ing life!
Antes de mais, eu estou bem! Foi um susto, estou a tratar do assunto, obrigada pela preocupação!
Em modo speed-resumé: parece que a tensão arterial afinal não é para brincadeiras. É, foi isso mesmo que eu pensei: "são problemas de gente mais crescida que eu!". Mas não são. Parece que aos 35 anos é perfeitamente normal ter crises hipertensivas que nos levam a um estado de pré-AVC. Quanto mais não seja, pelo susto e pelas palavras de "conforto" que recebemos durante o cagaço: "quer ter um AVC? quer deixar o seu filho sem mãe? é que vai no bom caminho!". Ok, I get it. "A sério? E se ficar paralisada, prefere a perna esquerda ou o braço direito?". Geez, ok, já percebi!
Sintomas: dor de cabeça. Mas alguém consegue chegar ao final de um dia, com putos autistas ou não, sem dor de cabeça? Sem cansaço? Pois. E pensava eu que o tensiómetro estava avariado! 19/11, passou-se com toda a certeza. Parece que afinal não... Resultado: medicação de urgência, nada de esforços e com medicação para hipertensos sem data prevista de terminar. O problema é que a medicação faz sonolência, falta de ar e cansaço. E pronto, assim justifico o facto de não ligar o pc há uma eternidade e de preferir ficar na horizontal com um bom livro...
Quando tudo parece acalmar, eis que começa o Diogo a dar chatices. Sono agitado, ranger dentes, e... pimba! Cárie! Dentista é mentira (tenho boa memória!), pelo que lá vamos em passo corrida para o pediátrico onde o colocam a antibiótico e em lista de espera para cirurgia com anestesia geral.
(Tudo calmo e tranquilo, que é o que a mãe precisa)
Do pediátrico de Coimbra, tendo em conta que foi a primeira vez que lá fui com ele, fica a cortesia da enfermeira da triagem e da recepção, o tempo de espera enquanto vem o médico de prevenção (1 hora) e as pérolas do sr.dr.dentista:
"Mas ele porta-se sempre assim?"
"Não anda na escola pois não?"
"Em casa também grita assim?"
E, last but not least, a minha preferida:
"Que medicação é que lhe dá? Para o autismo?"
E pronto, eis que se solta a mãe, ligeiramente enraivecida e explica com muita calma que o autismo não é uma doença e não precisa de medicação. Há outras patologias associadas que podem ser controladas com medicação, como a ansiedade ou a falta de atenção mas não no caso do Diogo, que "é um garoto meigo e carinhoso, tem vocabulário em 5 línguas e não representa perigo para si próprio ou para os outros. Fica é extremamente nervoso quando se encontra num lugar estranho, com gente estranha, que lhe fecha a porta e não deixa entrar o pai e o agarra para lhe ver a boca!"
E pronto, calei-o. Passou antibiótico e estamos à espera da convocatória para ir ao bloco operatório.
A isto juntem um novo distúrbio de sono, que me acorda todos os dias entre as 2 e as 3.30h da manhã, a pedir sala e computador.
TA-DA!
Porque será que a minha "atenção" anda alta? Deve ser da inversão do pólo magnético da Terra...
Never a dull moment in my f***ing life!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Tenho que falar... senão dou em doida!
Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.
Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...
E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita... comentários, agradecem-se!
Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.
Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...
E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita... comentários, agradecem-se!











































