As dúvidas e angustias de uma mãe de primeira viagem quando descobre que o seu tesouro é especial...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Otorrino e blábláblá...

O blog fez um ano, qu'é como quem diz, há um ano que fui obrigada a escrever para aliviar o peso que trazia no peito.
Um ano depois, muita coisa mudou: estou desempregada, tenho menos dinheiro, tenho uma gata, encontrei amigos que se preocupam e despachei amigos que nunca se preocupavam (ou que nunca faziam cedências). Muitas outras coisas continuam na mesma: continuo longe de casa, continuo com vontade de chorar e continuo a rezar para que esta vida que tenho seja só um pesadelo... grunf.


Ontem fomos ao Hospital. O otorrino decidiu na consulta do dia 16 (40€ por 2,5 minutos!!!) que como o Diogo não colaborava, era melhor fazer otoemissões, a fim de avaliar se ele ouve bem ou não. Se esse exame não resultasse, passaríamos para o teste de potenciais evocados, que implica sedar o garoto... not cool. É lógico que comecei a sofrer por antecipação desde esse preciso minuto.

Com o puto até calminho, lá vem a técnica enfiar qualquer coisa na orelha... ou melhor, tentar. Não deu, óbvio. O miúdo entrou em pânico e desatou num berreiro, daqueles capazes de fazer registos de 8.0 na escala de Richter... foi apertado e obrigado a estar sossegado até que a moça lá desistiu. Resultado? Voltamos lá para a semana... O que me F*** nesta história toda é o discurso: "em termos estruturais, o ouvido é perfeito." e "vê-se que ele ouve bem". Então para que é que é toda esta merdinha de testes?  Eu sei, pode haver um milhão de possibilidades de ele ouvir mal algumas frequências, mas estou fartinha... Haviam de ver o olhar de PÂNICO de duas velhotas que estavam para entrar a seguir na sala de testes. A técnica saiu e disse logo muito apressada: " não se assustem, isto não dói nada!". Senti-me revoltada, com toda a gente do corredor a olhar para o garoto aos gritos como se ele fosse um assassino condenado. Ainda houve uma que lhe disse "Chiu!"... ah, caraças, que vontade de esganar alguém... A vontade era dizer "O puto é autista, pode fazer figuras tristes, qual é que é a sua desculpa para ser estúpida?"


Estou em ponto de rebuçado. Apetece-me entrar num quarto escuro e não voltar a sair. Esquecer que tenho uma vida e deixar-me levar pelo silêncio até não doer mais.

Tranquilo. Isto passa. Passa sempre... é só mais um dia (leia-se semana, mês ou ano) de neura que atrofia o juízo a quem já não tinha muito. Coiso.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A bicha do demónio e nós...


Não, não vou fazer um blog dedicado à gata. Podia, mas não.
Para quem ainda não sabe, em Dezembro aumentámos a família e adoptamos uma gatinha (família, sim!). Foi uma negociação difícil mas lá chegámos à conclusão que, se estimulasse o pequeno, valia o esforço (que é como quem diz, tanto melguei o pai que ele lá me deixou ter um gato só para não ter que me ouvir!!!). Adiante.

Os primeiros dias foram deliciosos. O Diogo procura a Mia, sempre respeitando o seu espaço (nada de apertões nem puxões de cauda) e a Mia procura o Diogo, sem arranhadelas ou mordidelas. Era portanto de esperar que o interesse de ambos fosse desvanecendo com o passar dos dias...

WRONG!

Continuam a adorar-se mutuamente. A primeira coisa que o piolho pede de manhã é a Mia! Só para olhar para ela e fazer uma festita rápida. Até durante o sono chama por ela... e ela lá vem, senhora do seu nariz, cheirar o pequeno e desejar um bom dia. Depois lá seguem para os seus afazeres matinais: vestir, tomar o pequeno almoço e ir para a escola (o Diogo) e desarrumar, destruir e planear a conquista do mundo (a gata, claro!).

Se eu acho que um animal de estimação faz bem a uma criança diferente? Acho. A uma criança normal também
No entanto, e como já falei com vários pais que estão a pensar aumentar a família com um bichano ou canito, acho que devo chamar a atenção para uma ou duas coisitas:

- É uma questão de sorte. Não é por o bicho ser de "marca" ou rafeiro que temos a certeza de ser dócil ou indicado para lidar com crianças.
- Não atazanem o juízo ao bicho. Se querem um animal calmo e que não ande sempre com as unhas de fora, não o excitem a torto e a direito! Nada de puxar rabos, apertar orelhas e assustar um animal que queremos que não arranhe os nossos filhos!
- Vacinas em dia. Desparasitar bicho e família. Se não o fizerem, correm o risco de ter que explicar aos vossos filhos porque o bicho desapareceu lá de casa...
- Muita atenção nos primeiros dias. Aos dois. Explicar que o bicho sente dor se for apertado e que o puto não gosta de ser arranhado (tentar...)
- Saber esperar... se eles não se ligam nos primeiros dias, deixar andar. Com o tempo vão ser grandes amigos.

E prontos. Agora só falta deixar as provas de que é possível um gato ser tão amigo de uma criança como um cão! AHHHHHH! Aqui vai também a Nina, que está em casa dos avós! Preta mai linda!!!!!




















 Convencidos?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Na cama com os pais...

Sim, gente.
O puto dorme comigo.
Sim, também sei que há muita gente que diz que isso pode comprometer a independência dele, a sua autonomia, que destrói o contacto intimo dos pais e blá, blá, blá... O que é certo é que não passo a noite a pensar que ele está destapado e cheio de frio, sei sempre quando ele tem tosse ou o nariz entupido e assim que tem um pesadelo estou lá para o abraçar e acalmar. E sabe tão bem quando ele acorda e vê que está ali, no meio dos pais e se enrosca até encaixar na perfeição no seu cantinho (leia-se 90% da cama). É melhor que uma botija de água quente. Claro que há pontapés e palmadas nocturnas, mas acho que há mais vantagens do que nódoas negras. Ah! E estraga a dinâmica do casal? Só se ela já estiver estragada...

Googlem. Vão ver que a nova geração de psicólogos, psiquiatras e pediatras se estão a inclinar para o cosleeping. Só para abrir a apetite:

Cosleeping Around The World
by James J. McKenna, Ph.D.
"For the overwhelming majority of mothers and babies around the globe today, cosleeping is an unquestioned practice. In much of southern Europe, Asia, Africa and Central and South America, mothers and babies routinely share sleep. In many cultures, cosleeping is the norm until children are weaned, and some continue long after weaning. Japanese parents (or grandparents) often sleep in proximity with their children until they are teenagers, referring to this arrangement as a river - the mother is one bank, the father another, and the child sleeping between them is the water. Most of the present world cultures practice forms of cosleeping and there are very few cultures in the world for which it would ever even be thought acceptable or desirable to have babies sleeping alone."
                    in http://www.naturalchild.org/james_mckenna/cosleeping_world.html, 15/02/2012



Para quem já pratica ou está inclinado a experimentar, aqui vai um guia rápido
















Just in case...


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tagarelices...

Mãe: Como te chamas?
Diogo: Diogo Fi-i-pe dos Santo Duáte

Mãe: Como se chama o pai?
Diogo: Paúo

Mãe: E a mãe?
Diogo: Da-i-e-ta

Mãe: E o tio?
Diogo: Buto

Mãe: E o avô?
Diogo: Abô...Jé e abô... Fanquico

Mãe: E a avó?
Diogo: Abó... Ada e avó... Dúdes

Mãe: E como se chama o cão do avô?
Diogo: A Nina

Mãe: E a nossa gata?
Diogo: MIA!!!!!

Mãe: O que é que tu és?
Diogo: Cu de mi-mo

Mãe: E mais?
Diogo: Pi-u-li-to da mãe

Mãe: Gosto de ti.
Diogo: Goto ti.



domingo, 22 de janeiro de 2012

Zombie-mum...

Estou cansada. 
Muito cansada... 

É o que dá quando temos um puto em casa que dorme em média 4 horas... por dia!!! AAAAAHHHHHHHHHHHH!!!! Much better...

O Diogo desistiu da sesta. E não quer dormir de noite. Não, não é sono trocado, é falta de sono! Porquê? Isso gostava eu de saber... 

A única coisa que se alterou foi no infantário: juntaram duas salas (a dos 4 e a dos 5 anos), passando de 15 meninos para 27!!!!!!!!!!!!!
É lógico que estou preocupada.
É lógico que tenho "reclamado".
Claro que pergunto todos os dias como é que ele tem estado.
A resposta, invariavelmente é a mesma: "O Diogo anda mais calmo do que antes. Não tem feito uma única birra. Só não quer dormir a sesta." Contra factos, não há argumentos, não é?
Sei que os outros pais não estão satisfeitos com a mudança, mas ninguém se queixa. Pudera! Têm filhos autónomos, que vão à casa de banho sozinhos, comem sem ajuda e se alguém os chatear chegam a casa e queixam-se aos pais! O meu não! Se ficar sozinho todo o dia ou alguém lhe bater, ele não se sabe queixar! E pensar que escolhemos aquele infantário pelo ambiente familiar e porque tinha poucos meninos por sala... O que me vale é que ele gosta de lá estar. As meninas que estão com ele são umas queridas e eu também gosto muito delas...

 Em casa anda bem. Só lhe dá é para fazer asneiras. Embirrou com os livros dos pais e com os DVDs da sala. Se ralhamos com ele faz um berreiro e volta ao mesmo, sempre a olhar-nos pelo canto do olho, em pura provocação.
Consigo que ele adormeça por volta da meia noite. Às 3 está acordado. Volta a adormecer às 7 e meia da manhã... É só uma fase? Espero bem que sim...

Desde 4ª feira que está em casa. Tem dormido um bocadinho melhor, mas está sempre a acordar e a pedir a luz acesa. Que seja.
Amanhã voltamos ao infantário, pode ser que 4 dias em casa o tenham posto nos eixos...

Para os fãs da Mia (e eu sei que são muitos!), a bicha do demónio ainda não deve ter 5 meses (ainda tem os dentes de leite, estimativa da veterinária). O primeiro cio é suposto aparecer por volta dos 6-7 meses nas gatas...
Claro que a minha gata não é igual aos outros, claro, é minha! Tinha que ser diferente. Está doida. Passa a noite a gemer e a chamar rrrrrrrrrrnhauu, rrrrrrrrrrnhauu... Está em plena fase de cio, bastando passar por ela para que ela se deite no chão com o traseiro levantado e a cauda de lado, para não atrapalhar algum macho imaginário que entretanto se materialize cá por casa.  
Suspiro...5ª feira, em jejum, veterinária, esterilização.
(a gata, claro.)



Coiso. 
Tal.





quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mudança das regras... a meio do jogo!

Ontem andei enervada. Daqueles "nêrves" que em vez de dar para barafustar, dão para abrir as torneiras. Daqueles "nêrves" que te deixam enervada pela figura triste que estás a fazer! Grunf.

Já não bastava estar em casa a tomar conta da gata, ter que andar a contar os trocos do bolso, estar um frio do ca-ra-ças, estar longe de tudo o que sempre considerei familiar, viver num país de m**da que não respeita ninguém... ainda tenho que me preocupar com as súbitas mudanças impostas pelos outros e que afectam directamente o pouco sossego que tenho cá em casa.

Sempre fui de opinião que em equipa que ganha, não se mexe! Se uma determinada estratégia funciona, para quê alterá-la? Corremos o risco de a mudança nos deixar com as calças em baixo, no meio do campo adversário, a 30 segundos do final. E está frio.


Elaborarei. Que é como quem diz, hei-de cá voltar para explicar o que me anda a f**er os nêrves. Vou falar com "o mister", mostrar o meu ponto de vista, devidamente fundamentado pela legislação em vigor e depois explico.

Tanto trabalho (e €€€!) para que o garoto esteja bem, e de um momento para o outro...


Haja chá de tília... que aos antidepressivos eu NÃO VOLTO!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

5 Razões Pelas Quais as Mães de Crianças com Autismo São Fantásticas!!!!! por Vencer Autismo


As palavras que mudam a sua vida… “O seu filho tem autismo”. 
Escrito por Kymberly Grosso em Autism in Real Life

"As palavras que mudam a sua vida… “O seu filho tem autismo”. Elas ligam mães de uma forma que outras pessoas não conseguem entender. Devido ao facto do autismo atravessar todas as fronteiras sociais, económicas e culturais, as mães de crianças autistas vêm de todos os paises do mundo e de todos os percursos de vida. Conheci mães no Facebook, em reuniões de apoio ao autismo e na escola. Algumas são conhecidas, e outras sinto-me honrada de lhes chamar grandes amigas. Sou atingida pelo amor que elas têm pelos seus filhos e famílias, e sou continuamente inspirada por elas.

Desde organizarem grupos de apoio a advogar em  nome das nossas crianças, estas mulheres são apaixonadas, destimidas e uma força a ser reconhecida. Quando olho para mães de crianças autistas eu sei, é fácil ver semelhanças, apesar das suas várias diferenças. Então minhas Companheiras Mães de Crianças Autistas, aqui fica o meu top 5 de razões pelas quais  somos fantásticas:

1.Temos garra
Na vida, não existe mulher mais forte do que aquela que aparece para proteger a sua criança. Seja cuidados de saúde ou educação, as mães de crianças autistas são super conscientes daquilo que está a acontecer com a sua criança, seja bom ou mau. Elas são apaixonadas por ajudarem as suas crianças e por se apoiarem umas às outras. Estas “mães guerreiras”, como muitas foram chamadas, lutam por serviços, pelos direitos das suas crianças receberem uma educação adequada e terem a liberdade de tomarem decisões de saúde para as suas famílias. Elas procuram factos, a verdade e desafiam regularmente o status quo
Sentem-se numa mesa com mães de crianças autistas, e vão ouvi-las contar histórias de guerra. Nós podemos entrar em batalhas sozinhas, mas sabemos que há uma mãe algures que passou pelo mesmo e nos pode ajudar e apoiar. Através das suas vozes e conversas, vão ouvir a devoção imparavável para com as suas crianças e famílias. Estas mamãs com garra não aceitarão nem devem aceitar nada de ânimo leve no que toca ao bem-estar das  suas crianças.
Então, quer concorde ou discorde sobre um tema particular com uma mãe de uma criança autista, eu dou-lhe o meu respeito. Ela trava as suas próprias batalhas. Ela vive a sua vida. Ela protege as suas crianças e a sua família. Chamem-lhe força. Chamem-lhe o que quiserem. Mas nunca substimen uma mãe de uma criança com autismo.  Nós nunca deixamos as nossas crianças desprotegidas.

2. Temos força dentro de nós
Enquanto as mães de crianças autistas se focam, muitas vezes, em como o autismo mudou as suas vidas, reconhecemos rapidamente a força que este caminho nos deu. Dito isto, não sei se concordo com a seguinte frase, “ O que não nos mata torna-nos mais fortes”. Sim, às vezes, o autismo torna as mães em pessoas mais fortes. Mas também pode fazer uma mãe sentir-se muito em baixo. O autismo tem uma forma de endurecer até as mães mais macias . Nós vivemos uma vida cheia de stress, muitas vezes num estado de “fugir ou lutar”. Mas, independentemente das emoções com que têm de lidar, as mães de crianças autistas aprendem a fazê-lo juntas e a tornarem-se mais fortes,  porque isso é o que a criança precisa que nós sejamos.
As mães de crianças autistas sabem que haverão muitas batalhas pelo caminho... com escolas, médicos, companhias de seguros, o governo, a intolerância, etc. Nunca sabemos quem poderá, directa ou indirectamente, atacar a nossa criança  ou tentar magoá-la. Como soldado de batalha cansado lançamos as nossas barreiras emocionais para nos protegermos da dor. Nós usamos o nosso escudo sem nunca saber que inimigo pode atacar amanhã. E mesmo quando ganhamos uma pequena batalha, tal como ter uma reunião fantástica, nós sabemos que a guerra não acabou. Então aproveitamos o nosso tempo com as nossas familias e amigos, mas as guardas que nós construímos à nossa volta nunca recuam verdadeiramente. Porque sabemos que, a qualquer momento, o sapato pode cair de novo e estamos de volta à batalha, mais uma vez. É por isto que as mães de crianças autistas são muitas vezes, das mulheres mais fortes que conheço.

3. Somos Super Inteligentes
Uma vez que recebem o diagnóstico, cedo reparam que têm de ser gestoras, doutoras, advogadas e professoras, tudo numa só. Posso estar a exagerar um pouco, mas há alguma verdade na minha frase. As mães de crianças com autismo fazem muitas vezes a coordenação da equipa da criança e tomam decisões importantes diariamente.
Muitas mães são forçadas a aprender não apenas o que o autismo significa para a sua criança, mas também passam horas a ler as últimas investigações sobre o autismo. Se é suposto concordarmos com as recomendações físicas, devemos aprender sobre esses aspectos que que dizem respeito aos nossos filhos. Sentam-se num grupo de apoio a ouvir discussões sobre tratamentos biomédicos e intervenções, problemas de sono, problemas de motricidade fina, sensorial, curriculum de capacidades sociais, etc.
Quando a vossa criança entra no sistema escolar, as mães de crianças autistas tornam-se muito conscientes de precisam de começar a aprender sobre as leis que governam os sistemas educacionais. Se os pais querem assegurar que as suas crianças têm uma educação pública apropriada, aprender as bases da lei da educação especial e de como isso afecta as suas crianças é o melhor. Algumas destas “mães-advogadas” que conheci podem estar cara-a-cara com o melhor administrador de educação especial e encontrar um educação que seja completamente adequada à sua criança. E quando as mães de crianças com autismo não sabem o que fazer, sabem que outras mães as poderão ajudar a encontrar uma solução.
Educadas. Persistentes. Inteligentes. As mães de crianças com autismo não têm a lúxuria de ser nada menos que isso. E, continuo a maravilhar-me com estas mães, que fazem tudo para ajudarem as suas crianças.

4. Nunca Tomamos nada como Garantido
A capacidade de comunicar, andar de bicicleta, dançar, comer o que se quer ou ter uma amizade. São tudo marcos e actividades que muitos pais têm como garantido. Ainda assim, pais de crianças com autismo não têm esse privilégio. Talvez a criança ande de bicicleta sozinha, ou talvez não. Com intervenção poderá aprender a criar e manter uma amizade. Ou talvez a criança não tenha amigos e nós vamos lutar para ajudar a nossas criança em relação à capacidades sociais e amizades. Qualquer que seja o marco, pequeno ou minimo, as mães não tomam as pequenas coisas como garantidas.
Durante a vida das nossas crianças, os marcos alcançados tornam-se milagres a celebrar e não apenas registos na lista do médico. As mães de crianças com autismo levam um dia de cada vez e emocionam-se com coisas que para os outros parecem fáceis de alcançar. Eu lembro-me de dizer à minha própria mãe, “Eu gostava que ele dissesse ‘mamã’”. Tão básica a necessidade de comunicar, mas às vezes tão remota que só conseguimos ver um pouquinho dela. E agora que o meu filho consegue dizer “mamã” várias vezes ao dia, eu sei o quão abençoado o meu filho é por ser capaz de fazer que todos os dias as pessoas vêem como garantido.
Apreciação. Gratidão. Agradecimento. Na verdade nenhuma destas palavras consegue expressar o sentimento de alegria que sentimos quando os nossos filhos atingem os seus objectivos. E, talvez, isso seja a razão pela qual as mães de crianças com autismo não precisam que lhes digam para abrandarem e apreciarem as coisas. Elas vivem o autismo e nunca esquecem que não podem ter as coisas como  garantidas, elas aprendem lições diárias com os seus filhos.

5. Não temos barreiras no que toca ao Amor
As mães de crianças com autismo amam as suas crianças além das palavras. Ouvirão várias vezes mães dizerem que ainda que não gostem do autismo, amam as suas crianças. E é verdade. Não importa os comportamentos ou dificuldades, estas mulheres expressam abertamente o seu amor profundo de serem mães e o quanto amam a sua criança com autismo.
As mães de crianças autistas muitas vezes passam por grandes sacrificios emocionais e financeiros para poderem ajudar os seus filhos a fazerem progressos. Sabemos que não há muito espaço para erros. As nossas crianças estão já a começar em desvantagem, por isso muitas vezes sentimos uma necessidade esmagadora de conseguir fazer tudo bem à primeira tentativa.
As mães de crianças autistas sabem aceitar as suas crianças por aquilo que elas são sem nunca parar de ajudá-las a atingir os seus objectivos. O amor é verdadeiramente paciente e carinhoso e não há barreiras ou condições.
Amor é...criar uma criança com autismo.

Mães com uma Causa
O mais engraçado em relação a este artigo é que foi feito especialmente para o dia da Mãe. Mas tipicamente, o mês de Maio é recheado com o fim das actividades anuais dos meu filhos... então não consegui fazê-lo a tempo. E enquanto este tributo às mães de crianças autistas está uns meses atrasado, estas mães deveriam saber o quão especial são durante todo o ano.
Muitas mães de crianças autistas enfrentam desafios todos os meses com graça e apoiam-se umas às outras de um forma que eu nunca tinha visto. Quando uma de nós cai, como às vezes acontece,  estas mulheres estão aí para pegar em cada uma de nós, abanar-nos e colocar-nos de novo no nosso caminho. Não há forma de descrever esta irmandade de autismo, mas sinto que nós estamos todas mudadas pelo diagnóstico. Estamos melhor? Talvez sim, talvez não... dependendo do dia ou da pessoa com quem falamos. Às vezes somos fortes. Às vezes quebramos. Somos lutadoras e protectoras das nossas famílias e crianças.

Resumindo, as mães de crianças com autismo inspiram-me a ser uma pessoa melhor… a tentar fazer do mundo um lugar melhor para as nossas crianças. A continuar a lutar. A ultrapassar mais um dia, mês, ano. Sempre que me sinto um pouco triste, facilmente encontro outra mãe a criar uma criança autista que me consegue mostrar a “força”. Ela consegue mostrar-me o caminho para me ajudar a travar mais uma batalha. Ela consegue levantar o meu espírito e mostrar-me a compreensão que apenas uma mãe de uma criança autista consegue. Sim, elas são, de facto, fantásticas!

*Setembro pode ser um mês dificil para pais de crianças que têm autismo e estão a começar a escola... Então, se conhece uma mãe de criança autista com a qual se preocupa, passe-lhe este artigo para relembrá-la do quanto ela é especial! Não precisa de ser Maio para celebrar o facto ser ser Mãe."

Traduzido de: http://www.psychologytoday.com/blog/autism-in-real-life/201108/5-reasons-why-autism-moms-rock

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A MINHA GATA É AUTISTA!!!!!!!!!!!!

É verdade, gente. Olhando para a bicha do demónio detecto nela grandes indícios de autismo.  
E tenho provas!!! Não acreditam? Bah! Ora vejam!

Um dos grandes sinais de alarme no autismo é o interesse exagerado e obsessivo por uma actividade repetitiva.
  • objectos que produzam movimento, sobretudo repetitivos: máquina de lavar roupa? Horas de observação atenta...
  • luzes ou objectos brilhantes: pobre árvore de Natal! Entre Diogo e Mia, não imaginam o que sofreu nestes dias. Todos os dias recupero enfeites de Natal, escondidos em sítios estranhos... debaixo do sofá, por exemplo! Xiiii, mente suja...
 
  • números e ordenações numérica e/ou desenhos e símbolos gráficos repetitivos: o Diogo brinca com números e letras. A Mia? Também? Desde que desperte interesse no puto, a gata adora. Peças pequenas ou grandes, de espuma, plástico, cordéis, carrinhos que ocasionalmente saem do cesto (o que é raro, porque não têm letras!), tudo serve! E se fizer barulho, melhor!!!!
 
E a pista do Pocoyo? É a loucura de um e outro... mesmo sem letras ou números, nenhum dos dois resiste a tentar destruir o dito brinquedo.  


Então? É ou não é autista???

Não. Não enlouqueci completamente. Ainda...
Há dias em que me apetece brincar com a coisa.
Quem sabe o dia não passa mais rápido?

Bom Ano a todos.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Esta é a Mia...

O Pai Natal desta vez foi generoso... para além do tradicional pijama e bujigangas que não interessam a ninguém, recebi... a MIA!


Sim, eu sei. Ter um gato é uma prisão. A casa fica cheia de pelos, as plantas sofrem e os cortinados ganham franjas novas.. ou não. Mas eu tive gatos desde sempre e confesso que sentia falta do ronronar e das marradinhas que dizem gosto de ti. Eis que, tantos anos de insistência depois, a minha cara metade lá cedeu (sim, porque segundo sempre me disse, ele e gatos não combinam!). Agora ele partilha a gata comigo. Sim, porque a bicha do demónio prefere o dono e ele começa a dar sinais de quem é capaz de se habituar a ela também (o que não é pior, assim não me chateia tanto quando ela faz asneiras!).

E o Diogo? Como é que acham que o Diogo reagiu à Mia?

Muitíssimo bem. E ela? Adora-o!!! Onde ele estiver, a gata está também. Senta-se na cama dele quando ele brinca no chão ou no sofá ao lado dele quando ele vê televisão.
No primeiro dia ele sorriu e mostrou interesse... durante 10 segundos e foi à vidinha dele. Imaginem portanto o meu espanto, quando no dia seguinte, ainda mal acordado o Diogo pergunta "A Mia?".
Uau.
Levei-o à cozinha, onde está o ninho dela e ele lá foi todo contente espreitar. Virei as costas e dou com ele de joelhos, a espreitar para baixo da mesa onde ela estava, a rir às gargalhadas por a ver brincar com uma bola. E o que fez ele? Foi buscar outra bola e atirou-a para ela ir buscar, sempre atento às brincadeiras dela. Esta brincadeira continua até hoje...  o que é mais fantástico é que nem ele a massacra nem ela stressa.
Faz festas na Mia, quando lhe dizemos para o fazer. Primeiro com as costas da mão, agora vai tendo mais confiança e já faz com a mão toda. De resto, parecem dois putos (parecem, não, são), a brincar às escondidas: ela esconde-se e ele vai atrás e quando a encontra, ela esconde-se outra vez e a brincadeira recomeça. E se não a encontra? "Quero Mia! Onde está a Mia?"

São dois companheiros de brincadeira e de destruição (entre Diogo e Mia, a árvore de Natal já levou uma coça que nem vos conto!).

É claro que tenho receio de uma arranhadela ou mordidela. Mas às tantas há mais vantagens do que desvantagens. Até ver...


PS: Agradeço mais uma vez ao pessoal que faz a vistoria do gás natural e que veio cá em Setembro. Foram tão delicadamente eloquentes que ainda hoje me lembro das expressões feroz lambedora e bicha do demónio. Ficaram gravados na minha mente desprevenida, para sempre. :)

 Miau.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natalio!

Divirtam-se e ponham os problemas para trás das costas... se conseguirem! Se não conseguirem, atafulhem-se de doces e chocolates (ou licores variados até cair para o lado, se preferirem!) e não se esqueçam de sorrir... Mesmo que seja sem vontade, um sorriso amarelo e pouco duradouro, mas um sorriso! Que a esperança nasça desse sorriso, que sirva de alento nestas noites frias e que nos dê força para continuar.




Eu vou tentar também...
E obrigada a todos, por tudo.
Beijos e abraços e sonhos... de abóbora!



domingo, 18 de dezembro de 2011

Transgressão e Regressão

Não, caríssimos colegas geólogos e afins. Não falo dos processos geológicos associados à subida ou recuo do nível do mar, nada disso. (embora preferisse...)

A regressão  a que me refiro é dolorosa...não aumenta a área continental, apenas o meu desespero. Exagero? Vejamos:
- Há 6 meses atrás o Diogo não falava muito, apenas o essencial. Hoje fala menos do que isso, é preferível apontar e espernear se não lhe fazem a vontade.
- Há 6 meses atrás o puto usava fralda. Hoje continua e não vejo vontade em largar a dita. A opinião da pediatra é tirar já e de repente. Se houver descuidos, banheira e água fria... Para quem não se lembra, estamos em Dezembro, a ideia de água fria não é a mais agradável...
- Há 6 meses atrás o Diogo não queria ir para o infantário. Adivinhem? Continua a não querer.
- Há 6 meses atrás o Diogo tinha deixado de se agredir. Agora, pega na minha mão para lhe bater...
- Há 6 meses atrás eu tinha esperança no desenvolvimento positivo dele. Hoje já não sei...
-Há 6 meses atráso puto só via números e letras. Hoje só brinca com... números e letras!
Vêm o padrão aqui?

O consenso social manda procurar ajuda. Mais médicos, mais especialistas, mais testes, mais stress... Ordens da pediatra: teste auditivo urgente (aproveitar porque finalmente instalaram a maquinaria para os potenciais evocados aqui no fim do mundo), e procurar outro especialista. Já corremos pediatras, pediatras de desenvolvimento, pedopsiquiatras, psicólogos e todo um conjunto de educadores e terapeutas. Falta-nos um neuropediatra. Ok, claro. Mais um... É aqui que entra a transgressão: não me apetece! Não me apetece seguir as regras! Não quero mais médicos, EU saio de lá doente!!!!!


Apetece-me mandar toda a gente... à fava. A sério!
Ide ver se o porco anda nas couves! 
Vão que eu espero.

Bolas. Eu não quero. Eu não quero ter um filho diferente.
Pronto já disse.

E sim, descansem. Vou marcar consulta.   
Mas dava tudo para não ter que o fazer...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Era das tecnologias, parte III

Mais alguns para a lista...

http://www.kids-software.com/
http://www.educational-freeware.com/
http://www.wartoft.nu/software/sebran/
http://www.wartoft.nu/software/minisebran/
http://www.educational-freeware.com/online/poisson-rouge.aspx
http://www.educational-freeware.com/online/starfall.aspx
http://sembarreiras.org/
http://www.inclusive.co.uk/
http://www.starfall.com/
http://www.minimops.com/ - *****!!!!


Boas brincadeiras!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Chorar não adianta nada."

Chorar não resolve problemas.
Chorar não te limpa a casa nem te passa a roupa a ferro.
Chorar não te adianta o trabalho.
Chorar não te faz mais feliz.
Chorar não te trás de volta quem já partiu... nem te afasta de quem não precisas.
Chorar não te alivia o desespero nem a frustração.
Chorar não implica que sintam pena de ti.
Chorar não te garante um futuro melhor.
Chorar faz dor de cabeça. E incha os olhos. E põe-te mal disposta.

Então porque choras?
Chorar é apenas uma resposta fisiológica à alteração do estado emocional, seja por  medo, tristeza, depressão, dor, saudade, alegria exagerada, raiva, aflição...

Choras porque precisas. Porque se não o fizeres morres por dentro.
Choras porque te dói ver como és diferente dos outros, porque eles não sabem o que tu estás a sentir.
Choras porque não sabes o que estás a fazer bem ou o que estás a fazer mal.
Choras porque estás perdida e precisas de encontrar o caminho.
Choras porque não sabes como reagir quando o mundo desaba.
Choras porque não consegues curar quem não está bem.
Choras porque estás cansada.
Choras porque sim. E porque não.

Mas acima de tudo...
Choras porque és forte! Porque a seguir a este momento de desespero, a força renasce!
Choras porque queres seguir em frente.
Choras porque és mãe e queres o melhor para o teu filho.


E depois... deixas de chorar.
E voltas ao mesmo.
Até precisares de chorar outra vez.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"É autista, não é?"

Acabadinha de ouvir.

Pela 3ª vez em 4 anos, o Diogo foi ao serviço de urgências do Hospital cá do sítio. Refiro o número de vezes só porque me disseram que o puto e os pais são uns heróis, pelos vistos há crianças da idade dele que já ultrapassaram as 50 visitas. Ganham-se pontos com isto, ou será que ainda não recebi o catálogo para trocar por brindes? brincadeira de mau gosto, admito! Sorry...

Como tem uma excelente memória, bastou chegar aos portões do referido Hospital para o Diogo desatar aos gritos... da ultima vez, eram 2 da manhã e ele teve que fazer aquela mistura de aerossóis com adrenalina e jkdfuwaeg-ina, que pelos vistos foi traumatizante. Eis que em plenos pulmões (apesar de muito rouco), esperamos pela triagem. A enfermeira que nos atendeu (bem mais atenciosa do que o outro paspalho, digo, enfermeiro que nos atendeu da outra vez), mediu-lhe a temperatura e como ele continuava aos gritos começou a tentar distraí-lo.
Pois.
Como viu que não conseguia, olhou para mim e disse com um sorriso:

"É autista, não é? Tão lindo! Sabe, como mãe, gostava muito de conhecer o mundo de um autista. Deve ser bem melhor do que o nosso, não acha?" e como se não bastasse, remata:
"Nota-se que vocês são uns pais excelentes!"
Nota-se como? Pelos gritos? Pelos pontapés? Pela cara de pânico do puto? Ou pela minha?

Ok, estou um bocadinho amarga hoje. Grunf...

 Segue-se a razão da visita: a pediatra, que ao telefone de manhã nos aconselhou a passar por lá para o auscultar. A birra continua mas ela faz um ar conhecedor (não vê o puto há 1 ano) e quando a colega (não, não foi a pediatra dele, foi a outra médica que estava de serviço) o tentou acalmar, a unica resposta foi:
"Este é dos bons, é dos tais..."

A única coisa boa disto, é que neste momento ele está a dormir. Acho que a gritaria o cansou e ele finalmente adormeceu. Não há tosse, nem gemidos... só o meu pequeno a dormir descansado.
Ataquei a maldita tosse a tempo, antes de ela se transformar em gosma pulmonar e ser muito mais difícil de curar depois.
Ele está bem. E se para ele estar bem, eu tenho que levar com tudo isto e mais os esgares de quem lá estava, desafio superado.
Nada de preocupações.
Estou bem, nada que uma boa noite de sono não cure.
Ou duas horas.
Ou meia hora.
Ou ZZzzzzzzzzzzzzzz.......
Tenho que falar... senão dou em doida!

Todos dizem que está tudo bem mas o meu mundo desaba num segundo... Decidi escrever um blog (porque não?), onde vou desabafando e limpando a alma.

Quantos pais não estarão na mesma situação? Ter um filho diferente e não ter certeza de nada? Receio do futuro? E quanta ansiedade muitas vezes não significa NADA? Ou seja, passar 5 ou 6 anos com o coração nas mãos e depois está tudo bem, era só "uma questão de ritmo"? No meu caso, ainda continuo com a malvada incerteza, mas quem sabe...

E porque não desabafar aqui também? Terapia gratuita...
comentários, agradecem-se!